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Jeduca | Associação dos jornalistas de educação
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Adiamento do Enem pode acirrar desigualdade educacional

07/07/2020

Em webinário, participantes apontam que discrepância entre os estudantes com e sem acesso ao ensino remoto deve permanecer, independentemente da data em que o exame for realizado

Estudantes opinaram sobre data em enquete
Agência Brasil

O adiamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2020 pode aumentar as desigualdades educacionais ao invés de diminuí-las, já que os estudantes que estão tendo acesso às aulas remotas durante o isolamento social terão um tempo adicional para se preparar para o exame. Em contrapartida, os alunos da rede pública que vêm enfrentando dificuldade para acompanhar terão que recuperar os estudos, quando as aulas presenciais forem retomadas. No entanto, ainda não há perspectiva de quando isso ocorrerá.

 

Essa foi uma das conclusões do webinário “Quais os efeitos do adiamento do Enem?”, realizado pela Jeduca em 26 de junho, com Alexsandro Santos, coordenador da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo e pós-doutorando na FGV (Fundação Getúlio Vargas), Cauan Meneses, estudante  e presidente do Grêmio Estudantil da Escola Estadual de Educação Profissional Comendador Miguel Gurgel em Fortaleza (CE) e Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli e presidente da Fundação PoliSaber.

 

O adiamento do Enem 2020 foi anunciado pelo MEC (Ministério da Educação) no final de maio, em meio a uma mobilização de estudantes e organizações da área da educação e após o Senado ter aprovado um projeto de lei que previa o prorrogamento do calendário dos exames de seleção para o ensino superior em situações de calamidade pública, como é o caso da pandemia de Covid-19.

 

Em junho, o MEC (Ministério da Educação) fez uma enquete com inscritos no exame e a maior parte dos participantes votou pela realização do Enem em maio de 2021 - o que afeta o calendário das instituições de ensino superior, já que os aprovados no Enem 2020 só ingressariam no segundo semestre do ano que vem. A maior parte dos participantes, 49% dos cerca de 1,1 milhão que participaram votaram pela realização da prova em maio de 2021.

Além do estudantes, também foram ouvidos representantes das instituições de ensino e de entidades da área da educação que são contrárias à realização do Enem em maio, porque inviabilizaria o ingresso de novos estudantes no primeiro semestre de 2021.

 

Desde que as aulas presenciais foram suspensas em março, por causa da pandemia, as desigualdades de acesso ao ensino remoto e seus impactos, sobretudo para os estudantes da rede pública têm sido um dos temas centrais do debate na área da educação. Essas desigualdades afetam especialmente os candidatos do Enem, pois o exame é a principal porta de entrada para o ensino superior.

 

Por causa das dificuldades para estudar durante o isolamento social, muitos candidatos podem desistir de fazer o exame este ano: estes são 49%, segundo a pesquisa Juventudes e Coronavírus, que ouviu 33 mil jovens.

 

Entre os principais pontos debatidos durante o webinário e que podem ser relevantes para a cobertura destacam-se:

 

Acolhimento dos estudantes

A oferta de atividades interdisciplinares e de acolhimento são tão relevantes quanto a transmissão de conteúdos durante essa fase de ensino remoto. Por causa do impacto emocional e psicológico da pandemia e do isolamento social, esse tipo de ação pode ajudar os estudantes a lidarem melhor com a situação, além de fortalecer o vínculo com os estudos. Essas práticas também devem fazer parte das atividades escolares, quando houver a retomada das aulas presenciais.

 

Recuperação da aprendizagem

Na opinião dos participantes, quando ocorrer a retomada das aulas presenciais, um dos principais focos das escolas deve ser a recuperação dos déficits de aprendizagem, especialmente dos estudantes que tiveram dificuldade de acesso ao ensino remoto. Sem isso, o risco de aumento das desigualdades pode se intensificar, com prejuízo para os mais excluídos.

 

Alternativas para o ingresso no ensino superior

Um dos temas discutidos no webinário foi a possibilidade de se pensar alternativas ao Enem em 2020, em função dos efeitos da pandemia sobre o calendário letivo. Para os participantes, o Brasil possui competência técnica para desenvolver um processo de seleção alternativo ao Enem, capaz de reduzir o impacto das desigualdades acentuadas durante a pandemia.

 

Manter o diálogo

A busca de soluções consensuadas, com base no diálogo entre estudantes, instituições de ensino e governo, é uma necessidade do momento e pode abrir caminho para soluções que reduzam o impacto das desigualdades entre os participantes do Enem 2020.

 

Assista ao webinário na íntegra:

 

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