Os novos formatos e estratégias para atrair mais público para o jornalismo, num cenário de crise dos modelos tradicionais e pressão das big techs foram debatidos na mesa de encerramento do primeiro dia (22/09) do 10.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação.
A sessão contou com os jornalistas Guilherme Amado, publisher do Amado Mundo, Sanara Santos, coordenadora de projetos e comercial da Alma Preta Jornalismo e Sérgio Spagnuolo, cofundador do Núcleo Jornalismo. A mediação foi de Cintia Gomes, diretora institucional da Agência Mural e também diretora da Jeduca.
Na discussão sobre novos formatos possíveis, fora da cobertura textual, Sanara chamou a atenção para as ações culturais como um elo entre arte e comunicação. Principalmente em contextos periféricos, esses “novos formatos não são tão novos assim”, afirmou — slams e batalhas de rima, por exemplo, funcionam como meios de comunicação há tempos e têm a capacidade de chegar às pessoas em um lugar sentimental.
Ela destacou a importância de ensinar ferramentas jornalísticas para os comunicadores desse campo como uma forma de incentivar a expressão de um território e cita experiências que teve no site Énois, com o projeto “Arte é Informação”, que aproximou jovens artistas das práticas de apuração, pesquisa e checagem.
“Usar a ferramenta do jornalismo para observar, apurar e pesquisar sobre a história do nosso território e transformar isso em arte”.
— Sanara Santos, jornalista do Alma Preta
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Sanara Santos foi diretora da área de formação do Laboratório Ènois e hoje atua como coordenadora de
projetos e comercial da Alma Preta Jornalismo [Imagem: Guga Scatena/Jeduca]
Já o jornalista Sérgio falou sobre a necessidade de encontrar meios que não dependam da distribuição das plataformas das big techs. Segundo ele, a busca por inovações, além do sistema SEO (estratégias para que um site tenha mais visibilidade nos buscadores da internet), é uma das preocupações atuais na logística da comunicação.
No cenário em que a indexação do conteúdo publicado nas redes é controlada pelo buscador utilizado, como o Google — que atualmente concatena informações com uso de inteligência artificial —, essa discussão ganha ainda mais força. Como alternativa para criar uma comunidade “desplataformizada”, Sérgio destaca, além de podcasts e newsletters, a capilaridade de plataformas como o Bluesky e Discord. Além disso, ainda que o alcance através das redes sociais seja importante, Sérgio enfatizou a importância de valorizar o trabalho jornalístico nos conteúdos para as mídias virtuais.
“Tem que usar o que funciona pra você. Mas tem que ter a noção de que a gente está entregando muito valor para as big techs e está pegando pouco valor em troca”
— Sérgio Spagnuolo, cofundador do Núcleo Jornalismo
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Jornalista, empreendedor e JSK Alumni da Universidade de Stanford, Sérgio Spagnuolo se tornou cofundador
do Núcleo Jornalismo em 2020 [Imagem: Guga Scatena/Jeduca]
A mudança no consumo do jornalismo foi destacada no debate sobre os conteúdos informativos produzidos por jornalistas e influenciadores. Por mais que reconheça que a linguagem informal que esses “novos personagens” possa ser positiva, Guilherme nota a importância dos veículos de comunicação estarem presentes em eventos que auxiliem o jornalismo a voltar à esfera pública do debate.
“Sem o olho no olho, sem a conversa pública, a gente não vai restabelecer os laços de confiança que estão esgarçados na democracia”.
— Guilherme Amado, publisher do Amado Mundo
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Guilherme Amado passou pelo O Globo, Veja, Época e Metrópoles. Criou a startup de jornalismo Amado Mundo
em 2025 [Imagem: Guga Scatena/Jeduca]
Amado relaciona a resistência ao consumo das plataformas de jornalismo formais nas redes devido aos preços e à falta de acessibilidade da linguagem dos veículos tradicionais. Como contraponto, Sérgio defende que o vocabulário utilizado pelas editorias especializadas é um modo de apresentar termos que acompanham os processos do que se noticia. Porém, ele diz priorizar a produção de notícias que visam atingir o número máximo de pessoas e, assim, produzir impacto.
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O uso de linguagem densa e técnica foi apontado como um impasse para a conexão com a geração Z, favorável ao consumo
de informação simplificada impulsionado pelas Big Techs [Imagem: Guga Scatena/Jeduca]
Em contraponto, práticas ancestrais, como o “boca a boca”, ainda são formas relevantes de manter a conexão e credibilidade da distribuição de conteúdo jornalístico. Sanara cita rodas de samba promovidas em Heliópolis, em que intervenções com poesias e dados sobre desinformação foram importantes para unir gerações e vivências a favor da integridade da informação. Segundo ela, a presença nos espaços culturais permite a criação de laços com o público. Nesse sentido, ela cita o trabalho de jornalismo local realizado por Nicolás Ríos no site Documented, especializado em notícias para as comunidades de imigrantes, como exemplo de um formato eficiente para conseguir mais conexão com o que se cobre e o público-alvo.
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*A cobertura em texto do 10º Congresso da Jeduca foi realizada pela Jornalismo Júnior, empresa júnior formada e gerida exclusivamente por estudantes do curso de Jornalismo da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo).
O 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação foi realizado pela Jeduca, nos dias 22 e 23 de setembro de 2026, e contou com o patrocínio master de Fundação Itaú, Imaginable Futures, Instituto Machado Meyer, Instituto Unibanco; ouro de Fundação Telefônica Vivo, Grupo Eureka, Todos Pela Educação, Santillana Educação, Fundação Lemann, Instituto Natura, Nova Foundation, Associação Bem Comum; e prata de Fundação Bracell, Parceiros da Educação e Ternium.
Contou também com o apoio da Universidade de São Paulo (USP), da PRCEU-USP (Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária), da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes) e do Colégio Rio Branco. E ainda com apoio institucional de Abej, Abraji, Ajor, Analítica Comunicação, Coalizão em Defesa do Jornalismo, Laboratório de Educação, Instituto Palavra Aberta, Agência Mural e Porvir.