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Jeduca | Associação dos jornalistas de educação
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Continuidade da política influi mais que método na alfabetização

29/08/2019

Professoras de Sobral (CE) e Lagoa Santa (MG), redes de ensino com perfis diferentes e bom desempenho no Ideb, analisam fatores que favorecem a aprendizagem das crianças durante o 3.º congresso da Jeduca

Professoras relataram suas experiências em sala de aula
Alice Vergueiro/Jeduca

Em meio ao debate sobre a Política Nacional de Alfabetização do governo Bolsonaro, que prioriza o método fônico, duas professoras de redes municipais com trajetórias distintas e bom desempenho no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) ressaltam que a continuidade dos programas é mais relevante do que o método para o sucesso da alfabetização de crianças.

 

 “O melhor método é aquele com que a criança aprende. Essa discussão não é a principal para garantir o êxito na alfabetização”, afirmou Ticiane Silva, professora e diretora de um centro de educação infantil em Sobral (CE) durante a mesa “Alfabetização na prática: como trabalham os professores”, mediada pela jornalista Ana Carolina Moreno, do G1, durante o 3.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca, realizado em agosto.

 

Em 2017, a rede municipal de Sobral alcançou 9,1 - média mais alta do país para os anos iniciais do ensino fundamental. Segundo ela, o município não adota uma única metodologia para ensinar os alunos e alunas a ler e a escrever “Não tem como dizer que usamos um só método. Além disso, o professor precisa ter autonomia na escolha. É preciso focar no que é essencial: formação docente e política pública de qualidade”, completou.

 

Mirlene Barcelos, professora alfabetizadora em Lagoa Santa (MG) tem opinião parecida. O Ideb do município mineiro em 2017 foi de 6,4. Segundo a professora, a rede municipal de Lagoa Santa também não utiliza apenas uma metodologia nos anos iniciais do ensino fundamental, mas sim “procedimentos diferenciados”. “Não é impondo uma visão que vamos conseguir resultados melhores. As coisas não podem acontecer de cima pata baixo, é preciso conhecer a realidade da escola”, pontuou ela, que atua na mesma escola há 28 anos.

 

Continuidade

Para as professoras, o diferencial para uma política pública de alfabetização funcionar é a permanência dos projetos mesmo com as sucessivas trocas de comando e de partidos nas prefeituras. “[A continuidade] É fruto de uma decisão política, e essa decisão em rede faz toda a diferença para o professor, porque ele percebe que não está sozinho: tem manutenção e apoio”, explicou Ticiane. Ela destacou que a rede de Sobral funciona em um tripé com ações que visam fortalecer a gestão escolar, reforçar a ação pedagógica e valorar o magistério, “sem deixar nenhum aluno para trás”.

 

A rede municipal de Lagoa Santa, por sua vez, conta com o apoio de Magda Soares, uma das maiores referências acadêmicas em alfabetização e letramento no Brasil, que atual como uma espécie de mentora das ações pedagógicas. “Mostramos para os pais a diferença entre diagnóstico e avaliação – ou seja, mostramos o que o aluno precisa aprender”, contou Mirlene.

 

BNCC

Além da alfabetização, outra política pública nacional e amplamente debatida nos últimos anos na educação brasileira foi tema de debate no congresso da Jeduca: a implementação da BNCC (Base Nacional Curricular Comum) do ensino médio. Como pontuou o secretário de Educação de Pernambuco, Fred Amâncio, o ensino médio e a Base são discussões diferentes, mas que têm interfaces. “A BNCC é uma oportunidade de repensar a educação no Brasil. Vários sistemas educacionais do mundo fizeram essa discussão. O ensino médio não é atrativo e precisa ser repensado como um todo”, disse.

 

A mesa, mediada pelo jornalista e consultor Paulo de Camargo, contou ainda com a presença de Adriana de Cássia Moreira, professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. José Dias da Silveira, de São Paulo; e Katia Stocco Smole, diretora do Instituto Reúna e do grupo Mathema.

 

Para Adriana, o currículo deve ser vinculado à realidade local, ao território, e pautadas por uma gestão democrática. Nessa medida, ela questiona ações baseadas em propostas e práticas padronizadas para uma rede ensino. Katia, em contrapartida, admite a relevância de se incluir no currículo temas e questões vinculados à realidade na qual a escola se insere. Ao mesmo tempo, ela enfatiza a relevância de o currículo enfocar “aquilo que todo mundo tem que apresender: português, matemática, ciências”.

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