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Jeduca | Associação dos jornalistas de educação
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Transparência do fazer jornalístico é trunfo contra fake news

07/08/2018

Presidente da EWA, entidade de profissionais que cobrem educação nos EUA, Greg Toppo diz no Congresso da Jeduca que jornalismo precisa ser mais ativo no papel de educar o público para lidar com a mídia

Toppo (E), com Gois: panorama do jornalismo de educação nos EUA
Alice Vergueiro/Jeduca

A avalanche das fake news na eleição presidencial americana de 2016 acendeu um alerta vermelho no país. Presidente da EWA (Education Writers Association), entidade que reúne jornalistas de educação, Greg Toppo acredita que o jornalismo tem e terá cada vez mais um papel fundamental na educação do público para lidar com a mídia. Isso, inclui, segundo ele, ser mais transparente com o leitor sobre o processo de trabalho da imprensa.

 

"As pessoas querem e precisam saber mais sobre as notícias”, disse, nesta terça-feira, no 2º Congresso da Jeduca, em São Paulo. "Não podemos esperar que os outros façam nosso trabalho por nós."

 

“Durante as eleições, nós precisávamos de editores melhores nas redes sociais e não os tivemos. Tínhamos apenas os tais algoritmos e não foi suficiente”, disse Toppo ao explicar a profusão de notícias falsas e boatos durante a campanha.

 

Em defesa de uma curadoria mais responsável das notícias, o americano afirmou que, quando era jovem e só havia jornais impressos, nem se preocupava em saber qual o grau de cuidado na edição do material, que tinha espaços e hierarquias bem definidos. “Como leitores, nunca pensávamos nisso, ler jornais daquela maneira era uma tradição mais que centenária.”

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Hoje a internet e, sobretudo, as redes sociais quebraram essa regra. “Se pegarmos uma reportagem qualquer e a jogamos no feed de notícias, podemos saber se a notícia é importante? Sim ou não? Sabemos o motivo de ela estar em nosso feed? Muitas vezes não sabemos nem de onde vem tal reportagem. As fake news põem as notícias fora do contexto, confundem as pessoas. E infelizmente, a maioria delas parece não ter discernimento para saber a diferença [entre uma notícia real e outra falsa]”.

 

Uma das saídas para essa arapuca, disse, é educar os leitores (e não ter medo de ir além). “Não devemos apenas mostrar às pessoas como fazemos nosso trabalho, mas podemos também pedir ajuda e contar com a colaboração dos nossos leitores.”

 

Toppo disse que conversa muito com professores e acredita que agora é o momento apropriado para ensinar educação midiática às pessoas nas escolas. “Estudantes de hoje já têm uma capacidade midiática grande, são sofisticados, podem entender e fazer política. É com essa geração que devemos nos preocupar”, afirmou.

 

Outra saída apontada durante sua palestra foi a valorização de marcas confiáveis do jornalismo. “As pessoas gostam de certas marcas de tênis, roupas, eletrônicos... confiam nelas. Precisamos construir essa relação de confiança entre o bom jornalismo e os leitores.”

 

Ponderando que mesmo os grandes e tradicionais veículos cometem erros, Toppo disse que a EWA orienta os repórteres a seguirem uma regra simples: não cometer equívocos evitáveis. “Jornalistas amam uma boa história e isso os leva a cometer erros. É uma história muito boa para ser verdade? Se sim, desconfie”, afirmou.

 

Proximidade com as escolas

 

Professor das redes pública e privada por oito anos e há quase duas décadas trabalhando como jornalista de educação, Toppo defende uma maior proximidade dos jornalistas com as escolas. Disse que a EWA bate sempre na tecla de “botar os repórteres nas ruas” para conversar com alunos, pais, professores, diretores.

 

“Você tem que sair da redação e ver o que está acontecendo. Tem que ir ver como funcionam os vouchers, por exemplo, ir à escola. Encorajamos muito isso em nossos eventos.”

 

Sobre as eventuais dificuldades práticas na aproximação com o dia a dia da educação, Toppo reconheceu que muitas escolas, professores e gestores querem distância dos jornalistas, mas isso não deve ser um obstáculo na construção de relações de confiança.

 

“Entendo o lado das escolas que não nos querem lá dentro. Mas elas precisam confiar no trabalho que estamos fazendo. Não podemos acreditar que confiarão em nós desde o início, é natural desconfiar de estranhos", disse o americano.

 

"É importante criar uma relação com professores, diretor, conselhos escolares. Pode levar meses ou anos, mas é importante. Muitos reclamam de reportagens negativas, mas precisamos ser honestos, mostrando que estamos todos trabalhando para melhorar a educação.”

 

Para Toppo, a qualidade da cobertura atual de educação deixa a desejar. Para justificar seu ponto de vista, ele afirmou que, como fã de ficção científica, sabe que muitas décadas atrás era fácil prever a popularização do automóvel, mas o mais importante era antecipar as consequências dos carros, o engarrafamento.

 

“Não acho que estamos fazendo um bom trabalho, estamos focando nos carros e não nos engarrafamentos", disse. "É fácil escrever reportagens sobre resultados e programas oficiais, mas isso não é suficiente.”

 

Educação e eleições

 

Toppo falou também sobre a cobertura da campanha eleitoral do ponto de vista da educação. Na última eleição presidencial, em 2016, disputada pela democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump, as políticas educacionais foram negligenciadas. A discussão limitou-se praticamente ao Common Core [versão mais descentralizada e enxuta da Base Nacional Comum Curricular], apoiado pela democrata e criticado pelo republicano. “Foi um debate pobre.”

 

Toppo acredita que em 2008 os americanos perderam uma grande oportunidade de aprofundarem o debate sobre educação na disputa entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain. O jornalista contou que um grupo de pessoas “bastante plural e realmente preocupado com a educação” — envolvendo entidades não lucrativas, educadores, congressistas dos dois partidos majoritários, entre outros —, produziram um documento com linhas mestras para a educação e o apresentaram aos candidatos.

 

“Eles montaram um material muito bom, com pesquisas e dados, muito bem embasado. Mas os candidatos não deram muita atenção. Talvez tenham seguido seus instintos políticos; preferiram falar de temas mais populares, que poderiam alavancar suas campanhas”, lamentou.

 

 

 

 

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