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José Cruz/Agência Brasil
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Pisa 2025: confira principais resultados do Brasil na avaliação

Avaliação internacional traça panorama sobre a aprendizagem estudantes de 15 anos, letramento ambiental, uso de recursos digitais e engajamento dos alunos com a escola e os estudos

08/09/2026
Redação Jeduca

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) divulga nesta terça-feira (8/9) os resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2025. Os dados indicam tendência de estabilidade no desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos nas três áreas do conhecimento avaliadas - Leitura, Matemática e Ciências. 

 

A cada edição, o Pisa enfoca uma área do conhecimento, mas avalia as três. Em 2025, o foco foi em Ciências - antes disso, a última edição com foco nesta área foi em 2015. 

 

Cerca de 760 mil estudantes de 15 anos, de 91 países e economias, incluindo o Brasil, participaram da avaliação. 



O relatório do Pisa 2025 em inglês pode ser conferido aqui. A Country Note do Brasil em português também foi disponibilizada pela organização.



Resultados do Brasil no Pisa 

 

Leitura

2025: 408

2022: 410

 

Matemática

2025: 377

2022: 379

 

Ciências

2025: 409

2022: 403

 

  • A OCDE destaca que os resultados do Brasil mantiveram-se na mesma faixa nas duas últimas edições do Pisa. Além disso, a organização aponta a tendência de estabilidade das médias do Brasil nas três áreas do conhecimento, tomando como referência o ano de 2015. 

 

  • Em 2015, o Brasil registrou 407 pontos em Leitura, 377 pontos em Matemática e 401 pontos em Ciências. 

 

No Pisa, é interessante olhar para os resultados do Brasil em comparação com as médias da OCDE.

  • Em Ciências, foco da edição de 2025, a média do Brasil (409) ficou 77 pontos abaixo da média da OCDE (486). Em 2006, primeira edição que enfocou a área, a média dos estudantes brasileiros alcançou 390 pontos.

  • Em Leitura, em 2025, a média brasileira permaneceu abaixo 58 pontos abaixo da média da OCDE (466).

  • Em Matemática, em 2025, o Brasil registrou 377 pontos, contra 469 pontos da OCDE, uma diferença de 92 pontos. 

 

Análise do MEC (Ministério da Educação) sobre os resultados ao longo da série histórica chama a atenção para a redução da distância entre o Brasil e a média da OCDE no período de 2006 a 2025. Em 2006, a diferença da pontuação do Brasil (390) e a média da OCDE (503) era de 113 pontos. Em 2025, a diferença foi de 77 pontos - a média brasileira foi de 409 e a média da OCDE, 436. Ou seja, no período, a distância diminui 36 pontos.

 

O mesmo ocorre em Leitura e Matemática, de acordo com o MEC. Em Leitura, a distância entre o Brasil e a média da OCDE passou de 104 pontos no ano 2000 para 58 pontos em 2025. Em Matemática, no ano 2000, a distância era de 146 pontos, contra 92 em 2025. Leia mais aqui.

 

Essa análise precisa ser contextualizada e levar em conta que, ao longo da série histórica, a média da OCDE nas três áreas do conhecimento diminuiu, o que contribui para reduzir a distância entre esta e as médias brasileiras. Como aponta matéria publicada pelo Poder 360, a aproximação da média brasileira à média da OCDE não significa melhora contínua do desempenho do país.

 

Em Matemática, a média dos países da OCDE passou de 502 pontos, em 2000, para 469 pontos, em 2025, por exemplo.

 
No desempenho dos estudantes em Leitura, por exemplo, a OCDE chama atenção para a diminuição de acertos em tarefas como avaliação de informações e reflexão crítica, essenciais no contexto mundial marcado pelo uso de inteligência artificial, além do aumento dos casos de “leitura apressada” pelos estudantes.

 

A organização aponta no relatório que a queda no desempenho dos estudantes dos países mais ricos, que ocorreu nas três áreas avaliadas, reflete a perda de concentração e atenção, bem como a diminuição do hábito de leitura, como conta esta matéria do Estado de S.Paulo

 

Neste material, “Pisa 2025 Insights and Interpretations”, disponibilizado pela OCDE, os jornalistas encontraram mais análises sobre os resultados dos países, incluindo a tendência de queda na performance em Leitura e a relação da aprendizagem com o uso das tecnologias digitais, entre outras análises.

 

 
  

Desempenho do Brasil por níveis de proficiência 

 

Porcentagem de estudantes na faixa 1 (abaixo da proficiência mínima esperada)

 

  • Em Leitura, 27% dos estudantes brasileiros estão no nível 1 de proficiência (Média da OCDE: 19%).

 

  • Em Matemática, 28% dos estudantes brasileiros se encontram no nível 1 de proficiência, contra 20% na média da OCDE.

 

  • Em Ciências, 29% dos estudantes brasileiros estão no nível 1 de proficiência. A média dos países da OCDE é 18%.

 

Porcentagem de estudantes na faixa 2 (proficiência mínima esperada)

 

Para contexto, o nível 2 é considerado a proficiência mínima que um estudante deveria adquirir ao fim do nível equivalente aos anos finais do ensino fundamental no Brasil.

  • Em Leitura, 49% dos estudantes brasileiros estão pelo menos no nível 2 de proficiência. A média da OCDE é 69%. As habilidades previstas nesta faixa incluem identificar a ideia principal em um texto e encontrar informações a partir de critérios explícitos. 

 

  • Em Matemática, 28% dos estudantes estão pelo menos no nível 2 de proficiência, contra 65% na média da OCDE. Para este nível, é esperado que os jovens consigam comparar a distância total entre duas rotas e converter preços em moedas diferentes, por exemplo.

 

  • Em Ciências, 48% dos estudantes no Brasil estão no nível 2 de proficiência, ou acima. Na média da OCDE, são 74%. Nesta faixa, os estudantes reconhecem a explicação correta de fenômenos científicos familiares.

 


Esta edição do Pisa também avaliou as habilidades dos estudantes em resolver problemas por meio de ferramentas computacionais.

  • A média dos estudantes brasileiros nessa competência foi de 406 pontos, abaixo da média de 500 pontos registrada pelos países da OCDE.

Atenção: o Pisa 2015 teve como novidade a inclusão do domínio aprendizagem no mundo digital. Os jornalistas podem acompanhar o lançamento dos resultados desse novo domínio e dados sobre proficiência dos estudantes em inglês, língua estrangeira avaliada na prova, que serão apresentados em 2027. 

 

O Pisa 2025 também indica o impacto da diferença socioeconômica no desempenho dos estudantes, como noticiado pela Folha de S.Paulo. Em Ciências, a diferença no desempenho dos 25% de estudantes mais ricos é os 25% mais pobres é de 96 pontos. Entre os países da OCDE, essa disparidade é 85 pontos. 

 

Engajamentos dos estudantes e ambiente de aprendizagem

 

Nesta edição, a OCDE deu maior destaque às informações sobre o engajamento e atitudes dos estudantes relacionadas à aprendizagem e à escola. E, de forma geral, o Pisa 2025 indica que os resultados do Brasil estão próximos com os da OCDE. 

 

Vale lembrar que esses dados são coletados a partir dos questionários socioeconômicos em todas as edições da avaliação, na qual os adolescentes responderam perguntas sobre atitudes, crenças, escolas e vida familiar.

 

  • 39% dos estudantes brasileiros relatam que planejam sua abordagem para os estudos com frequência. Na média da OCDE, são 37%. 

  • 72% dos estudantes brasileiros responderam ter curiosidade sobre assuntos diferentes. Chama atenção que o percentual ficou pouco abaixo da média da OCDE (73%). 

 

Informações sobre a amostra do Brasil

 

A amostra do Pisa 2025 no Brasil foi composta por 30.140 estudantes de 1.053 escolas, sendo representativa para um universo de 2.185.000 estudantes de 15 anos (cerca de 76% da população total desta idade).



No Pisa, as provas foram compostas por questões de múltipla escolha e dissertativas em Leitura, Matemática e Ciências. Além disso, o Pisa foca em habilidades, não nos conteúdos assimilados. Para saber mais sobre a avaliação, confira esta matéria da Jeduca.

 

 
 

Recursos digitais

 

Na maioria dos países e economias, entre 2022 e 2025, houve diminuição no tempo gasto no uso de dispositivos digitais, como aponta o relatório do Pisa 2025. 


Para a OCDE, os fatores que explicam essa redução podem incluir a reavaliação do uso de dispositivos digitais para a aprendizagem após a pandemia de covid-19 e até políticas escolares que restringem o uso de dispositivos digitais.


  • No Brasil, 81% dos estudantes frequentam escolas com medidas para restrição do uso de celulares (Em 2022, eram 37%). O percentual está bem acima da média da OCDE: 49%. 


  • Porém, como conta esta outra matéria da Folha de S.Paulo, a restrição ao uso de celulares no Brasil não veio acompanhada da integração das tecnologias digitais ao aprendizado. É o que aponta o Indicador de Capacidade Digital das Escolas, divulgado pela OCDE. No índice, que considera valores negativos, o Brasil possui -0,86, contra -0,03 na média da OCDE.

É importante lembrar que antes da aplicação do Pisa, no início de 2025, entrou em vigor a Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso desses dispositivos no ambiente escolar, segundo conta esta matéria da Jeduca.


  • O relatório também aponta uma associação entre distração digital na sala de aula e desempenho. Nos países da OCDE, estudantes que relataram distração digital nas aulas de Ciências tiveram, em média, 11 pontos a menos em Ciências do que aqueles que não relataram distração. Entre os estudantes brasileiros, a diferença é de 19 pontos a menos.

Preparação dos jovens brasileiros aos desafios ambientais


Na avaliação de Ciências do Pisa 2025, foi incluída uma subescala de letramento ambiental, para a qual foi desenvolvida uma escala de Ciências Ambientais. 


Entre os estudantes brasileiros, 49% atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em Ciências Ambientais. Entre os países da OCDE, 74% estavam nessa faixa.


Segundo a organização, o letramento ambiental envolve a capacidade dos estudantes em:

  • Explicar os impactos das interações humanas com os sistemas da Terra;

  • Tomar decisões fundamentadas e agir com base na avaliação de diferentes fontes de evidências e na aplicação do pensamento criativo e sistêmico para proteger o meio ambiente;

  • Demonstrar esperança e respeito por diferentes perspectivas na busca de soluções para crises socioecológicas.

 

Pontos de atenção

 

  • Cuidado ao fazer comparações. Procure comprar o Brasil com sistemas de ensino, economias ou países de perfil semelhante.

  • Colocar a educação brasileira em perspectiva internacional através do Pisa significa mais do que identificar a posição do Brasil no ranking. O relatório do Pisa apresenta um panorama mundial, permitindo contextualizar desafios brasileiros, como a aprendizagem, em nível internacional. O relatório discute, por exemplo, a queda generalizada de proficiência nas áreas avaliadas - fenômeno geralmente associado aos impactos da pandemia de covid-19. Porém, na visão da OCDE, é preciso aprofundar, pois já havia sinais dessa tendência antes da pandemia, possivelmente relacionados ao uso de tecnologia e a características dos sistemas de ensino.

  • O relatório do Pisa contém informações sobre clima escolar, relacionamento dos estudantes com a escola, impulso para aprendizagem, entre outros tópicos. Todos esses temas podem virar pautas.

  • O desempenho do Brasil no exame pode ser objeto de pautas, tomando como ponto de partida a visão da OCDE que analisa a tendência à estabilidade do desempenho do país e a análise do MEC que enfatiza os ganhos do país ao longo do tempo. São dois pontos de vista distintos da trajetória do país, que podem render reportagens que aprofundem os desafios e avanços da educação básica brasileira.

 

  • Outro aspecto do relatório que pode render boas pautas é a relação dos adolescentes com a tecnologia e seus impactos na aprendizagem e na relação com o estudo e a escola. 

 

 
 

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