No dia 22 de setembro, a mesa que de abertura do 10.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação) trouxe o que talvez seja um dos questionamentos mais importantes a se fazer em um congresso de jornalismo na educação: o que crianças com a idade da Jeduca - 10 anos - pensam sobre a educação e o jornalismo?
Participaram da mesa os estudantes Alicia Belo, Larissa Nascimento, Valentina Nunes e Victor Marques, que participam do programa Imprensa Jovem, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
A conversa começou com perguntas sobre as experiências e sonhos de futuro dos pequenos repórteres. A estudante Valentina Nunes, da região de São Mateus, foi questionada sobre o que despertou seu interesse em fazer parte do Imprensa Jovem. “Toda vez eu via alguém gravando, eu perguntava: mamãe, quem são eles? Eu preciso fazer aquilo, eu tenho minhas chances e minhas esperanças”, contou, encantando a plateia com seu carisma.
“Onde estou agora, é porque eu fui atrás dos meus sonhos e corri atrás deles.”
- Valentina Nunes, estudante de São Mateus (SP)
Mas nem todos os entrevistados querem seguir carreira no jornalismo, como Alicia Belo, estudante do distrito de Parelheiros, que sonha em cursar Medicina - o que levou à pergunta feita por Luiza: “o que uma futura médica pode aprender participando do Imprensa Jovem?”. Depois de debaterem o assunto, os participantes chegaram à conclusão de que a comunicação, elemento essencial na profissão jornalista, é também muito importante para profissionais da área da saúde, que precisam lidar com o público da melhor forma.
Em um clima leve e descontraído, a mediadora Luiza Tenente, perguntou qual matéria os repórteres mirins escreveriam sobre suas próprias escolas. Valentina conta que escolheria entrevistar seu professor favorito. “Ele sabe ser firme, responsável, mas também sabe ser engraçado”, disse. Segundo ela, essa postura é melhor do que o excesso de rigidez, pois os professores precisam “brincar com a criança para fazer ela entender que é acolhida.”
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O 10° Congresso Internacional de Jornalismo na Educação durou dois dias, e abordou diversos temas e perspectivas,
desde política até desenvolvimento. [Imagem: Jeduca/ Guga Scatena]
As crianças foram questionadas sobre quais aulas gostariam de participar. A resposta surpreendeu: Victor Marques, da região do Grajaú, respondeu que gostaria de ter aulas de física. As demais crianças citaram disciplinas correlatas, como química, e até mesmo afirmaram que pesquisam sobre esses assuntos na internet.
O estudante Victor surpreendeu novamente ao dizer que seu primeiro passo ao fazer uma pesquisa para uma pauta seria checar se essa as fontes são “fidedignas”. A conversa sobre a importância da checagem num cenário de crescente desinformação tomou o rumo para um debate sobre inteligência artificial, com dicas do entrevistado sobre as formas de identificar esse tipo de conteúdo - como marcas d'água, indicando a procedência do vídeo ou imagem produzida, e se os acontecimentos estão muito distantes da realidade.
Ao ser questionada sobre o que levaria em sua bolsa para fazer uma cobertura da explosão de uma bomba, a repórter mirim Larissa Nascimento, estudante do Butantã, deu uma resposta foi despretensiosa e inesperada: “Primeiro eu perguntaria por que eu tinha que ir, sendo que o negócio explodiu”.
A fala da pequena repórter tirou risadas do público presente. Esse assunto, porém, chama a atenção para o papel dos repórteres em situações de risco, como guerras, conflitos ou investigações, bem como para sua relevância e esforços nesses cenários.
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Os repórteres mirins Alicia Belo, Valentina Nunes, Larissa Nascimento e Victor Marques
respectivamente [Imagem: Jeduca/ Guga Scatena]
Um dos tópicos finais da conversa foi a jornada escolar das crianças entrevistadas. Apesar da diferença dos horários de aula, alguns em período integral e outros não, todos chamaram atenção para a variedade de aulas extracurriculares que frequentam. A pequena repórter Larissa, que participa de aulas de esportes, culinária, música e até é integrante da Academia Estudantil de Letras (AEL), destaca a importância da variedade de atividades para o desenvolvimento infantil, mas destacou que essa não é a realidade de muitas crianças no Brasil.
Ao final, o assunto abordado foi tecnologia. Victor falou que gosta de usar seu tempo livre para jogar videogames e navegar na internet, mas que também assiste aos jornais e gostaria que a educação infantil fosse mais abordada pelos veículos de notícia. Valentina aproveitou o gancho para falar sobre a regulamentação das redes e citou que a internet não é adaptada para crianças, pela quantidade de conteúdos inapropriados e falta de temas que dialoguem com esse público. A repórter mirim Alicia finalizou com a sua opinião sobre a adaptação das redes e que acharia interessante um jornal destinado a crianças
“Queria que as crianças pudessem usar no celular com segurança”
- Valentina Nunes, estudante de São Mateus (SP)
*A cobertura em texto do 10º Congresso da Jeduca foi realizada pela Jornalismo Júnior, empresa júnior formada e gerida exclusivamente por estudantes do curso de Jornalismo da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo).
O 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação foi realizado pela Jeduca, nos dias 22 e 23 de setembro de 2026, e contou com o patrocínio master de Fundação Itaú, Imaginable Futures, Instituto Machado Meyer, Instituto Unibanco; ouro de Fundação Telefônica Vivo, Grupo Eureka, Todos Pela Educação, Santillana Educação, Fundação Lemann, Instituto Natura, Nova Foundation, Associação Bem Comum; e prata de Fundação Bracell, Parceiros da Educação e Ternium.
Contou também com o apoio da Universidade de São Paulo (USP), da PRCEU-USP (Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária), da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes) e do Colégio Rio Branco. E ainda com apoio institucional de Abej, Abraji, Ajor, Analítica Comunicação, Coalizão em Defesa do Jornalismo, Laboratório de Educação, Instituto Palavra Aberta, Agência Mural e Porvir.