São Paulo, 21 de janeiro de 2026.
Ao Excelentíssimo Ministro da Educação
Camilo Santana
A Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação) manifesta, por meio desta, seu estranhamento diante da prática adotada pelo MEC (Ministério da Educação) de priorizar a divulgação de suas ações, resultados de avaliações e de indicadores em coletivas de imprensa presenciais realizadas em Brasília (DF). A associação também reitera sua reivindicação pela adoção de embargos para a publicização de censos e demais documentos que envolvam grandes massas de dados de informações.
O caso mais recente de divulgação em coletiva de imprensa presencial são os resultados do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) na segunda-feira (19/1). O MEC, no entanto, já havia adotado essa estratégia de divulgação anteriormente, ao longo de 2025.
Ao ser questionado informalmente, o Ministério informou que as coletivas presenciais têm como objetivo qualificar a cobertura de educação. Contudo, elas acabam tendo o efeito contrário, pois possibilitam que um grupo restrito de jornalistas - aqueles que atuam em Brasília - tenham acesso aos dados em primeira mão, limitando o contato dos profissionais de outras regiões do país com informações relevantes e de interesse público, comprometendo o alcance e a qualidade da cobertura.
Nesse sentido, vale mencionar que uma pesquisa realizada pela Jeduca com associados em 2025 identificou a presença de jornalistas de educação em 24 unidades da federação - o que sinaliza que a cobertura jornalística do tema está disseminada praticamente em todo o país.
Ainda de acordo com o levantamento, do total de associados (1.755), 45% estão em São Paulo, 10,8% no Rio de Janeiro e somente 5,8% no Distrito Federal. Embora a pesquisa não alcance todos os jornalistas envolvidos na cobertura de educação no Brasil, sua amostra é representativa, considerando que a Jeduca reúne profissionais engajados na cobertura de educação.
Assim, é possível inferir que uma coletiva presencial do MEC alcança uma minoria de jornalistas de educação, excluindo os profissionais que trabalham em veículos que não têm sucursal em Brasília.
Além disso, priorizar a divulgação presencial caracteriza um retrocesso, visto que há vários anos o MEC, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e outros órgãos de governo realizam divulgações online ou híbridas, prática amplamente consolidada junto à imprensa.
Diante desse cenário, a Jeduca defende e solicita que o MEC retome as divulgações ao vivo, online, abertas a todos os interessados, a fim de democratizar e tornar equitativo o acesso às informações.
A associação também defende e solicita, como estratégia para qualificar a cobertura, divulgações com embargo de resultados de avaliações, censos e outros tipos de documentos que envolvem grandes massas de dados e informações.
Os embargos são amplamente adotados, com sucesso, por órgãos públicos (como o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e por organizações, como a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Também o Inep já realizou divulgações com embargo anteriormente, como ocorreu no anúncio dos resultados do Censo Escolar e Enem por Escola em 2016 e do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em 2020 e no Censo da Educação Superior 2025.
A Jeduca, enquanto associação que tem como missão atuar pela qualificação da cobertura de educação, coloca-se à disposição para o diálogo sobre o tema.
Atenciosamente,