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O jornalismo de educação em tempos de covid-19 e bolsonarismo

Mesas no quarto dia do 5.º congresso da Jeduca reúnem jornalistas em debates sobre suas experiênicas na cobertura de educação

01/10/2021
Mariana Mandelli, Especial para a Jeduca

No quarto dia do #Jeduca2021, jornalistas falaram sobre suas experiências na cobertura de educação no contexto do governo Bolsonaro e contaram os bastidores de grandes reportagens produzidas na pandemia de covid-19.

 

O 5.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca aconteceu de 27 de setembro a 1.º de outubro em formato online.

 

A cobertura de educação no governo Bolsonaro

As dificuldades de fazer jornalismo no atual contexto político do Brasil pautaram o quarto dia do 5.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca. Chegando quase o fim do terceiro ano da gestão de Jair Bolsonaro, jornalistas conversaram sobre os obstáculos para acessar dados e fontes oficiais do Ministério da Educação (MEC) nesse período.

 

Com mediação de Paulo de Camargo, Ana Luiza Basílio, da Carta Capital; Paulo Saldaña, da Folha de  S.Paulo, e Renata Agostini, da CNN Brasil, contaram suas experiências e apontaram as saídas que vêm encontrando para driblar os entraves. 

 

“A narrativa de que a imprensa é vilã deu o crivo para que o governo se cale diante das perguntas dos jornalistas sobre as políticas educacionais”, opinou Ana Luiza. Ela afirmou que raramente tem obtido respostas do MEC (Ministério da Educação) para uma demanda ou sobre posicionamentos do ministro Milton Ribeiro. 

 

Para ela, isso dificulta inclusive o acesso a iniciativas não diretamente ligadas ao atual governo, como é o caso do PNE (Plano Nacional de Educação), cuja vigência se encerra em 2024. “Não podemos perder de vista as políticas públicas que já estão sacramentadas, especialmente as que são fundantes, como é o caso do PNE e do Sistema Nacional de Educação, que também está atrasado”, reforçou.

 

Para Saldaña, a dificuldade é dupla para os setoristas: entender politicamente o papel da educação no governo Bolsonaro e acompanhar o andamento das suas iniciativas na área. “O acesso é difícil às secretarias, às autarquias, como Inep e FNDE, e ao ministro. Quando o MEC se fecha para a imprensa, quem perde é  a sociedade”, considerou.

 

A discussão também abarcou a postura de gestões anteriores do MEC em comparação à pasta vigente. De acordo com Renata, o bolsonarismo apenas reforçou um contexto hostil ao jornalismo que já existia antes de 2018. 

 

“Não era fácil. Eu me preocupo em romantizar o que havia antes”, opinou ela, que considera que não se deve desistir das pautas, mesmo que instrumentos legais, como a LAI (Lei de Acesso à Informação), não resolvam. “É nosso trabalho insistir, e devemos insistir não só pela LAI. Temos inclusive de dar publicidade ao fato de que ela não está funcionando em alguns casos”, afirmou.

 

Paulo concorda. “Como imprensa, não nos resta outra saída que não seja estar sempre questionando, de ouvidos sempre abertos”.


Grandes reportagens

Mais cedo, na mesa da manhã, com mediação de José Brito, membro do Comitê Editorial da Jeduca, jornalistas de diferentes mídias conversaram sobre os bastidores de grandes reportagens no contexto pandêmico. 

 

A falta de informações oficiais foi lembrada. “Olhar para as crianças foi bastante importante, inclusive em termos de quantidade. Elas precisavam aparecer o máximo possível como um dossiê desse momento do Brasil, pois sabíamos que não teríamos dados oficiais do governo”, contou Joana Suarez, líder de projetos colaborativos de jornalismo. Um deles é Lição de Casa, cuja reportagem "Sem Recreio” foi uma das vencedoras do 2.º Edital de Jornalismo de Educação da Jeduca e Itaú Social.

 

A busca por perspectivas periféricas foi um dos pontos de consonância do debate, mostrando a importância de descentralizar as pautas e de retratar a diversidade de contextos socioeconômicos, culturais e educacionais. “É preciso olhar para fora dos centros. Olhar para as periferias, para as favelas”, afirmou Luiza Drable, diretora de vídeo do The Intercept Brasil. “Não basta denunciar. Precisamos olhar para o problema de forma crítica e responsabilizar as autoridades que deveriam estar preocupadas com essa desigualdade”. Ela foi uma das coordenadoras da reportagem especial “Unifavela - O Enem, a favela e o coronavírus”.

 

Contra pautas que romantizem a precariedade enraizada no Brasil, Douglas Bezerra Lopes, fotógrafo e videomaker, defendeu a escuta e as narrativas de quem realmente vivencia esses contextos. “A favela é uma potência. Temos que incentivar cada vez mais que as pessoas contem suas próprias histórias como forma de diminuirmos as desigualdades”, opinou. Lopes assinou a fotografia e entrevistas na reportagem do The Intercept.

 

Renata Cafardo, vice-presidente da Jeduca e repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo, lembrou que os próximos anos ainda reservam uma gama considerável de pautas sobre educação ainda relacionadas às consequências da Covid-19. “Além do retorno às aulas presenciais, é necessário acompanharmos as desigualdades aprofundadas pela pandemia da Covid-19, especialmente a recuperação da aprendizagem”, disse. Renata acompanhou por um semestre o abre-e-fecha de uma escola em São Paulo, que resultou no especial “A Volta da Escola”.

 

O 5.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação conta com o patrocínio de Fundação Lemann, Fundação Telefonica Vivo, Instituto Unibanco, Itaú Social, Itaú Educação e Trabalho, e apoio do Colégio Rio Branco e Loures Consultoria.

 

 

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