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Jeduca | Associação dos jornalistas de educação
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Debates enfocam impacto da crise sanitária na imprensa e educação

20/10/2020

Mesas de abertura do 4.º Congresso da Jeduca abordaram efeitos da pandemia de Covid-19

Os impactos da crise sanitária desencadeada pela pandemia de Covid-19 sobre o jornalismo, as medidas adotadas pelos estados e municípios para dar conta do ensino remoto e as perspectivas para 2021 na educação foram temas das mesas do primeiro dia do 4.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca.

 

O evento, que aconteceu de 19 a 23 de outubro de 2020, foi online e gratuito. A programação completa pode ser conferida aqui e, até dia 23 de novembro, caso ainda não tenha feito inscrição, ainda dá para se inscrever para assistir às mesas aqui. Caso tenha feito inscrição, basta entrar no site com o login e a senha cadastrados. 

 

Abertura: negacionismo, desinformação e jornalismo

 A imprensa cumpriu seu papel de trazer informações claras sobre o coronavírus, mesmo quando ainda havia poucos dados sobre a Covid-19. Porém, apesar do empenho de profissionais e empresas de comunicação no enfrentamento da pandemia, foram vários os percalços enfrentados por essa cobertura – os quais, na verdade, remetem a dificuldades que veículos e repórteres enfrentam desde o início do governo Bolsonaro.

 

Este foi o eixo dos do debate da mesa de abertura do 4.º Congresso da Jeduca, “A credibilidade do jornalismo em tempos de coronavírus”, com mediação do jornalista Fabio Takahashi (Folha e presidente da Jeduca) e participação de Cristina Tardáguila (IFCN e Lupa), Flavia Lima (Folha) e Fernando de Barros e Silva (Foro de Teresina - Piauí).

                 

“Houve um esforço genuíno e didático para falar sobre as formas de transmissão da doença, as condições de trabalho dos profissionais de saúde e dos hospitais, e também sobre o drama das pessoas”, destacou Flavia Lima, lembrando que muitos repórteres acabam se expondo ao vírus durante pautas externas.

 

A boa cobertura também foi exemplificada pelo consórcio formado pelos maiores veículos de comunicação do País, com o objetivo de divulgar os números corretos de vítimas e casos. Para Fernando de Barros e Silva, essa foi uma maneira do jornalismo ocupar o vácuo deixado pelo governo federal na crise. “O Jornal Nacional funcionou como uma espécie de Ministério da Saúde nos primeiros meses da pandemia”, disse.

 

Bolsonaro e as fake news

O aumento no volume de mentiras que passaram a circular nas redes sociais sobre o coronavírus foi, segundo Cristina Tardáguila, outra forma de mostrar como o bom jornalismo pode sair fortalecido desse cenário. “A Covid-19 deu um empurrão enorme para o universo do fact-checking. Ficou claro que não é algo só do universo político, pois foi indispensável na pandemia, chamando a atenção das grandes plataformas digitais, como o Facebook”, lembrou.

 

O jornalismo declaratório, prática recorrente no hard news, foi citado como uma dessas armadilhas, especialmente quando governantes são fonte desinformação. “A imprensa não aprendeu a lidar com esse tipo de líder. Os jornais têm dificuldade de chamar mentira pelo nome”, ressaltou Flavia.

 

Fernando Barros e Silva lembrou que o momento é grave não só por uma questão de saúde pública, mas pelas ameaças à democracia brasileira. “Estamos caminhando para uma certa debilidade, com dificuldades econômicas que impactam trabalho das redações, somadas a um contexto de desinformação nas plataformas digitais”, afirmou

 

Para ele, se não houvesse o coronavírus, talvez o jornalismo fosse menos antagônico ao governo Bolsonaro: “A pandemia deu uma boa razão, uma oportunidade incontornável de confrontar o governo” disse.

 

Novos modelos

Embora o enfrentamento desse contexto de desinformação, negacionismo e enfraquecimento da democracia seja bastante complexo, os jornalistas defenderam que o jornalismo crítico deve ser reforçado e procurar novas formas de se fazer valer em meio à população.

 

Entrevista com secretários: impactos da falta de coordenação nacional

Escolas fechadas, alunos em casa e professores sobrecarregados em um cenário de desigualdades sociais profundas agravadas por uma crise sanitária. Os efeitos da pandemia de Covid-10 no sistema de ensino brasileiro ainda são difíceis de dimensionar e as sensações de temor e incerteza ainda foram pioradas por uma questão sistêmica: a falta de uma coordenação nacional por parte do Ministério da Educação (MEC), que se privou de orientar escolas, educadores e gestores.

 

Essa é a opinião de alguns secretários de educação convidados para participar da segunda mesa do congresso, “Jeduca entrevista: secretários estaduais e municipais falam sobre educação na pandemia”. A discussão foi mediada pela jornalista Renata Cafardo (Estadão e vice-presidente da Jeduca) e contou com a presença de Rossieli Soares (São Paulo), Getúlio Ferreira (Rio Grande do Norte), Renato Feder (Paraná), Kátia Schweickardt (Manaus-AM) e Elza Ortelhado (Campo Grande-MS), que relataram alguns dos desafios das redes que comandam.

 

“O MEC poderia ter sido uma grande liderança. Estaríamos em uma situação diferente hoje”, afirmou Getúlio Ferreira, secretário do Rio Grande do Norte.

 

Katia Schweickardt destacou que, com as eleições municipais, muitas cidades trocarão de prefeitos e secretários, o que tem impacto direto na gestão da pandemia e da volta às aulas (ou da manutenção do ensino remoto). É preciso, portanto, que o ministério tome a dianteira das orientações de transição para não prejudicar ainda mais as crianças e jovens.

 

“Precisamos de uma coordenação nacional para os municípios que estão começando novas gestões, com novos prefeitos e novos secretários. O Brasil não pode carecer disso. A gente fez muito mais do que a gente conseguiria”, ressaltou Katia, secretária de educação de Manaus.

 

Para Renato Feder, que recusou o cargo de ministro da educação recentemente por estar “focado na gestão do Paraná”, o MEC pode ajudar na coleta e estruturação de boas práticas que podem ser replicadas pelo País, numa postura menos crítica que a dos outros participantes.

 

Regime de colaboração e tecnologias

A relação entre estados e municípios foi bastante abordada pelos secretários, uma vez que existem casos em que a rede estadual já reabriu as escolas, enquanto algumas cidades têm mantido as unidades fechadas. Esse “desencontro” entre as administrações municipais e estadual tem acontecido em diversos pontos do país – é o caso do Amazonas e São Paulo, por exemplo. Segundo Rossieli Soares, algumas cidades paulistas não permitiram a reabertura das escolas, mesmo com o estado tendo retomado as atividades presenciais no início de setembro.

 

De acordo com o secretário, neste momento há 904 escolas estaduais abertas no estado, de um universo de cerca de 5 mil unidades. Mais colégios devem abrir nas próximas semanas. “Ainda não tivemos nenhum caso entre alunos desde o retorno das aulas, em 8 de setembro. Estamos mantendo a guarda elevada”, afirmou.

 

O acesso desigual a dispositivos eletrônicos e internet para o acompanhamento das aulas também foi tema de discussão. “Temos algumas escolas abertas agora para serem ponto de suporte físico para alunos que não têm celular e televisão. Eles agendam a ida à escola para terem esse apoio”, disse Katia, destacando as dificuldades de muitas famílias. Segundo ela, o mesmo ocorre para professores com dificuldades de tecnologia: eles podem recorrer presencialmente às unidades para isso.

 

Só em 2021

Algumas redes, no entanto, alegam que o retorno às aulas presenciais ocorrera apenas no ano que vem, dado o contexto de dúvidas sobre uma nova onda e a chegada de uma vacina. “O direito principal é direito a vida e ainda não tivemos segurança para fazer essa volta”, disse Getúlio Ferreira, alegando que o Rio Grande do Norte ainda tem muitos casos de contaminação.

 

Campo Grande também deve seguir com as unidades de ensino fechadas. “Vamos concluir o ano letivo com ensino remoto. O retorno será em fevereiro de 2021”, afirmou Elza Ortelhado. Segundo ela, a busca ativa é fundamental nesse contexto para as escolas e os educadores terem informações sobre o bem-estar dos alunos.

 

Há uma atenção especial para os estudantes com deficiência, que enfrentam dificuldades ainda maiores para aprenderem em casa. “Fizemos adaptação de conteúdo para esses estudantes e fomos atrás deles, ligando para as casas ou acessando-os por meio das redes sociais”, afirmou.

 

Assista ao resumo da mesa com secretários de educação:

 

 

O 4.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação tem o patrocínio da Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Unibanco, Itaú Social, Itaú Educação e Trabalho, e apoio do Colégio Rio Branco e Loures Consultoria.

 

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