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Jeduca | Associação dos jornalistas de educação
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Jornalismo declaratório deve ser revisto pelas redações

19/08/2019

Na mesa de abertura do congresso da Jeduca, debate concentrou-se nas alternativas possíveis para a imprensa lidar com um cenário hostil aos jornalistas e veículos

Mesa de abertura do congresso
Alice Vergueiro/Jeduca

Acompanhar a agenda política e reproduzir os discursos de deputados, senadores, ministros e do presidente da República, prática tão comum no jornalismo, não faz mais sentido em um contexto de polarização política e desinformação como o que se vive no Brasil de hoje. O jornalismo declaratório foi alvo de crítica durante a mesa “O novo ambiente do jornalismo”, que abriu o 3.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca, que começou nesta segunda-feira (19/8) em São Paulo.

 

Os jornalistas José Roberto de Toledo, editor-executivo do site da revista piauí, e Paula Cesarino Costa, editora de Diversidade da Folha de S. Paulo, debateram a importância de se rever essa prática nas redações, tendo em vista o cenário hostil aos profissionais e veículos de imprensa presente no discurso de atores políticos. A mesa contou com mediação do jornalista Antônio Gois, presidente da Jeduca e colunista de educação do jornal O Globo, que lembrou que a disseminação de informações falsas e os ataques à imprensa não são novidade – mas parecem ter se intensificado no atual contexto sociopolítico brasileiro.

 

“Não estamos em guerra. O que governos como o de Trump e Bolsonaro querem é justamente colocar a imprensa dentro da guerra, como alvo dela, em vez deixá-la cobrir o conflito. E, se deixarmos, vamos virar sim parte da guerra”, ponderou Toledo. Segundo ele, a partir do momento em que as redes sociais catalisaram um processo de “desintermediação” da comunicação entre o poder e o público, o jornalismo perdeu a prerrogativa da comunicação direta e a primazia da agenda.

 

Ou seja: para o jornalista é um equívoco da imprensa concentrar-se na reprodução e na repercussão das declarações dos políticos. “Precisamos retomar algum protagonismo nessa produção e nos concentrarmos mais no que os políticos fazem do que no que eles dizem”, disse Toledo.

 

Animosidade crescente

Paula, que foi ombusdman da Folha durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), disse perceber uma mudança no grau de hostilidade ao trabalho da imprensa. “Nesses oito meses de governo Bolsonaro houve uma mudança grande. Antes, havia um respeito ao trabalho do jornalista; hoje vemos posturas questionáveis”, afirmou. Segundo ela, a imprensa deve ter também a “coragem de não publicar” certas declarações presidenciais. “Não é uma decisão simples porque [a declaração] é informação, é clique. Hoje, o Bolsonaro é o maior pauteiro do Brasil, sem dúvida. Cabe aos jornais se arriscarem, ousarem, fazerem novas tentativas”, ressaltou a editora.

 

“O governo Bolsonaro é obsessivo com a relação com a imprensa. Há um grau de ataque com que ainda não aprendemos a lidar. Quais as posturas que os jornais devem que ter quanto às declarações de governantes? Emprenhar-se na neutralidade ou declarar os preconceitos e mostrar de onde vêm?”, questiona.

 

Credibilidade com visibilidade

Como caminhos possíveis para resgatar a confiança da audiência no jornalismo, os profissionais apontam os novos formatos de mídia – caso dos podcasts, que vivem uma espécie de boom no país: uma pesquisa recente do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística) aponta que 40% dos internautas brasileiros afirmam já ter ouvido um.

 

“É possível manter a atenção do público por mais de um minuto e meio, que é o tempo médio que o leitor fica em uma matéria em um site de notícias. Existe um tempo morto que você consegue ‘emprenhar’ a pessoa pelo ouvido”, comparou ao citar o podcast produzido pela revista piauí, o Foro de Teresina, destacando que esse tipo de mídia alcança novos públicos.

 

A especialização dos repórteres, com conhecimento aprofundado sobre os temas que cobrem, também aparece como alternativa para reforçar a credibilidade da imprensa, o que, ao mesmo tempo, é um grande desafio se levado em conta o contexto enxugamento das redações. “É decisivo e necessário investir em especialização, mas precisamos de especialistas com capacidade de serem generalistas. Hoje, os melhores profissionais são aqueles que tem uma especialização e que conseguem questionar e rebater um político ou um especialista. Não há como só falar de saúde, por exemplo”, ponderou a editora da Folha, que ainda destacou a importância de se diversificar as fontes como maneira de se restaurar a confiança no jornalismo.

 

Sobre o congresso

O 3.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca acontece nos dias 19 e 20 de agosto no Colégio Rio Branco, em São Paulo. Nos dois dias, ocorrem palestras e oficinas sobre os desafios do jornalismo na era da desinformação. O evento conta com patrocínio master de Fundação Lemann, Fundação Telefônica, Vivo, Instituto Unibanco, Itaú BBA, Itaú Social; patrocínio da Editora Moderna e do Google News Initiative, e apoio da Columbia Journalism School, Abraji, Colégio Rio Branco, Instituto Palavra Aberta, Portal Imprensa, Canal Futura, Fiquem Sabendo, Consulado Geral dos Estados Unidos da América, Loures Comunicação e Volt Data Lab.

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