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O papel da mídia e das avaliações na superação das desigualdades

Apesar de o tema gerar incômodo, jornalistas defendem que as disparidades sociais atravessem pautas de todas as áreas

30/09/2021
Mariana Mandelli, Especial para a Jeduca

O terceiro dia do 5.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca foi marcado por debates sobre a cobertura da mídia sobre desigualdades e sobre o papel das avaliações de larga escala como subsídio a políticas públicas que garantam o direito à educação.

 

O evento é online e gratuito e está acontecendo, até 1.º de outubro, em torno do tema central “A educação e as desigualdades na pandemia”. A programação completa pode ser conferida aqui. Todas as mesas, desde o início do congresso foram gravadas e estão disponíveis na plataforma do evento.

 

Acompanhe os principais tópicos debatidos durante o terceiro dia do congresso.

 

Como tornar mais atrativa a cobertura jornalística sobre desigualdade

Tornar mais atraente a cobertura jornalística sobre as desigualdades brasileiras é um dos grandes desafios da imprensa, uma vez que pautas que trazem à tona discussões sobre injustiças sociais costumam ser complexas e tiram do lugar de conforto quem está em posição privilegiada, perturbando parte do público.

 

Propostas para desatar esse nó foram a tônica da mesa de abertura do terceiro dia do congresso da Jeduca. A discussão envolveu jornalistas experientes: Adriana Carranca, autora do livro infantil "Malala, a menina que queria ir para a escola"; Érica Fraga, repórter especial da Folha de S.Paulo; Flávia Oliveira, colunista do jornal O Globo e comentarista da GloboNews e Rádio CBN, e Giulliana Bianconi, confudadora e diretora da Gênero e Número. A mediação foi do presidente da Jeduca, Fábio Takahashi.

 

Para Flávia, cobrir disparidades socioeconômicas é sinônimo de incomodar. “Quando falamos em tornar a cobertura mais atraente, essa colocação pode inspirar simpatia. Mas a desigualdade tem a ver com desconforto. Não é algo agradável”, pontuou. Para ela, é por isso que parte da audiência desvia desse tipo de pauta. “Ninguém quer se ver como um privilegiado, como a materialização de algo que cria desconforto diariamente por questões de racismo, machismo, elitismo e patrimonialismo”.

 

Segundo Flávia, não se trata de “cobrir desigualdades”, mas de adicionar a análise sobre elas em todas as editorias e pautas. “É preciso adicionar o olhar para a desigualdade em tudo o que a gente escreve sobre meio ambiente, transporte, segurança, eleições, etc.. Tudo precisa ser envolvido e misturado a essa reflexão”, propôs.

 

O caráter multidimensional do tema também provocou a conversa entre as jornalistas convidadas. No entanto, elas ressaltam que é papel da imprensa não apenas revelar os problemas estruturantes da sociedade brasileira, mas também mostrar potenciais meio de se resolvê-los. “Quando você apresenta só o diagnóstico do problema, estamos dando uma cobertura incompleta. Precisamos apresentar soluções possíveis”, explicou Érica.

 

Para ela e as demais participantes, é preciso ampliar a diversidade de vozes para que as pessoas se sintam mais representadas pela produção jornalística — a cobertura atual está “viciada” em ouvir sempre as mesmas “fontes de gabinete”. No entanto, esse movimento não pode incluir quem legitima o cenário desigual em que a sociedade brasileira se encontra.

 

"Não podemos relativizar esse cenário nem naturalizar as desigualdades, embora elas estejam em todos os lugares. Antes de pensar no formato da pauta e em quem ouvir, é necessário refletir sobre como vamos provocar reflexão no público”, sugeriu Giulliana. “Não devemos ouvir fontes que aprofundam o buraco onde a gente se encontra ou que compactuem com ele”.

 

Segundo Adriana, não se trata de “censurar” essas vozes, já que divulgar discursos negacionistas vai contra os princípios jornalísticos. "Notícia falsa não é notícia, informação falsa não pode ser dada porque não é informação”, acrescentou. Para ela, é preciso levar o entendimento da linguagem jornalística para dentro das escolas, para formar novos públicos leitores e, consequentemente, cidadãos atentos às desigualdades estruturais da sociedade brasileira.

 

O presente e o futuro das avaliações educacionais

Criado há mais de três décadas, o sistema brasileiro de avaliação educacional ainda não dá conta de olhar adequadamente para grupos minoritários de estudantes, bem como não consegue apoiar, com os dados produzidos, a criação de políticas públicas que realmente fazem a diferença micro e macroscopicamente, garantindo o direito à educação.

 

É o que pensam os especialistas participantes de uma das mesas do terceiro dia do 5º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca. Mediada pelo jornalista Antônio Gois, diretor e fundador da associação, o debate contou com Débora Jeffrey, professora livre-docente na área de Política Educacional na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas); José Francisco Soares, professor emérito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do CNE (Conselho Nacional de Educação) e da Abave (Associação Brasileira de Avaliação Educacional). Soares e Maria Helena também foram presidentes do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

 

“Temos o grande desafio de repensar o sistema para que ele evidencie grupos minorizados. Não somente os estudantes pretos e pardos, mas também indígenas, quilombolas e LGBTQI+”, afirmou Débora.

 

Para Francisco Soares, é necessário que as avaliações observem as desigualdades para garantir o direito à aprendizagem de crianças e jovens, o que não ocorre no modelo vigente, especialmente em provas como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “É preciso assegurar que o Enem ajude no aprendizado, e não o contrário. Hoje ele se transformou em uma grande seleção em que a única coisa que interessa é treinar para realizá-lo”, disse.

 

A reforma do ensino médio, sancionada em 2017, exige alterações estruturais no Enem, um debate ainda nebuloso que deve ganhar forma nos próximos meses. Em agosto, o governo federal anunciou que finalmente implementará o conteúdo da lei a partir de 2022.

 

É preciso uma revisão do Enem para pensarmos um futuro com menos desigualdade, com egressos do ensino médio com oportunidade mais equânimes”, pontuou Maria Helena, que defende que o exame não seja o único critério de seleção para ingresso no ensino superior. “O exame sozinho não dá conta de ser totalmente justo”.

 

Maria Helena destacou ainda que as mudanças no Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) ainda estão em discussão no CNE. Em 2022, as metas traçadas para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) perdem a validade, o que demanda que a avaliação como um todo seja reformulada.

 

“Há diversas questões em debate, como se o Saeb deve ser censitário ou amostral. Acredito que devemos avaliar menos e com mais profundidade, mas não chegamos a um documento ou referencial sobre isso”, explicou.

 

Segundo ela, outros pontos de atenção na avaliação são a presença de questões abertas, a produção de textos, a incorporação de novas tecnologias e a avaliação da língua inglesa, além da periodicidade e a ênfase em determinadas áreas por edição, como ocorre no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

 

O 5.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação conta com o patrocínio de Fundação Lemann, Fundação Telefonica Vivo, Instituto Unibanco, Itaú Social, Itaú Educação e Trabalho, e apoio do Colégio Rio Branco e Loures Consultoria. 

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