A Pnad Educação 2025 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última sexta-feira (19/9), apresenta um grande mapa dos avanços e desafios da educação brasileira na última década.
A pesquisa revela a redução do analfabetismo e melhoria da escolaridade da população em geral. Ao mesmo tempo, sinaliza desafios que ainda persistem e precisam ser superados: as desigualdades raciais e regionais, ampliação dos anos de estudo e qualificação profissional de jovens adultos, acesso à educação infantil, entre outros.
Os resultados da Pnad Educação 2025 podem ser consultados aqui.
Divulgada anualmente, a Pnad tem como referência o PNE (Plano Nacional de Educação) que vigorou entre 2014 e 2025. Isso permite identificar os avanços e desafios em relação às metas estabelecidas para a educação no Brasil, bem como identificar pontos de partida diante das novas metas previstas no PNE 2026-20236, sancionado em abril.
Neste material, você confere os alguns destaques e pontos de atenção sobre:
- Analfabestimo, escolarização e desigualdades raciais e regionais
- Jovens que não estudam e não trabalham
- Acesso à creche e pré-escola
- Frequência no ensino fundamental
- Escolarização na faixa de 15 a 17 anos
Desafios
Apesar de o número de anos de estudo da população adulta no Brasil ter aumentado em relação a 2016 (9,1 anos), o avanço foi de apenas 1,1 ano em praticamente uma década. A média alcançou 10,2 anos em 2025. Chama a atenção que a média de anos de estudo segue abaixo dos 13 anos de escolaridade básica obrigatória previstos no artigo 208 da Constituição Federal de 1988.
No Brasil, a educação básica é obrigatória dos 4 aos 17 anos. A expectativa é que as crianças e adolescentes cumpram o ciclo da pré-escola (com duração de 2 anos), ensino fundamental (com duração de 9 anos) e ensino médio (com duração de 3 anos), mas os dados indicam que o país precisa avançar neste aspecto.
Como destaca matéria do jornal O Globo, ainda há mais brasileiros que não concluíram o ensino fundamental do que com ensino superior: 25,6% dos brasileiros com 25 anos ou mais pararam de estudar antes do 5º ano, ao passo que 21,4% concluíram a graduação.
Ponto de atenção
- A partir da série histórica da pesquisa, iniciada em 2016, é possível observar como os indicadores avançaram ou recuaram ao longo de quase uma década. Além disso, o PNE 2026–2036 ampliou metas e prorrogou os prazos relacionados à superação do analfabetismo, ao acesso à creche e à conclusão do ensino médio na idade adequada.
Desafios
A diminuição da desigualdade entre pessoas pretas ou pardas e brancas é um desafio para os próximos anos da educação. No PNE 2026-2036, questões étnico-raciais estão presentes em diferentes estratégias.
No entanto, como ressalta o Geledés, o novo plano não explicita nas metas e estratégias os compromissos assumidos com o enfrentamento ao racismo e a promoção da equidade étnico-racial.
No Objetivo 5 do PNE, por exemplo, em metas relacionadas à aprendizagem no ensino fundamental e médio, o texto considera o quesito de raça para a redução de desigualdades entre grupos sociais. Matéria do Alma Preta aponta que, no plano, crianças pretas são mencionadas diretamente em metas relacionadas ao acesso à educação infantil e à distribuição de professores.
Ponto de atenção
- As pautas podem aprofundar os aspectos que contribuem para o avanço da escolarização das pessoas pretas ou pardas e os fatores que fazem com que as desigualdades persistam.
Desafios
A pesquisa indica que as desigualdades regionais também persistem, com Norte e Nordeste apresentando maiores taxas de analfabetismo e menor escolaridade no país. A região Nordeste, que possui 26% da população brasileira, concentra mais da metade dos brasileiros analfabetos do país (57,4%), segundo matéria da Folha de S.Paulo.
O texto do PNE 2026-2036 coloca como objetivo geral a superação das desigualdades regionais na implementação das políticas educacionais. No Objetivo 19, além da implementação do CAQ (Custo Aluno-Qualidade), o plano define que o recorte regional seja um critério para distribuição de recursos adicionais.
Desafio
No cenário de rápida transição demográfica, a Pnad Educação reforça o desafio de aumentar o número de jovens que concluem o ensino médio, seguem para o ensino superior e se qualificam profissionalmente. Na faixa etária de 18 a 24 anos, a taxa de escolarização foi de 31,5%, sendo que apenas 24,5% cursam o ensino superior, etapa esperada para a idade.
Ponto de atenção
- Na cobertura, um caminho é explorar os desafios dos jovens em continuar os estudos após concluírem ou não a educação básica obrigatória. Além da falta de acesso ao ensino superior e das dificuldades relacionadas à permanência na etapa, vale considerar que o atraso escolar e evasão são fatores que comprometem esse percurso.
Acesso à creche e pré-escola
Desafios
A ampliação da oferta de creches para atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos é uma das metas não cumpridas do PNE 2014-2025. O atual Plano Nacional de Educação eleva a meta nacional para, pelo menos, 60% das crianças dessa idade matriculadas na creche.
O texto ainda prevê o atendimento de 100% da demanda por creche, bem como a redução das desigualdades de acesso para crianças de famílias de baixo nível socioeconômico. Para crianças de 4 a 5 anos, o novo plano prevê que a universalização do acesso à pré-escola deve ser alcançada em até dois anos, ou seja, 2028.
Outro ponto de atenção é a relação entre falta de acesso e disparidade regional. O déficit de creches e pré-escolas é maior nas regiões Norte (35,5%) e Nordeste (44,5%), conforme destaca matéria da Tribuna do Sertão.
Pontos de atenção
- Apesar da quase universalização do ensino fundamental, a distorção idade-série é um desafio histórico da etapa de ensino. Em 2025, nos anos finais, a cada 100 estudantes de escolas públicas, aproximadamente 16 estavam com atraso escolar de 2 anos ou mais (16,4%). Nos anos iniciais, a distorção idade-série foi de 7,3%. É o que apontam dados do Qedu, com base no Censo Escolar.
- O número de estudantes na série adequada segue abaixo dos níveis pré-pandemia, destaca reportagem da Folha de S.Paulo, na qual especialista destaca a dificuldade de acompanhar as atividades remotas, a entrada tardia na etapa e a reprovação escolar como fatores para a defasagem na trajetória escolar.
Desafio
O número de estudantes na faixa etária cursando a série esperada segue abaixo da meta estabelecida pelo antigo PNE, que previa 85% estudantes concluindo o ensino médio na idade adequada até 2024. O atual PNE amplia a meta para 90% até 2036.
Pontos de atenção
- As matérias podem ampliar o olhar sobre as causas que dificultam a permanência escolar. Dificuldades financeiras para manter a frequência, necessidade de trabalhar, reprovação e dificuldades de aprendizagem, associadas ao abandono e à evasão escolar, são aspectos que podem ser explorados.
- Para além de iniciativas relacionadas a ajuda financeira para jovens de baixa renda, como o programa federal Pé-de-Meia e programas estaduais, o que pode ser feito, no âmbito das políticas públicas, para lidar com outros fatores que interrompem a trajetória escolar?