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Pnad Educação 2025: dados ampliam olhar sobre desafios históricos da educação

Levantamento do IBGE traz informações sobre o panorama educacional da população brasileira entre 2016-2025

22/06/2026
Redação Jeduca

A Pnad Educação 2025 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última sexta-feira (19/9), apresenta um grande mapa dos avanços e desafios da educação brasileira na última década.   

 

A pesquisa revela a redução do analfabetismo e melhoria da escolaridade da população em geral. Ao mesmo tempo, sinaliza desafios que ainda persistem e precisam ser superados: as desigualdades raciais e regionais, ampliação dos anos de estudo e qualificação profissional de jovens adultos, acesso à educação infantil, entre outros.

 

Os resultados da Pnad Educação 2025 podem ser consultados aqui.

 

Divulgada anualmente, a Pnad tem como referência o  PNE (Plano Nacional de Educação) que vigorou entre 2014 e 2025. Isso permite identificar os avanços e desafios em relação às metas estabelecidas para a educação no Brasil, bem como identificar pontos de partida diante das novas metas previstas no PNE 2026-20236, sancionado em abril.

 

Neste material, você confere os alguns destaques e pontos de atenção sobre:
-  Analfabestimo, escolarização e desigualdades raciais e regionais
- Jovens que não estudam e não trabalham
- Acesso à creche e pré-escola
- Frequência no ensino fundamental
- Escolarização na faixa de 15 a 17 anos

 

 
 

Analfabetismo e escolarização


  • Em 2025, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais foi de 4,9% (8,4 milhões de pessoas) - uma queda de 1,8 ponto percentual em comparação a 2016 (6,7%). Mesmo com a melhora, o país não alcançou a meta de erradicação do analfabetismo até 2024, definida pelo PNE anterior, como destaca o Uol. Para o IBGE, a pessoa alfabetizada é aquela capaz de ler e escrever bilhetes simples.


  • No Objetivo 11, o PNE 2026-2036 prevê elevar para 97% a taxa de alfabetização da população de 15 anos ou mais até 2030 e erradicar o analfabetismo até o final do decênio.


  • Entre pessoas com mais de 60 anos (4,8 milhões), 13,8% eram analfabetos. Em relação a 2016, a queda foi de 6,7 pontos percentuais nessa faixa etária.


  • O analfabetismo tende a ser maior nos grupos de pessoas mais velhas. Considerando somente a faixa etária de 15 a 59 anos, a taxa é de 2,6%. Esse desempenho está associado ao maior acesso à escolarização pelas novas gerações, segundo a pesquisa.

  • Em 2025, 57,4% da população de 25 anos ou mais completaram a educação básica obrigatória. A média de anos que pessoas nessa faixa etária passaram em instituições de ensino foi de 10,2 anos. 

Desafios

Apesar de o número de anos de estudo da população adulta no Brasil ter aumentado em relação a 2016 (9,1 anos), o avanço foi de apenas 1,1 ano em praticamente uma década. A média alcançou 10,2 anos em 2025. Chama a atenção que a média de anos de estudo segue abaixo dos 13 anos de escolaridade básica obrigatória previstos no artigo 208 da Constituição Federal de 1988


No Brasil, a educação básica é obrigatória dos 4 aos 17 anos. A expectativa é que as crianças e adolescentes cumpram o ciclo da pré-escola (com duração de 2 anos), ensino fundamental (com duração de 9 anos) e ensino médio (com duração de 3 anos), mas os dados indicam que o país precisa avançar neste aspecto. 


Como destaca matéria do jornal O Globo, ainda há mais brasileiros que não concluíram o ensino fundamental do que com ensino superior: 25,6% dos brasileiros com 25 anos ou mais pararam de estudar antes do 5º ano, ao passo que 21,4% concluíram a graduação.

Ponto de atenção
- A partir da série histórica da pesquisa, iniciada em 2016, é possível observar como os indicadores avançaram ou recuaram ao longo de quase uma década. Além disso, o PNE 2026–2036 ampliou metas e prorrogou os prazos relacionados à superação do analfabetismo, ao acesso à creche e à conclusão do ensino médio na idade adequada.

 

 

Desigualdades raciais

 

  • Pela primeira vez desde 2016 (38,1%), mais da metade da população de pretos e pardos (51,3%) concluiu a educação básica. Porém as desigualdades de raça/cor persistem, pois este percentual é menor que o de pessoas brancas (64,9%) em 2025.
  • A pesquisa indica redução do analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas e entre pessoas brancas. Porém, em 2025, a porcentagem de pessoas pretas ou pardas analfabetas (6,5%) foi superior ao de pessoas brancas analfabetas (2,8%).

  • Na série histórica, o percentual de pessoas com 15 anos ou mais pretas ou pardas analfabetas diminuiu 2,7 pontos em relação a 2016 (9,2%). Em 2025, o índice atingiu 6,5%.

  • A média de anos de estudos de pessoas pretas ou pardas aumentou em 1,4 ano entre 2016 (8,1 anos) e 2025 (9,5 anos), mas é ainda menor do que o de pessoas brancas que, em média, alcançam 11,1 anos na educação básica.

 

Desafios

A diminuição da desigualdade entre pessoas pretas ou pardas e brancas é um desafio para os próximos anos da educação. No PNE 2026-2036, questões étnico-raciais estão presentes em diferentes estratégias.

 

No entanto, como ressalta o Geledés, o novo plano não explicita nas metas e estratégias os compromissos assumidos com o enfrentamento ao racismo e a promoção da equidade étnico-racial.

 

No Objetivo 5 do PNE, por exemplo, em metas relacionadas à aprendizagem no ensino fundamental e médio, o texto considera o quesito de raça para a redução de desigualdades entre grupos sociais. Matéria do Alma Preta aponta que, no plano, crianças pretas são mencionadas diretamente em metas relacionadas ao acesso à educação infantil e à distribuição de professores.

Ponto de atenção 

- As pautas podem aprofundar os aspectos que contribuem para o avanço da escolarização das pessoas pretas ou pardas e os fatores que fazem com que as desigualdades persistam.

 

 

Desigualdades regionais

  • Desde 2016, as regiões Nordeste e Norte apresentam os maiores índices de analfabetismo do Brasil, 10,6% e Norte 5,7%, respectivamente, mas também são as que mais avançaram na redução da taxa. Em relação a 2016, o Nordeste (13,9%) e o Norte (8%) reduziram os índices em 3,3 pontos e 2,3 pontos, respectivamente. As taxas das demais regiões foram no Centro-Oeste (3,3%), 2,3% no Sudeste e 2,4% no Sul.

  • A média de anos de estudo nas regiões Norte (9,7 anos) e Nordeste (9 anos) ficou abaixo da média nacional (10,2 anos), ao passo que as regiões Sudeste (10,9), Centro-Oeste (10,8) e Sul (10,5) superam o índice.


  • Entre 2016 e 2025, o Nordeste elevou sua média de anos de estudo de 7,7 para 9 anos, um avanço de 1,1 ano no período. Por sua vez, na região Norte, o aumento foi de 1,3 ano, passando de 8,4, em 2016, para 9,7 anos em 2025.

 

Desafios

A pesquisa indica que as desigualdades regionais também persistem, com Norte e Nordeste apresentando maiores taxas de analfabetismo e menor escolaridade no país. A região Nordeste, que possui 26% da população brasileira, concentra mais da metade dos brasileiros analfabetos do país (57,4%), segundo matéria da Folha de S.Paulo.

 

O texto do PNE 2026-2036 coloca como objetivo geral a superação das desigualdades regionais na implementação das políticas educacionais. No Objetivo 19, além da implementação do CAQ (Custo Aluno-Qualidade), o plano define que o recorte regional seja um critério para distribuição de recursos adicionais.

 

Jovens que nem estudam e nem trabalham

  • Em 2025, 17,5% dos jovens de 15 a 29 anos (46,6 milhões de pessoas) não trabalhavam, estudavam ou buscavam qualificação profissional.


  • A pesquisa indica que o número de jovens nessa condição diminuiu desde 2016, quando o índice era de 22,4%. O fortalecimento do ensino técnico e o alinhamento das formação ao mercado de trabalho são caminhos para mudar esse cenário, como destaca matéria do Estado de S.Paulo.

  • Entre as mulheres, 22,8% não trabalham, estudam ou se qualificam. O percentual é significativamente menor do que o de homens na mesma situação (12,4%).


  • A necessidade de trabalhar (43%) e de gerar renda é o principal motivo pelo qual jovens de 14 a 29 anos não frequentam a escola - tanto para os homens (54,2%) quanto para as mulheres (26,2%). Desde 2019 (39,9%), cada vez mais jovens têm apontado precisar trabalhar como motivo para abandonar os estudos ou nunca ter frequentado a escola.

  • Os dados também sugerem o impacto da divisão de trabalho condicionada ao gênero na trajetória escolar de meninas e jovens mulheres. A gravidez (24,7%) é a segunda maior razão, logo após a necessidade de trabalhar, pela qual mulheres nunca terem estudado ou abandonado os estudos. Além disso, 8,6% apontam a responsabilidade pelos afazeres domésticos ou pelo cuidado com outras pessoas, como parentes, como justificativa para não frequentar a escola.

 

Desafio

No cenário de rápida transição demográfica, a Pnad Educação reforça o desafio de aumentar o número de jovens que concluem o ensino médio, seguem para o ensino superior e se qualificam profissionalmente. Na faixa etária de 18 a 24 anos, a taxa de escolarização foi de 31,5%, sendo que apenas 24,5% cursam o ensino superior, etapa esperada para a idade. 

Ponto de atenção 
- Na cobertura, um caminho é explorar os desafios dos jovens em continuar os estudos após concluírem ou não a educação básica obrigatória. Além da falta de acesso ao ensino superior e das dificuldades relacionadas à permanência na etapa, vale considerar que o atraso escolar e evasão são fatores que comprometem esse percurso. 

 

 

Acesso à creche e pré-escola

 

  • Em 2025, a taxa de escolarização de crianças de 0 a 3 anos, faixa etária em que a frequência na escola não é obrigatória, foi de 41,7% (4,1 milhão de crianças). Em 2016, 30,3% das crianças frequentavam a creche.

  • Assim como em 2024, o principal motivo de crianças de 2 a 3 não frequentarem a creche é a opção dos pais ou responsáveis (57,1%). Porém, 33,4% não frequentam por falta de escola/creche ou vaga na localidade ou por que a unidade escolar não aceita a criança por causa da idade.

 

  • Apesar da etapa da pré-escola (4-5 anos) ser obrigatória, em 2025, 94,9% das crianças dessa idade tinham acesso à educação infantil. Desde 2016, quando a taxa de escolarização atingiu 90%, o país conseguiu aumentar o índice em 4,9 pontos percentuais.

 

Desafios

A ampliação da oferta de creches para atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos é uma das metas não cumpridas do PNE 2014-2025. O atual Plano Nacional de Educação eleva a meta nacional para, pelo menos, 60% das crianças dessa idade matriculadas na creche. 

 

O texto ainda prevê o atendimento de 100% da demanda por creche, bem como a redução das desigualdades de acesso para crianças de famílias de baixo nível socioeconômico. Para crianças de 4 a 5 anos, o novo plano prevê que a universalização do acesso à pré-escola deve ser alcançada em até dois anos, ou seja, 2028. 

 

Outro ponto de atenção é a relação entre falta de acesso e disparidade regional. O déficit de creches e pré-escolas é maior nas regiões Norte (35,5%) e Nordeste (44,5%), conforme destaca matéria da Tribuna do Sertão.

 

Frequência no Ensino Fundamental

  • Entre jovens de 6 a 14 anos, a taxa de escolarização atingiu 99,5% (26 milhões de estudantes), mesmo percentual de 2024. Desde 2016 (99,2%), o indicador apresenta um crescimento pequeno de 0,3%.

  • A taxa de frequência líquida, ou seja, o número de estudantes matriculados na série esperada para a idade, ficou em 96,1%. Como destaca a pesquisa, os dados mostram que foi cumprida a meta 2 do PNE 2014-2025 que previa, no mínimo, 95% dos estudantes concluindo a etapa na idade adequada.

 

Pontos de atenção

- Apesar da quase universalização do ensino fundamental, a distorção idade-série é um desafio histórico da etapa de ensino. Em 2025, nos anos finais, a cada 100 estudantes de escolas públicas, aproximadamente 16 estavam com atraso escolar de 2 anos ou mais (16,4%). Nos anos iniciais, a distorção idade-série foi de 7,3%. É o que apontam dados do Qedu, com base no Censo Escolar.

- O número de estudantes na série adequada segue abaixo dos níveis pré-pandemia, destaca reportagem da Folha de S.Paulo, na qual especialista destaca a dificuldade de acompanhar as atividades remotas, a entrada tardia na etapa e a reprovação escolar como fatores para a defasagem na trajetória  escolar.

 

 

Escolarização na faixa de 15 a 17 anos

  • Entre a população com 15 a 17 anos, período em que é esperado que os jovens estejam no ensino médio, a taxa de escolarização foi de 93,2%.

  • Em 2025, 80,6% dos adolescentes estavam na série esperada para a idade. Em quase uma década, desde 2016 (68,2%), o percentual aumentou 12 pontos.

Desafio

O número de estudantes na faixa etária cursando a série esperada segue abaixo da meta estabelecida pelo antigo PNE, que previa 85% estudantes concluindo o ensino médio na idade adequada até 2024. O atual PNE amplia a meta para 90% até 2036.

Pontos de atenção

- As matérias podem ampliar o olhar sobre as causas que dificultam a permanência escolar. Dificuldades financeiras para manter a frequência, necessidade de trabalhar, reprovação e dificuldades de aprendizagem, associadas ao abandono e à evasão escolar, são aspectos que podem ser explorados.

- Para além de iniciativas relacionadas a ajuda financeira para jovens de baixa renda, como o programa federal Pé-de-Meia e programas estaduais, o que pode ser feito, no âmbito das políticas públicas, para lidar com outros fatores que interrompem a trajetória escolar?

 

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