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Jeduca | Associação dos jornalistas de educação
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Educação não é prioridade em eleições na América Latina

13/08/2018

Jornalistas do México, Argentina e Colômbia contaram sobre as dificuldades na cobertura da área em seus países

Mesa com jornalistas latinos
Alice Vergueiro/Jeduca

Brasil, Argentina, México e Colômbia compartilham algo além da herança colonial ibérica: nos quatro países, a educação não parece ser uma prioridade dos candidatos nem dos veículos de imprensa nas campanhas eleitorais. Três jornalistas, a mexicana Sonia del Valle, a argentina Luciana Vazquez e o colombiano Simon Granja Matias expuseram um panorama da cobertura jornalística em seus países na segunda-feira (6/8), durante o 2º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, realizado pela Jeduca em São Paulo.

 

No México, a reforma na educação de 2013 estabeleceu novas regras e implantou uma avaliação obrigatória para o ingresso de professores nas escolas. Segundo Sonia, antes da reforma, as vagas disponíveis eram distribuídas entre o sindicato de professores e o governo – 50% para cada um –, o que dava margem a favorecimento de certos candidatos, já que a avaliação para ingresso era voluntária.

 

Naquele contexto, a sociedade e a imprensa permaneciam alijadas do debate educacional porque as definições ficavam, em grande parte, nas mãos desses atores.

 

Esse cenário mudou durante a mais recente campanha eleitoral: a reforma foi um tema de debate, que se concentrou na obrigatoriedade da avaliação para admissão de professores. “Foi uma grande discussão, que criou dois grupos, um a favor e outro contra a medida. O grupo contra a avaliação obrigatória venceu e existe a possibilidade de que a reforma seja revogada, mas ainda não é possível afirmar se isso acontecerá de fato”, afirma Sonia, que trabalhou por 15 anos como repórter de educação no jornal La Reforma. O presidente eleito, Andrés Manuel López Obrador, assumirá o poder em dezembro.

 

Na opinião de Sonia, durante a campanha eleitoral os meios de comunicação falharam na cobertura do tema e restringiram a discussão às avaliações de desempenho dos professores, sem aprofundar a análise dos jogos de poder envolvidos.

 

Cobertura pouco crítica

 

Já na Colômbia, a educação se tornou um tema de debate público há relativamente pouco tempo, segundo o repórter Granja Matias, que trabalha no jornal El Tiempo. “Vivemos um conflito armado e violento por mais de 50 anos. Praticamente todos os demais temas além do conflito foram esquecidos. Somente depois do acordo de paz [dezembro de 2016], com a deposição das armas, começou-se a falar em educação”, explicou o jornalista, referindo-se ao confronto entre o governo e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

 

O presidente que assinou o acordo de paz, Juan Manuel Santos, colocou como meta tornar o país o mais avançado da América Latina até 2025 no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês). “Mas Santos não nos explicou direito como ele pretendia cumprir essa meta”, disse o colombiano.

 

Depois, com a iminente troca de governo (Iván Duque venceu as eleições em junho deste ano e assumiu como presidente em 7 de agosto, no dia seguinte ao painel da Jeduca), o projeto educacional de Santos foi esquecido. “Se questionarem os colombianos, todos vão responder que desejam uma educação pública de qualidade para seus filhos, mas os veículos não refletem muito isso, não se aproveitam desse anseio.”

 

Nesse sentido, Granja Matias enfatiza que boa parte dos jornalistas geralmente reproduz de maneira acrítica os releases produzidos pelo governo, que enfatizam avanços nem sempre passíveis de serem comprovados por meio de dados e indicadores. “Nos meios de comunicação, há poucos jornalistas de educação que sabem utilizar dados e são capazes de exercer um pouco mais de pressão.”

 

Para fazer frente a essa situação, alguns repórteres costumam passar informações para especialistas analisarem. Segundo Granja Matias, existe uma produção significativa de estatísticas na Colômbia, além de o país ter um índice "muito eficiente" para medir a qualidade educacional, que inclui dados sobre aprendizagem, infraestrutura e corpo docente.

 

Jornalismo de educação investigativo

 

A última eleição presidencial na Argentina, em 2015, teve como protagonistas o candidato apoiado pela então presidente Cristina Kirchner, Daniel Scioli, e o opositor Mauricio Macri, que acabou sendo eleito. A educação, de acordo com pesquisas, era apenas o sexto tema em escala de importância para os mais de 32 milhões de eleitores, disse Luciana Vazquez, colunista do jornal La Nación. A pauta ficou atrás de preocupações mais latentes na época, como segurança pública, geração de empregos e inflação, por exemplo.

 

Para exemplificar a pouca importância dispensada à agenda educacional, Vazquez contou que em 2016 fez uma reportagem para denunciar graves falhas no processo de aplicação do Pisa na Argentina. Por causa de indícios de fraudes (não houve nenhum membro do governo responsabilizado por agir deliberadamente) e falhas técnicas, o país acabou sendo excluído da avaliação.

 

“Isso colocou em xeque os institutos argentinos, impactou a confiabilidade estatística nacional. Se não podemos falar de fraude, pode-se dizer de graves imperícias técnicas. As políticas públicas poderiam ser feitas sobre números fictícios, seria algo gravíssimo”, afirmou a jornalista.

 

O ministro da Educação argentino, Esteban Bullrich, caiu por causa do escândalo, mas nas eleições legislativas do ano seguinte foi eleito senador pela província de Buenos Aires, a mais populosa do país. “Bullrich não tinha credenciais para ser ministro da Educação, fez um trabalho ruim e ainda se saiu muito bem politicamente”, disse Vazquez.

 

 

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