A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) divulga nesta terça-feira (8/9) os resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2025. Os dados indicam tendência de estabilidade no desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos nas três áreas do conhecimento avaliadas - Leitura, Matemática e Ciências.
A cada edição, o Pisa enfoca uma área do conhecimento, mas avalia as três. Em 2025, o foco foi em Ciências - antes disso, a última edição com foco nesta área foi em 2015.
Cerca de 760 mil estudantes de 15 anos, de 91 países e economias, incluindo o Brasil, participaram da avaliação.
O relatório do Pisa 2025 em inglês pode ser conferido aqui. A Country Note do Brasil em português também foi disponibilizada pela organização.
Leitura
2025: 408
2022: 410
Matemática
2025: 377
2022: 379
Ciências
2025: 409
2022: 403
No Pisa, é interessante olhar para os resultados do Brasil em comparação com as médias da OCDE.
Análise do MEC (Ministério da Educação) sobre os resultados ao longo da série histórica chama a atenção para a redução da distância entre o Brasil e a média da OCDE no período de 2006 a 2025. Em 2006, a diferença da pontuação do Brasil (390) e a média da OCDE (503) era de 113 pontos. Em 2025, a diferença foi de 77 pontos - a média brasileira foi de 409 e a média da OCDE, 436. Ou seja, no período, a distância diminui 36 pontos.
O mesmo ocorre em Leitura e Matemática, de acordo com o MEC. Em Leitura, a distância entre o Brasil e a média da OCDE passou de 104 pontos no ano 2000 para 58 pontos em 2025. Em Matemática, no ano 2000, a distância era de 146 pontos, contra 92 em 2025. Leia mais aqui.
Essa análise precisa ser contextualizada e levar em conta que, ao longo da série histórica, a média da OCDE nas três áreas do conhecimento diminuiu, o que contribui para reduzir a distância entre esta e as médias brasileiras. Como aponta matéria publicada pelo Poder 360, a aproximação da média brasileira à média da OCDE não significa melhora contínua do desempenho do país.
Em Matemática, a média dos países da OCDE passou de 502 pontos, em 2000, para 469 pontos, em 2025, por exemplo.
No desempenho dos estudantes em Leitura, por exemplo, a OCDE chama atenção para a diminuição de acertos em tarefas como avaliação de informações e reflexão crítica, essenciais no contexto mundial marcado pelo uso de inteligência artificial, além do aumento dos casos de “leitura apressada” pelos estudantes.
A organização aponta no relatório que a queda no desempenho dos estudantes dos países mais ricos, que ocorreu nas três áreas avaliadas, reflete a perda de concentração e atenção, bem como a diminuição do hábito de leitura, como conta esta matéria do Estado de S.Paulo.
Neste material, “Pisa 2025 Insights and Interpretations”, disponibilizado pela OCDE, os jornalistas encontraram mais análises sobre os resultados dos países, incluindo a tendência de queda na performance em Leitura e a relação da aprendizagem com o uso das tecnologias digitais, entre outras análises.
Desempenho do Brasil por níveis de proficiência
Porcentagem de estudantes na faixa 1 (abaixo da proficiência mínima esperada)
Porcentagem de estudantes na faixa 2 (proficiência mínima esperada)
Para contexto, o nível 2 é considerado a proficiência mínima que um estudante deveria adquirir ao fim do nível equivalente aos anos finais do ensino fundamental no Brasil.
Esta edição do Pisa também avaliou as habilidades dos estudantes em resolver problemas por meio de ferramentas computacionais.
Atenção: o Pisa 2015 teve como novidade a inclusão do domínio aprendizagem no mundo digital. Os jornalistas podem acompanhar o lançamento dos resultados desse novo domínio e dados sobre proficiência dos estudantes em inglês, língua estrangeira avaliada na prova, que serão apresentados em 2027.
O Pisa 2025 também indica o impacto da diferença socioeconômica no desempenho dos estudantes, como noticiado pela Folha de S.Paulo. Em Ciências, a diferença no desempenho dos 25% de estudantes mais ricos é os 25% mais pobres é de 96 pontos. Entre os países da OCDE, essa disparidade é 85 pontos.
Nesta edição, a OCDE deu maior destaque às informações sobre o engajamento e atitudes dos estudantes relacionadas à aprendizagem e à escola. E, de forma geral, o Pisa 2025 indica que os resultados do Brasil estão próximos com os da OCDE.
Vale lembrar que esses dados são coletados a partir dos questionários socioeconômicos em todas as edições da avaliação, na qual os adolescentes responderam perguntas sobre atitudes, crenças, escolas e vida familiar.
Informações sobre a amostra do Brasil
A amostra do Pisa 2025 no Brasil foi composta por 30.140 estudantes de 1.053 escolas, sendo representativa para um universo de 2.185.000 estudantes de 15 anos (cerca de 76% da população total desta idade).
No Pisa, as provas foram compostas por questões de múltipla escolha e dissertativas em Leitura, Matemática e Ciências. Além disso, o Pisa foca em habilidades, não nos conteúdos assimilados. Para saber mais sobre a avaliação, confira esta matéria da Jeduca.
Na maioria dos países e economias, entre 2022 e 2025, houve diminuição no tempo gasto no uso de dispositivos digitais, como aponta o relatório do Pisa 2025.
Para a OCDE, os fatores que explicam essa redução podem incluir a reavaliação do uso de dispositivos digitais para a aprendizagem após a pandemia de covid-19 e até políticas escolares que restringem o uso de dispositivos digitais.
É importante lembrar que antes da aplicação do Pisa, no início de 2025, entrou em vigor a Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso desses dispositivos no ambiente escolar, segundo conta esta matéria da Jeduca.
Na avaliação de Ciências do Pisa 2025, foi incluída uma subescala de letramento ambiental, para a qual foi desenvolvida uma escala de Ciências Ambientais.
Entre os estudantes brasileiros, 49% atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em Ciências Ambientais. Entre os países da OCDE, 74% estavam nessa faixa.
Segundo a organização, o letramento ambiental envolve a capacidade dos estudantes em: