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Jeduca | Associação dos jornalistas de educação
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Miniguia reúne pontos de atenção para a cobertura do Ideb 2019

14/09/2020

Cuidado com as comparações e análise da série histórica são alguns aspectos aos quais os jornalistas devem ficar atentos

Nas etapas mais avançadas da educação básica, o Ideb tende a ficar mais distante das metas
Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Jeduca produziu este miniguia de cobertura para apoiar os jornalistas que estão na cobertura do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) 2019, que será apresentado pelo MEC (Ministério da Educação) nesta terça-feira, 15 de setembro. Confira a seguir algumas orientações e dicas de enfoques para pautas.

 

O que é o Ideb

O Ideb (índice de Desenvolvimento da Educação Básica) foi criado em 2007 pelo Ministério da Educação, para medir a qualidade do ensino fundamental e do ensino médio.

 

 A composição do Ideb

O indicador é composto por dois tipos de dados: aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar, e desempenho dos estudantes no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) em língua portuguesa e matemática.

 

O Ideb é calculado de modo a equilibrar aprovação e desempenho, então o peso de um afeta o outro. Ou seja, para atingir um bom Ideb, é preciso ter bons resultados tanto na aprendizagem (desempenho no Saeb) quanto nas taxas de aprovação.

 

Como resultado do cálculo, é obtido um valor de 0 a 10.

 

O indicador de aprovação é obtido pelo percentual de alunos que foram aprovados ao longo da etapa (Fundamental 1, Fundamental 2 ou ensino médio). Quanto maior a taxa de aprovação, menor é a proporção de estudantes que foram reprovados ou abandonaram os estudos. 

 

O indicador de desempenho é calculado a partir de testes padronizados de língua portuguesa e matemática, as únicas duas disciplinas avaliadas até agora pelo Saeb. Os resultados desses testes são apresentados numa escala que varia de zero a 500 pontos. Para interpretá-la corretamente, um documento de referência é a escala de proficiência que consta neste link no site do Inep. Lá, para cada ano e para cada prova, é possível ter uma descrição do que significa uma nota nessa escala em termos de aprendizado esperado em cada disciplina. O Inep não costuma definir qual patamar é considerado adequado para cada nível. Muitos estudos usam a escala de interpretação do Movimento Todos Pela Educação, mas é importante frisar que não se trata da classificação oficial do MEC.

 

Abrangência do Ideb

Com base no resultado do Ideb é possível obter um retrato da qualidade da educação por diferentes perspectivas.

 

- Abrangência geográfica: município, estado/DF, região e Brasil.

 

- Dependência administrativa: redes municipal, estadual, federal e privada.

 

- Tipo de rede: pública e privada.

 

- Por escola.

 

Importante: os resultados são divulgados por etapas: ensino fundamental anos iniciais (1.º ao 5.º ano), ensino fundamental anos finais (6.º ao 9.º ano) e ensino médio. No guia da Jeduca sobre o Ideb, lançado em 2018, é explicado como é feito o cálculo por etapa.

 

As metas do Ideb

Quando o Ideb foi criado, foram calculadas metas a cada dois anos para o Brasil, estados/DF, municípios e escolas entre 2005 e 2021.

 

A escolha do ano 2021 como fechamento do o ciclo do Ideb tem um sentido simbólico: assegurar que o Brasil atinja uma educação de qualidade no ano em que se comemora o bicentenário da Independência, 2022.

 

As metas funcionam como parâmetros para medir o ritmo da evolução da qualidade da educação. A ideia é que a progressão ocorra gradualmente. É por isso que se fala, por exemplo, que um município está acima ou abaixo do Ideb.

 

A referência o cálculo das metas é a qualidade da educação dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), segundo os resultados Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).  

 

Com base nesses cálculos foi estabelecida a meta 6 para o Brasil, no ensino fundamental anos iniciais, a ser atingida em 2021, quando termina o ciclo do Ideb. 

 

A meta nacional é a base de todo o cálculo das metas intermediárias do Ideb para o Brasil, estados/DF, municípios e escolas.  O conceito por trás das metas, é que o esforço de cada um vai permitir que o país atinja a meta em 2021.

 

Leia mais sobre o cálculo das metas no guia da Jeduca sobre o Ideb e no site do Inep.

 

A série histórica do Ideb

A cada dois anos, o Ideb fornece uma fotografia da qualidade de educação em cada um dos níveis e dimensões avaliadas.

 

O conjunto dos resultados, desde o início da série, é como se fosse um filme, que permite saber como está o ritmo de evolução e as características dessa evolução, tomando como referência as metas e os dados de aprendizagem.

 

Esta é uma chave importante de leitura e análise do Ideb, já que através do desempenho nas edições anteriores é possível ter uma visão ampliada do comportamento de uma rede de ensino, de uma escola ou um estado, por exemplo.

 

O Ideb de um ano, tomado de maneira isolada, não informa muito sobre a situação da escola, rede, município ou estado.

 

O último Ideb, com resultados de 2017, foi divulgado em 2018. O press kit do Inep com os resultados de 2017 pode ser útil na preparação para a cobertura do Ideb 2019.

 

Alguns resultados (total, incluindo todas as redes) - 2017

Ensino fundamental anos iniciais - Brasil

Ideb 2005: 3,8

Meta 2021: 6,0

Ideb 2017: 5,8

Meta 2017: 5,5

 

Ensino fundamental anos finais - Brasil

Ideb 2005: 3,5

Meta 2021: 5,5

Ideb 2017: 4,7

Meta 2017: 5,0

 

Ensino médio – Brasil

Ideb 2005: 3,4

Meta 2021: 5,2

Ideb 2017: 3,8

Meta 2017: 4,7

 

Esses resultados revelam alguns pontos relevantes para compreender as características e os desafios da educação básica:

 

- O ensino fundamental anos iniciais é a etapa que mais tem avançado ao longo do tempo. Em 2017, foi a única etapa que obteve Ideb acima da média projetada para o ano.

 

- Estar abaixo da média, como ocorreu com o ensino fundamental anos final e o ensino médio em 2017, significa que o avanço da aprendizagem e da aprovação estão aquém do ritmo projetado. Isso é um sinal de alerta.

 

Análises aprofundadas sobre o Ideb entre 2005 e 2017 podem ser encontradas neste relatório do Inep.

 

Saiu o resultado e agora? O que fazer com os números?

- Um caminho de análise e comparar o Ideb do ano com os anteriores para ver se houve avanço ou não, se há mudança significativa ao longo do tempo.

 

- É possível identificar qual fator pesou mais no resultado – aprendizagem ou aprovação. Também é possível acompanhar a evolução desses fatores ao longo do tempo.

 

- A média (do estado/DF, do município, do país etc.) oculta uma diversidade de situações. Num estado é possível que existam municípios com Ideb maior ou menor do que a média estadual. É preciso estar atento a isso.

 

- Se o objetivo for analisar o desempenho de determinada rede, é importante filtrar os resultados por rede municipal, estadual, privada, federal ou pública. Como a maioria das matrículas até o 5o ano do fundamental está em municípios, o mais apropriado ao avaliar o desempenho de um governo municipal é filtrar por rede municipal. No caso do 9o ano do fundamental, a proporção de matrículas entre redes estaduais e municipais varia muito por Estado. Já no Ensino Médio, as matrículas públicas estão concentradas majoritariamente na rede estadual. 

 

- A rede federal costuma ter resultados melhores do que à média de escolas estaduais e municipais, mas é preciso ter em mente que ela representa menos de 1% da matrícula na educação básica e atende alunos de maior nível socioeconômico.

 

- O mesmo cuidado vale para os resultados da rede privada. O tamanho dela varia em cada Estado, e trata-se de um grupo de escolas que atende alunos de maior nível socioeconômico, o que dá a elas uma vantagem na comparação com as públicas que nada tem a ver com o trabalho feito em sala de aula. 

 

- Até o Ideb de 2017, o Inep não incluiu no cálculo do Ideb as notas de escolas técnicas vinculadas às redes de ensino médio, o que gerou críticas de governadores que apostaram no crescimento desta modalidade. Caso neste ano o Inep inclua essas escolas no cálculo do Ideb, é provável que redes que tenham um número significativo de escolas técnicas registrem alguma melhora no indicador. Neste cenário, ao comparar a evolução com outros anos, é importante saber se as escolas técnicas foram incluídas ou não na série histórica.

 

- Para entender mais a fundo a situação de um estado, por exemplo, é interessante identificar quantos municípios estão abaixo ou acima da média. Vale tentar perceber algum padrão entre eles. No caso dos municípios, ou de uma rede (por exemplo, uma rede municipal), vale verificar quantas escolas estão abaixo ou acima da média da rede, onde elas se localizam, qual o perfil socioeconômico da região onde se situam,

 

- As comparações devem ser feitas com cuidado. O melhor é sempre comparar um estado (ou município, ou escola etc.) com ele mesmo ao longo do tempo, ou identificando um fator que impulsionou a melhora ou piora (por exemplo, se melhorou na aprendizagem ou na aprovação).

 

- Se fizer comparações, procure contextualizar, levando em conta aspectos comuns (condições socioeconômicas, tamanho, condições de oferta de ensino) e faça comparações entre semelhantes. Por exemplo, comparar o Ideb da rede pública e privada, sem considerar a realidade de cada uma, diz pouco sobre a qualidade do trabalho feito nas escolas.

 

- Essa contextualização pode ser feita consultado alguns dados que o Inep deixa público em seu site, na seção indicadores educacionais. Lá é possível ver, por escolas, município, estado/DF, regiões e Brasil indicadores como o número de alunos por turma, a complexidade da gestão da escola, nível socioeconômico dos alunos, entre outros.  

 

- Em toda divulgação do Ideb, a tendência é procurar identificar os extremos – os Idebs mais baixos e mais altos. Novamente, é importante aprofundar e tentar compreender as condições que levaram a tal desempenho. Os extremos, especialmente quando se trata de escolas ou redes pequenas, estão mais sujeitos à oscilação. Como o Ideb possui uma série histórica desde 2005, é possível identificar se algum resultado extraordinário é fruto de uma tendência consolidada ou de movimentos erráticos. Veja aqui um texto da Jeduca sobre esse cuidado.

 

- De maneira geral, o aumento tende a ser maior para escolas, redes etc. que têm Ideb baixo. Isso é explicado por que, nesses casos, medidas simples de gestão, aprendizagem ou organização da escola produzem um grande impacto. Conforme o Ideb se situa nas faixas mais elevadas, os avanços tendem a ser mais lentos.

 

- Ainda que jornais tenham o costume de apresentar os resultados em formatos de ranking, é preciso ter em mente de que uma parcela significativa de especialistas em educação rejeita esse tipo de comparação, por razões expostas acima e de outras natureza. É importante buscar uma diversidade de olhares, inclusive daqueles que são críticos à maneira como os resultados do Ideb são utilizados ou de sua capacidade de ser um bom indicador da qualidade do ensino numa escola, rede ou no país.

 

Alguns textos e guias da Jeduca que podem contribuir e aprofundar essa reflexão:

Guia da Jeduca sobre o Ideb: https://jeduca.org.br/texto/guia-explica-tudo-sobre-o-ideb

 

Texto de Reynaldo Fernandes, criador do Ideb: https://jeduca.org.br/texto/o-risco-que-a-imprensa-corre-ao-procurar-novidades-no-ideb

 

Mesa no 1.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação com críticas à limitação dos indicadores: https://jeduca.org.br/texto/debate-aborda-limitacoes-de-indicadores-da-educacao-basica

 

Textos que abordam limitações de avaliações da qualidade do ensino:

https://jeduca.org.br/texto/cuidado-com-os-extremos-no-ideb-licoes-de-sao-paulo-e-do-parana

https://jeduca.org.br/texto/conheca-avaliacoes-como-enem-e-pisa-e-algumas-armadilhas

https://jeduca.org.br/texto/a-educacao-alem-das-provas

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