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Jeduca | Associação dos jornalistas de educação
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Mesa com cineastas traz reflexão sobre como retratar educação

13/08/2018

João Jardim e Cacau Rhoden falaram de suas experiências com documentários em uma das palestras mais elogiadas do Congresso da Jeduca

João Jardim, autor de 'Pro Dia Nascer Feliz'
Alice Vergueiro/Jeduca

Documentários e jornalismo têm o mesmo DNA, mas trabalham linguagens distintas e resultam de processos diferentes. Apesar disso, os filmes podem colaborar para que as pessoas demandem “mais educação” porque têm o poder de sensibilizar para as questões e problemas enfrentados pelos estudantes e pela comunidade escolar.

 

Esses foram alguns dos pontos de debate entre os cineastas João Jardim e Cacau Rhoden durante a mesa “O universo da educação no cinema: O que podemos aprender?”, no dia 7 de agosto, no 2º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, realizado pela Jeduca em São Paulo. Apesar de a pesquisa oficial com o público ainda estar em fase de tabulação, a mesa foi uma das mais elogiadas informalmente pelos participantes.

 

Jardim e Rhoden são autores de dois documentários sobre jovens, cujo pano de fundo é a educação. O primeiro é diretor, entre outros filmes, do longa “Pro Dia Nascer Feliz” (2006), em que coletou depoimentos sobre medos e anseios no ambiente escolar de estudantes das redes pública e particular. Rhoden é o realizador do documentário “Nunca Me Sonharam” (2017), que traça um panorama sobre a educação brasileira a partir do ensino médio.

 

Ao debaterem sobre as motivações para realizar os filmes, seus processos de filmagem e sua recepção pelo público, os cineastas trouxeram bons insights sobre o jornalismo, em especial o de educação. Em contrapartida, participar do Congresso foi uma experiência enriquecedora para João Jardim.

 

“Não sou um cineasta típico, pois, para mim, as questões e pessoas ligadas ao universo da educação são dos temas mais interessantes para se fazer filme no Brasil.Os filmes são sempre sobre personagens, então o Congresso foi muito rico porque, para olhar para o micro, para as pessoas, é preciso ter um entendimento do que acontece no macro”, disse, em entrevista à Jeduca.

 

Cacau Rhoden, de sua parte, elogiou o fato de jornalistas se mostrarem dispostos a ouvir o que profissionais de áreas afins, como os cineastas, têm a dizer. “É urgente que se discuta como traduzir as questões da educação para a população. A educação, a meu ver, é o principal meio capaz de promover a mudança social”, disse Rhoden à reportagem da Jeduca.

 

Contexto e significado

 

No Congresso, os dois cineastas enfatizaram a perspectiva autoral do documentário em relação às reportagens, sobretudo aquelas feitas no dia-a-dia, que não possibilitam um extenso trabalho de apuração e pesquisa. Reconhecendo, entre risadas, que iria fazer uma “metáfora pobre”, Rhoden afirma que o “jornalismo é uma espécie de refeição diária”, enquanto “o documentário é um jantar à luz de velas”.

 

“Documentário tem uma visão muito pessoal do autor, tem uma linha narrativa mais definida e uma carga emocional forte. Jornalismo é o contrário, o autor tem que se distanciar, ser mais frio e objetivo”, acredita Jardim.

 

Rhoden, por sua vez, afirmou que o “jornalismo bombardeia as pessoas o tempo todo com informação, a linguagem é efêmera”, o que torna os textos descontextualizados em relação ao significado da notícia.

 

Na mesma direção, Jardim comentou: “O ser humano tem necessidade de entender a vida e a si mesmo. Às vezes, a notícia deixa a gente mais confuso. A notícia, não necessariamente, traz um entendimento melhor do mundo às pessoas.”

 

O cineasta citou como exemplo a cobertura sobre a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, determinando que as crianças só podem entrar no ensino fundamental se completarem 6 anos até 31 de março. “O que isso implica na melhoria do ensino? E para as crianças, é bom ou ruim? Não vi nenhum comentário sobre isso.”

 

Assim, para ambos, a cobertura de educação deixa de incorporar elementos de contexto, que permitam ao público compreender o significado do que é noticiado. Outro exemplo: as recentes notícias sobre as mudanças nos cursos de licenciatura. “Nos textos, não havia a pontuação de que aquilo é relevante. Por que é importante e como impacta a sala de aula”, exemplificou Jardim. Segundo ele, não se trata de opinar sobre os fatos, mas de explicitar sua relevância.

 

Aproximações

 

Embora os documentários “Pro Dia Nascer Feliz” e “Nunca Me Sonharam” adotem linguagens distintas e haja um intervalo de 12 anos entre eles, os cineastas identificam pontos de contato no que diz respeito às problemáticas enfocadas.

 

“Houve muitos avanços nesse período, mas algumas mazelas, conflitos e questões determinantes para os meninos e as meninas continuam os mesmos”, analisou Rhoden. “Isso é o que mais aproxima os filmes.”

 

Jardim, por sua vez, afirmou que “a escola é o melhor lugar no Brasil para se fazer um filme”. Ele contou que sua ideia inicial era rodar um filme sobre gravidez na adolescência, mas as pesquisas e o contato com os estudantes o levaram a tomar outro caminho. “É muito bom entrar nas escolas, elas são locações riquíssimas para documentários. É um ambiente muito particular, com pessoas convivendo diariamente e muitos conflitos de vários matizes, de identidade, de afetos, brigas verbais e físicas, alegrias, decepções.”

 

Por isso, os dois reiteraram que deveria existir mais produções cinematográficas sobre educação. “Talvez as pessoas não façam filmes sobre educação porque pensam que este é um tema muito chato. E é absolutamente o inverso: é um universo multifacetado com uma infinidade de assuntos. A escola não se limita aos muros. Educação é um tema complexo para quem não é especialista, mas quanto mais se ‘cava’, mais se vê que é profundo. Tem muito insumo para discussão, muito assunto”, completou Jardim.

 

"Pro Dia Nascer Feliz" – Trailer

 

"Nunca Me Sonharam" – Trailer

 

 

 

 

#2ºCongressoInternacionaldeJornalismodeEducacao #JoaoJardim #CacauRhoden #2ºCongressodaJeduca

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