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Jeduca | Associação dos jornalistas de educação
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Seminário analisa o papel da mídia na era da desinformação

01/04/2019

Evento, realizado pela Jeduca, enfocou desafios da cobertura de educação no cenário atual, em em que veículos tradicionais disputam espaço e credibilidade com as redes sociais

Debate reuniu jornalistas e pesquisadores na ESPM
Jeduca

Quais são os desafios do jornalismo, em especial o jornalismo de educação, num cenário em que os veículos tradicionais disputam espaço e atenção do público com as redes sociais? Essa foi uma das linhas de debate do seminário “Jornalismo de educação na era da desinformação”, promovido pela Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação), com apoio da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Instituto Palavra Aberta e Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

 

Este também será o tema do congresso internacional, realizado anualmente pela Jeduca. Em 2019, o congresso será nos dias 19 e 20 de agosto em São Paulo.

Na mesa, Elisabeth Saad (docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP), Renata Mariz (repórter do jornal O Globo) e Ricardo Fotios (professor da ESPM e gerente de conteúdo do UOL) analisaram o cenário atual e teceram reflexões com base em seus estudos e experiência profissional. O debate foi mediado pelo jornalista Leandro Beguoci, diretor editorial da revista Nova Escola.

 

Na apresentação, Beguoci chamou a atenção para o fato de que o cenário atual combina elementos novos e muitos aspectos bons. “Mas nem tudo que é bom é novo e nem todo o que é novo é bom”.

 

Segundo ele, o questionamento sobre o papel do jornalismo na sociedade e o incômodo que ele gera a governantes já existiam antes da atual conjuntura.  Em contrapartida, uma novidade é o fato de o jornalismo disputar espaço de difusão de informações com as redes sociais.

 

“A sociedade passou a se informar e a entender que estava se informando por esses canais”, analisa Beguoci. Por isso, o jornalismo deixou de exercer o papel preponderante de narrar ou mediar o debate público, especialmente nas elites. “O jornalismo era a voz política da sociedade e organizava o debate público. O que saia na capa da Veja determinava o debate nas elites do país na semana”.

 

Com as redes sociais, esse papel diminuiu, mas ainda não é possível saber em que escala. Essa tensão se intensifica a partir do momento em que as elites e governantes passam a usar as redes sociais para se comunicar diretamente com a sociedade e o jornalismo passa a ser um dos alvos de ataques. “Estão sendo atacadas as instituições que fazem a mediação do debate público e do conhecimento com a sociedade, como o jornalismo e a universidade”.

 

A formação do jornalista

 

Para Elisabeth Saad, a formação dos jornalistas é um dos pontos principais nesse debate. Ela enxerga uma contradição no campo da formação: de um lado, os cursos de jornalismo estão fortemente estruturados na formação de narradores, no entanto, para atuar profissionalmente nas redes sociais, os jornalistas têm deixar a posição do contador de histórias.

 

“Os princípios do jornalismo jamais podem ser esquecidos, mas nas redes o jornalista sai daquela posição quase que de cima para baixo, de contar o acontecimento e aguardar a repercussão junto ao público, para depois retomar ou não o assunto. Hoje isso acontece de imediato, num ambiente de conexão e de interação para o qual o jornalista não foi profissionalmente treinado”.

 

O desafio, então, é ser jornalista no ambiente de rede, o que envolve, ao mesmo tempo, prover o diálogo, elevar o debate e exercer os preceitos de jornalismo (precisão, veracidade etc.). “Uma coisa é narrar com periodicidade, outra e fazer isso em tempo real, tendo de falar diretamente com uma audiência que age por impulso”.

 

Nesse contexto, a professora da USP alerta para o risco de o jornalista ser, involuntariamente, um ator que produz desinformação, por causa da necessidade de resposta rápida. Daí a importância de instrumentos, como as ferramentas de checagem, a participação em grupos para que ele se posicione com competência e habilidade.

 

Restabelecer o método jornalístico

 

Em sua apresentação, Ricardo Fotios defendeu que, para se contrapor à negação jornalismo, é preciso fortalece os princípios do método jornalístico.

 

“A gente vê a negação dos métodos jornalísticos, mas isso se insere num processo maior de negação de tudo o que foi convencionado, seja pelo uso, pelo método, pela regra, ou pela ética”, analisa.

 

Ele cita como exemplo nessa direção o projeto Comprova, resultado de uma coalizão 24 veículos brasileiros para checar a veracidade de informações durante a campanha eleitoral de 2018. De 67 ml mensagens enviadas pelo público pedindo verificação de informações,  os jornalistas constataram que 92% das informações eram falsas. Apenas 9 histórias foram confirmadas.  A iniciativa foi viabilizada pela organização First Draft, dos Estados Unidos.

 

Para Fotios, o jornalismo possui elementos para transitar nesse cenário. “Um bom lide é  fundamental para SEO. O Google vasculha palavras-chave em lugares-chave. No jornalismo, o lide é um lugar-chave”, reitera. “Precisamos usar a inteligência artificial e o algoritmo a favor do combate a desinformação”.

 

Um ponto de atenção, contudo, é a distribuição da informação. Citando novamente o projeto Comprova, ele afirma que poucas pessoas, inclusive jornalistas, sabiam da existência do projeto.

 

Daí o desafio: “Já existem métodos criteriosos e inquestionáveis para lidar com a informação, O desafio é a distribuição, fazê-la chegar ao público”, conclui Fotios.

 

Desafios da redação

 

A repórter Renata Mariz considera que o dia a dia da redação está marcado por novos desafios e por métodos que não mudam.

 

“O que muda? Quando falamos de era da desinformação, estamos falando de rede social. Somos bombardeados por informações que, às vezes, temos certeza de que são fake, mas precisamos confirmar se são fake”, relata.

 

Por isso, as redações e os jornalistas incorporaram práticas para transitar nesse cenário. “Estar na rede social é obrigação para os jornalistas se informarem, levantar pautas. É preciso seguir pessoas e políticos que se comunicam através dela”. Mas para estar na rede é preciso alguns cuidados básicos, como se certificar da veracidade de perfis

 

No caso das autoridades, a comunicação via redes sociais traz um dilema fundamental para o jornalista: filtrar o que é notícia e o que é informação de interesse público.

 

Apesar da nova dinâmica, os instrumentos clássicos do jornalismo continuam mais atuais do que nunca, segundo Renata. O desafio é usá-los dento das novas configurações. “Nesse cenário de proliferação, temos que buscar os meios que já conhecemos: checagem, uso de dados oficiais, canais de transparência. Hoje, quem sabe entrar numa página de execução orçamentaria e tem instrumentos para rodar o material por conta própria sai na frente”.

 

A formação e o conhecimento da área em que atua também são fundamentais, especialmente num contexto de enxugamento das redações, defende a repórter. “Quem cobre educação, tem uma memória do que já aconteceu e isso é bem-vindo nas redações”.

 

O lado bom, segundo Renata, é que, justamente por causa da proliferação da desinformação, o papel do jornalismo – de buscar e difundir a informação precisa e checada – se fortalece.

 

Assista ao debate na íntegra no Facebook da Jeduca.

 

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