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Reprodução TV Globo

Agressão a professor reaviva cobertura sobre violência em escolas

Vídeo que registrou ameaças e agressões verbais a Thiago dos Santos Conceição, que tentava aplicar prova em Ciep de Rio das Ostras (RJ), teve repercussão ampla

10/10/2018
Marta Avancini

A violência na escola, mais especificamente contra professores, é um tema que sempre ganha espaço no noticiário quando ocorre uma situação extrema. O caso mais recente foi o do professor Thiago dos Santos Conceição, que sofreu agressões verbais e ameaças por parte de seis estudantes do Ciep (Centro Integrado de Escola Pública) Mestre Marçal, em Rio das Ostras (RJ), quando tentava aplicar uma prova.

 

O caso ocorreu no dia 18 de setembro e ganhou ampla repercussão depois que um vídeo registrando as agressões circulou na internet, atraindo a atenção de vários veículos de comunicação, como o jornal O Estado de S.Paulo e a TV Globo – que abriu espaço para a história em telejornais e no Fantástico.

 

Além de registrar os ataques, a mídia deu destaque para a história de vida do professor e para suas opiniões sobre o episódio. Conceição contou que já havia sido vítima de agressões outras vezes e que buscara apoio, sem sucesso, da direção da escola e da Secretaria da Educação, como declarou em entrevista ao Estadão, reproduzida em veículos como o Correio do Povo, de Porto Alegre.

 

O Fantástico fez uma matéria extensa, na abertura do programa do dia 23 de setembro, na qual colocou o professor e os estudantes frente a frente.

 

Pensando a cobertura

 

Uma questão que surge quando casos de violência na escola tornam-se notícia é: em que medida eles são noticia de educação ou de polícia?

 

Esse é um limiar delicado, pois tais episódios envolvem diversas dimensões – se há crime, é necessário que as medidas cabíveis sejam tomadas. Ao mesmo tempo, é preciso voltar-se às questões da educação e da escola, tendo em vista compreender e analisar motivações e dinâmicas envolvidas nos casos de violência.

 

Neste caso, algumas matérias, em especial do G1, foram nessa direção, apontando a naturalização da violência escolar no Brasil ou denunciando a elevada incidência de agressões a professores no país.

 

Outras apresentaram dados sobre afastamento de professores em virtude de violências sofridas, como se constata nas matérias publicadas no R7 e no site Rio das Ostras Jornal.

  

Além da contextualização, já existe uma ampla literatura que aporta contribuições baseadas em resultados de pesquisa para aprofundar o debate sobre a violência escolar.

 

Entre elas, vale destacar os estudos sobre clima escolar, que apontam para a importância e o impacto da boa convivência na escola não apenas para as relações sociais, mas para a aprendizagem e rendimento dos alunos, ao lado do desenvolvimento socioemocional.

 

É o que demonstram trabalhos coordenados por Telma Vinha (Universidade Estadual de Campinas) e Alessandra de Morais (Universidade Estadual Paulista – Marília). De acordo com as pesquisadoras, a frequência e a intensidade das “incivilidades” pode romper com o sentido de apoio coletivo e comunitário, desencadeando estresse, insucesso e evasão escolar, além do aumento do sentimento de insegurança.

 

Os estudos comandados por Miriam Abramovay (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) chamam a atenção para as violências produzidas pela própria escola – ou seja, a escola não é apenas um campo onde são reproduzidas violências geradas fora dela; diferentemente, existem dinâmicas que se dão dentro dela, capazes de desencadear diversos tipos de manifestação de violência (clique aqui para ler um dos trabalhos).

 

A pesquisadora também enfoca a importância de se analisar as questões da violência escolar a partir da percepção do adolescente e do jovem sobre a escola e o ambiente escolar.

 

Na mesma direção, Debora Cristina Fonseca (Universidade Estadual Paulista – Rio Claro) analisa a violência escolar na interface com dinâmicas escolares que promovem a exclusão do aluno, resultando em fenômenos como a reprovação, abandono e evasão escolar (clique aqui para assistir a entrevista com a pesquisadora).

 

Para ir além do registro dos fatos e da justa indignação que o episódio desperta, é preciso que os jornalistas ampliem seu olhar para a pauta, tentando entender como as dinâmicas dentro e fora da escola podem agravar ou amenizar a violência e os conflitos presentes em nossa sociedade. Dessa forma, a cobertura se aproxima mais da educação e se afasta do noticiário de polícia.

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