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Bastidores de reportagens de educação no Congresso da Jeduca

Novidade da programação, jornalistas apresentaram bastidores de matérias sobre desigualdades educacionais, estudantes imigrantes, climatização de escolas e alunos 60 mais na universidade

29/10/2026
Redação Jeduca

Com colaboração de Bianca Candido, Maria Luiza Negrão e Letícia de Aquino da Jornalismo Júnior*


A apresentação de bastidores de reportagens de educação foi uma das novidades da programação do
10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca, realizado nos dias 22 e 23 de setembro, em São Paulo. As reportagens foram publicadas entre janeiro de 2025 e julho de 2026.

 

Os jornalistas foram selecionados entre 49 inscritos pela diretoria da Jeduca, com base em critérios como originalidade, relevância do trabalho e diversidade. Cada um teve 10 minutos para apresentar os bastidores de suas apurações, trazendo curiosidades e desafios da apuração dos temas.

Desigualdades educacionais

Marcelo Moreira, repórter da TV Mirante, compartilhou os bastidores da apuração da reportagem que buscou mostrar como a estrutura das escolas pode revelar desigualdades da educação brasileira, exibida pelo Jornal Hoje em setembro de 2025, sobre as desigualdades nas condições de infraestrutura de escolas no Maranhão, Roraima, Amapá, Amazonas e São Paulo.

A produção combinou imagens, entrevistas com estudantes, familiares e funcionários de escolas e dados, documentando problemas como falta d’água e saneamento básico, prédios precários e dificuldades de transporte. 

O trabalho contou com a colaboração de jornalistas de diferentes estados, que contribuíram para identificar situações locais e ampliar a repercussão das denúncias em rede nacional.

A reportagem mostrou como a precariedade da infraestrutura afeta a aprendizagem e pode contribuir para a evasão escolar. “A educação básica é o alicerce da trajetória educacional”, destacou Moreira. Para o jornalista, as desigualdades evidenciadas pela apuração também provocam reflexão: “Essa reportagem sempre representa um choque para quem pensa que a educação é igual para todos”.

Confira a reportagem aqui. E sua apresentação completa abaixo.




Acolhimento de alunos imigrantes

Matheus Santino, repórter da Agência Mural, compartilhou os bastidores da reportagem “Aumento de imigrantes transforma escolas em espaço de acolhimento para pais e filhos na zona leste de SP”, publicada em junho de 2026.

A pauta surgiu em um seminário, quando o jornalista soube que a Diretoria Regional de Educação (DRE) da Penha concentrava a maior parte das matrículas de estudantes imigrantes da rede municipal paulistana. Na pré-apuração, ele checou dados oficiais e entrevistou profissionais da área. Os números mostraram que, dos quase 17 mil estudantes imigrantes matriculados na rede municipal, 4.733 estavam na DRE Penha. Em seis anos, o número de matrículas de imigrantes na região cresceu 154%.

Durante a apuração, a pauta ganhou outro foco com a descoberta do projeto Portas Abertas: Português para Imigrantes, que oferece aulas de português em escolas paulistanas. Na EMEF Dona Jenny Gomes, em Artur Alvim, e na EMEI Dinah Galvão, em Ermelino Matarazzo, o jornalista entrevistou famílias, crianças e educadores para mostrar como as iniciativas de acolhimento contribuem para integrar não apenas estudantes, mas também a comunidade imigrante. Entre os desafios da apuração estavam as barreiras linguísticas e a demora na liberação de autorizações pela secretaria municipal de Educação.

“Os personagens viraram o lide. Na Mural, a gente gosta muito de contar as histórias através deles, então, eu não os usei só para ilustrar os dados. Os dados vieram depois dos personagens”, explicou Santino, ao destacar a importância das histórias das pessoas para a construção da reportagem.

Confira a reportagem aqui. E sua apresentação completa abaixo.




Como investigar os impactos do calor nas escolas?

Alice Martins Morais e Renata Hirota apresentaram os bastidores da reportagem “Com calor de até 35 °C, metade das escolas públicas de Belém ainda não tem climatização adequada”, publicada pela InfoAmazonia, publicada em dezembro de 2025.

Moradora de Belém (PA), Alice partiu de uma questão cotidiana: apesar das reformas anunciadas nas escolas, as salas de aula estavam preparadas para enfrentar as altas temperaturas? A equipe investigou as condições de climatização das unidades de ensino, enfrentando dificuldades para obter autorizações e realizar entrevistas. O levantamento revelou que apenas 35% das escolas municipais eram climatizadas e que, considerando as diferentes redes, 51% das salas de aula tinham ar-condicionado. Com isso, mais de 147 mil estudantes frequentavam ambientes sem refrigeração.

A investigação também identificou obstáculos à instalação dos equipamentos, como limitações da rede elétrica e custos de manutenção. Para ampliar a análise, as jornalistas cruzaram os dados sobre climatização com informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre arborização urbana. Renata construiu uma base que permitiu comparar os bairros e identificou uma desigualdade: regiões menos arborizadas também apresentavam menor proporção de salas climatizadas.

Ao mostrar como o calor afeta tanto o ambiente escolar quanto o trajeto dos estudantes, a reportagem revelou diferenças nas condições enfrentadas em distintos territórios da capital paraense. Como resumiu a professora Janaína Fernandes, entrevistada para a matéria, “a quentura impacta diretamente na concentração dos estudantes”.

Alice e Renata destacaram como a combinação entre trabalho de campo, dados e mapas permitiu ampliar a abordagem inicial e evidenciar as desigualdades relacionadas à exposição ao calor em Belém.

Confira a reportagem aqui. E sua apresentação completa abaixo.




Alunos 60+ na universidade

Thatiany Nascimento, repórter do Diário do Nordeste (CE), apresentou os bastidores da reportagem “Alunos 60+ ocupam universidade para manter mente ativa, socializar e reforçam debate sobre inclusão”, sobre a presença de estudantes idosos na Universidade Federal do Ceará (UFC).

A pauta partiu de uma pergunta: quantas pessoas com mais de 60 anos ocupam as salas de aula da universidade? O levantamento revelou que, entre cerca de 27 mil matrículas ativas na UFC, apenas 58 eram de estudantes nessa faixa etária. Para compreender o que esses números representavam, a jornalista acompanhou as trajetórias de dois alunos: Verdiano, de 73 anos, estudante de Arquitetura, e Desirée, de 66, de Letras (Português-Italiano). Com histórias de vida distintas, ambos chegaram à graduação pelo Enem e pelo Sisu.

A apuração incluiu a observação de aulas e entrevistas com estudantes, professores, gestores e pesquisadores. Os relatos revelaram experiências de convivência e troca entre gerações, mas também situações de etarismo, dificuldades com ferramentas digitais e barreiras à participação em trabalhos em grupo. A reportagem ampliou a discussão para os desafios de acesso e permanência e para a necessidade de repensar uma universidade historicamente voltada aos jovens e à formação para o mercado de trabalho.

Ao apresentar os bastidores, Thatiany destacou que a presença de estudantes mais velhos permite discutir não apenas as barreiras que eles enfrentam, mas também o modelo de universidade que queremos construir. A investigação mostrou que a inclusão exige rever práticas, metodologias e formas de convivência para garantir que esses estudantes possam não apenas ingressar, mas também participar plenamente da vida universitária.

Confira a reportagem aqui. E sua apresentação completa abaixo.




*A cobertura em texto do 10º Congresso da Jeduca foi realizada pela Jornalismo Júnior, empresa júnior formada e gerida exclusivamente por estudantes do curso de Jornalismo da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo).

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação foi realizado pela Jeduca, nos dias 22 e 23 de setembro de 2026, e contou com o patrocínio master de Fundação Itaú, Imaginable Futures, Instituto Machado Meyer, Instituto Unibanco; ouro de Fundação Telefônica Vivo, Grupo Eureka, Todos Pela Educação, Santillana Educação, Fundação Lemann, Instituto Natura, Nova Foundation, Associação Bem Comum; e prata de Fundação Bracell, Parceiros da Educação e Ternium. 

 

Contou também com o apoio da Universidade de São Paulo (USP), da PRCEU-USP (Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária), da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes) e do Colégio Rio Branco. E ainda com apoio institucional de Abej, Abraji, Ajor, Analítica Comunicação, Coalizão em Defesa do Jornalismo, Laboratório de Educação, Instituto Palavra Aberta, Agência Mural e Porvir. 

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