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Antônio Cruz/Agência Brasil
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Censo Escolar 2025: para ir além da cobertura dos números gerais

EJA, Educação profissional e técnica e recortes por gênero e raça/cor são possíveis caminhos para análises dos dados do Censo, divulgado pelo MEC nesta quinta-feira (26/2)

27/02/2026
Redação Jeduca

Em 2025, houve redução de mais de 1 milhão de matrículas na educação básica em comparação a 2024, aponta o Censo Escolar 2025, divulgado nesta quinta-feira (26/2). A queda pode ser explicada por mudanças na estrutura demográfica e a melhoria do fluxo escolar, em especial, redução da reprovação escolar, segundo o MEC (Ministério da Educação) e Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsáveis pelo levantamento. 

 

Com base nos resultados do Censo Escolar é possível produzir diversas pautas, que ajudam a diagnosticar, analisar e aprofundar diferentes aspectos da educação básica, os desafios e tendências.

 

Os resultados estão disponíveis no site do MEC. A coletiva de imprensa, realizada nesta manhã, está no canal do YouTube do ministério. 

 

Dados gerais: matrículas, turmas e estabelecimentos

 

Matrículas: 46.018.380

 

Rede pública: 36.772.996

Rede privada: 9.245.384

 

Urbana: 31.720.135

Rural: 5.147.214

 

Turmas: 2.233.976

Escolas: 1.787.66

 

 
 

Em 2025, as matrículas ficaram abaixo do registrado em 2024 (47.088.922). O Censo aponta que todas as etapas da educação básica apresentaram redução no número absoluto de estudantes. No entanto, segundo o MEC, a redução não se deve a abandono e evasão. De um lado, ela pode ser explicada pela diminuição da população em idade de frequentar a escola (4-17 anos), conforme a Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) 2024, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 2024. De outro, a explicação pode ser a melhoria da eficiência do sistema - ou seja, ao aumento da quantidade de estudantes na série esperada para a idade e redução da reprovação, disponíveis nos Gráficos 2 e 3 da apresentação da coletiva de imprensa

 

Outros dados de fluxo escolar, que poderiam ajudar a compreender o fenômeno, não foram divulgados nesta etapa de divulgação do Censo Escolar. A previsão é que sejam publicizados em maio.

 

A queda mais significativa de matrículas em números absolutos foi no ensino médio (7.370.879 matrículas): 419 mil matrículas a menos do em relação a 2024 (7.790.396). Nesta etapa, a principal justificativa do MEC para a queda é a diminuição do percentual de reprovação e da distorção idade-série. Os dados sinalizam uma queda de 61% da distorção idade-série na 3ª série do ensino médio, o que foi interpretado como um aumento do número de estudantes concluindo a etapa e deixando o sistema de ensino.

 

 A seguir, alguns pontos de atenção e sugestões de cobertura com base no Censo Escolar 2025.

 

Pontos de atenção

 

  • Diante da queda do número de matrículas, especialmente no ensino médio, os jornalistas podem apurar a situação de cada município ou estado e repercutir com especialistas possíveis causas. Há cenários discrepantes, com estados registrando aumento de matrículas, e outros redução. O que explica, de fato, esse cenário? Melhoria das taxas de abandono, evasão e taxa de aprovação? A oferta de ensino técnico como itinerário formativo no ensino médio?


  • Com relação ao ensino médio, um ponto de atenção é o impacto do programa Pé-de-meia, criado em 2024 pelo MEC, para combater a evasão e o abandono de jovens com baixo nível socioeconômico, por meio da oferta de auxílio financeiro. De acordo com o MEC, quando for divulgada a segunda etapa de dados do Censo Escolar 2025 será possível dimensionar o impacto do programa.


Transtornos

Uma das novidades do Censo em 2025 é a divulgação do número de estudantes com transtornos que impactam o desenvolvimento da aprendizagem. Ao todo, 589.932 estudantes apresentam algum tipo de transtorno.


TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade)

460.781 

Discalculia

669.35 

Dislexia 

63.882 

Disgrafia

76.222 

Dislalia

77.919 

TPAC
(Transtorno do Processamento Auditivo Central)

13.417 

Fonte: Inep/MEC - Censo Escolar 2025.

 

Ponto de atenção

  • A partir dos novos dados, os jornalistas podem aprofundar os desafios que envolvem o ensino e aprendizagem desse público. Um caminho é olhar para os desafios do dia a dia escolar, tanto na rede pública como na particular. Que tipo de orientação e apoio os professores têm para identificar essas questões? Existem profissionais de apoio e/ou de referência? Que estratégias pedagógicas são adotadas?

 

Dados por gênero e cor/raça

 

O Censo Escolar 2025 indica um equilíbrio de gênero nas matrículas da educação básica. 

Meninas: 22.735.128 (49,4%) 

Brancas: 35%
Negras/pardas: 49,9%
Amarelas: 0,36%
Indígenas: 0,82%
Não declaradas: 13,7%

Meninos: 23.283.252 (50,6%) 

Brancos: 34,6%
Negros/pardos: 50,6%%
Amarelos: 0,36%
Indígenas: 0,83%
Não declarados: 13,4%

 

Ponto de atenção



  • É possível fazer análises por gênero e por cor/raça por etapa de ensino, identificando desigualdades entre meninas e meninos nessas dimensões. Por exemplo, a partir dos dados, é possível observar se há diferença no número de matrículas entre crianças brancas e pretas, ou também o percentual de meninas pretas matriculadas na creche e na pré-escola.

 

Educação em tempo integral

 

Matrículas: 10.143.262 

 

Rede pública: 8.856.280 

Rede privada: 1.286.982

 

Rede municipal: 6.008.437

Rede federal: 113.342

Rede estadual: 2.734.501

 

Em 2025, foram registradas novas 923 mil matrículas em tempo integral (7 horas ou mais de permanência na escola) na rede pública. As etapas com maior evolução foram o ensino fundamental (605 mil) e ensino médio (130 mil), como apontou o jornal O Globo

 

Com isso, o país alcançou parcialmente a meta 6 do atual PNE (Plano Nacional de Educação), que previa o atendimento de, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica na educação em tempo integral. 

 

Pontos de atenção

 

  • As reportagens podem buscar aprofundar  como está sendo a implementação do tempo integral nas redes públicas, aprofundando os desafios e avanços.

 

  • Vale analisar a série histórica das matrículas em tempo integral, especialmente no contexto do programa Escola em Tempo Integral. O ritmo de aumento das matrículas em tempo integral está relacionado ao programa?

  • Com a alcance parcial da meta 6 do PNE e tendo em vista a tramitação do próximo PNE no Congresso Nacional e possíveis novas metas para a modalidade, as reportagens podem chamar atenção para os desafios para ampliar essa modalidade na rede pública? 

 

 

 EJA (Educação de Jovens e Adultos)

 

Matrículas: 2.252.069

Ensino fundamental: 1.406.442

Ensino médio: 845.627

 

O Censo Escolar confirma a tendência de queda das matrículas da EJA ao longo dos últimos anos. A queda ocorreu no ensino fundamental e, de forma mais acentuada, no ensino médio. 

 

Na análise por faixa etária, a maior parte dos estudantes da EJA tem mais de 40 anos (914.684 matrículas). A segunda maior faixa etária é entre 18 a 19 anos (279.367 matrículas).

 

Matrículas na Educação de Jovens e Adultos, 2019 ? 2025

Ano 

2020

2021

2022

2023

2024

2025

Total

3.002.749 

2.962.322

2.774.428

2.589.815

2.391.319

2.252.069

Ensino fundamental

1.750.169

1.725.129

1.691.821

1.575.804

1.414.825

1.406.442

Ensino médio

1.252.580

1.237.193

1.082.607

1.014.011

976.390

845.627

Fonte: Inep/MEC - Censo Escolar 2023 e 2025



Pontos de atenção

  • As pautas podem aprofundar como estão os investimentos na EJA. Também podem, com base nos dados de faixa etária, gênero e cor/raça, traçar o perfil dos estudantes que buscam reingressar nos estudos. Outra questão pertinente é como aumentar a atratividade e promover o acesso da EJA para os estudantes mais velhos.

 

  • Segundo o Censo, 6.561 estudantes da EJA possuem até 14 anos. No entanto, de acordo com a legislação em vigor, somente é permitida a matrícula a partir de 15 anos. O que leva à entrada na EJA de alunos que, segundo a idade, deveriam estar no ensino fundamental? 

 

Educação Profissional

 

Matrículas: 3.187.976 (+611.683, em relação a 2024)

Rede pública: 2.188.8933 matrículas

Rede privada: 999.083



Em 2025, as matrículas na educação profissional aumentaram em 23,7%. Já o percentual de estudantes no ensino médio que cursam o ensino técnico passou de 11,9%, em 2021, a 20,1%, em 2025. 

 

O avanço da modalidade se deu, principalmente, em razão da reforma do ensino médio, que ampliou a oferta de EPT, um dos itinerários formativos nos quais os estudantes podem se aprofundar, como explica matéria do Estadão sobre o crescimento da educação profissional. Em 2025, foram 1.200.606 contra cerca de 900 mil em 2024.

Ponto de atenção



  • Importante chamar a atenção para a nova forma de apresentação dos dados sobre EPT com a criação do quinto itinerário em 2025, pois a maneira como são apresentados é diferente do Censo Escolar 2024, podendo causar dúvidas na comparação.

 

Educação especial

 

Matrículas: 2.458.159

Classes comuns: 2.298.005

Classes exclusivas: 160.154

 

Pontoss de atenção:

  • A oferta de AEE (Atendimento Escolar Especializado) atingiu 49,7% dos estudantes da educação especial matriculados em classes comuns. A cobertura pode aprofundar os desafios em ampliar a oferta de AEE, serviço que assegura a implementação da educação inclusiva. Como o AEE está funcionando? Ele cumpre o papel de identificar as necessidades do estudante e promover a acessibilidade na sala comum? É importante lembrar que o AEE também deve ser ofertado em escolas privadas. Como está essa oferta?


  • No fim de 2025, o MEC lançou a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva. Pode ser interessante acompanhar o impacto da política nas matrículas em classes comuns e nas classes exclusivas e escolas especializadas, assim como o efeito da política na oferta e qualificação do AEE.

 

Professores 

 

Professores: 2.407.049

Mulheres: 1.896.389

Homens: 510.660

 

Rede pública: 1.908.735

Rede privada: 573.953

 

Pontos de atenção

  • Os dados do Censo podem apoiar pautas com foco na carreira docente. Além dos dados gerais, é interessante olhar para o tipo de contratação na rede pública. A maior parte dos professores é efetivo/concursado (1.131.309), mas há um total significativo de temporários (813.010). 


  • Além da importância do vínculo do professor com a comunidade escolar, muitas vezes, os temporários atuam em condições mais precárias que os efetivados. Pesquisas e especialistas também apontam possíveis impactos negativos na aprendizagem e na qualidade do ensino. Neste sentido, vale investigar qual regime de contratação predomina em redes municipais e estaduais. Como os contratos de trabalho afetam o dia a dia da profissão?

 

 

 

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