Em 2026, pela primeira vez desde que foi criado o Sisu (Sistema de Seleção Unificado) aceitará notas de edições anteriores do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). As inscrições para o Sisu, principal porta de entrada para o ensino superior público no país, serão abertas de 19 a 23 de janeiro.
Neste ano, o Sisu, que reúne e organiza as vagas de universidades e institutos federais, assim como universidades estaduais e municipais, ofertará 274,8 mil vagas em 7.388 cursos de graduação, distribuídos em 136 instituições, segundo o MEC (Ministério da Educação), responsável pelo gerenciamento do sistema.
Em outubro passado, o MEC anunciou novidades para o Sisu 2026. A principal mudança é que, a partir deste ano, o Sisu passará a considerar automaticamente a melhor nota válida do candidato entre as últimas três edições do Enem (2023, 2024 e 2025), segundo o Edital nº 29/2025. Antes, era utilizada apenas a nota do Enem realizado no ano anterior.
Com a mudança, mesmo que o estudante não tenha feito o Enem 2025, ele poderá se inscrever se tiver participado do exame em edições anteriores, o que pode levar ao aumento do número de candidatos concorrendo a vagas pelo Sisu, uma vez que a nova regra amplia o público apto a participar do processo seletivo.
De acordo com matéria do jornal O Globo, ao final do processo, ou seja, após as chamadas, a convocação da lista de espera e dos processos seletivos das instituições, as vagas não preenchidas poderão ser ofertadas somente para os estudantes que participaram do Enem 2025, que manifestem interesse.
Um possível impacto da mudança é o favorecimento de candidatos que prestam o Enem há mais anos, apontaram professores em matéria publicada pelo g1. Além disso, tendo em vista que o Sisu irá considerar as médias mais altas dos ingressantes, a tendência é que as notas de corte de cursos mais concorridos subam.
Em contrapartida, a mudança pode ampliar o acesso de alunos de baixa renda ao ensino superior, uma vez que aqueles que não fizeram o Enem 2025 poderão concorrer a vagas no Sisu.
Diante do aumento do número de candidatos a vagas, outro possível efeito da mudança é a diminuição da ociosidade nas instituições públicas. Em instituições federais, cuja principal porta de entrada é o Sisu, 76,5% das vagas oferecidas foram ocupadas em 2024, de acordo com o Censo da Educação Superior.
A taxa de ocupação em instituições estaduais e municipais foi de 81,5% e 30,5%, respectivamente, segundo o Censo.
Já o preenchimento de vagas remanescentes em instituições federais alcançou 19%. Nas instituições estaduais, 26,7% das vagas remanescentes foram preenchidas, enquanto que, nas municipais, esse percentual atingiu 17%.
Para pesquisador entrevistado em reportagem da TV Cultura, um dos fatores que contribui para a ociosidade de vagas é a dinâmica de seleção pelo Sisu. Por apresentar ao candidato somente as notas de corte do resultado da primeia chamada para matrícula do ano anterior, a dinâmica de seleção não reflete as oportunidades das listas de espera, que tendem a ter notas de corte menores, o que limita a estratégia dos estudantes.
No Sisu, a classificação e seleção dos candidatos é realizada a partir da nota do Enem. Cada candidato pode selecionar até duas opções de curso.
Durante o período em que o sistema fica aberto, os participantes podem alterar as opções de cursos de acordo com as classificações e notas de corte parciais, calculadas pelo sistema diariamente com base nas inscrições. As notas e classificações parciais orientam as estratégias dos candidatos, que podem alterar suas opções de curso e instituição de ensino, por exemplo, enquanto o sistema está aberto.
Em 2024, o Sisu passou a ter apenas uma edição anual, reunindo vagas para ingresso no primeiro e no segundo semestre. Antes, eram realizadas duas edições, uma no início e outra no meio do ano.
Nesse ano, Sisu foi adequado à Lei de Cotas (º 14.723/2023), que alterou o mecanismo de ingresso de cotistas, reduziu a faixa de renda familiar para vagas reservadas e incluiu quilombolas como beneficiários, conforme explica matéria da Jeduca.
Enem 2025
O Enem 2025, cujos resultados serão divulgados em 16 de janeiro, contou com 4.018.414 inscritos, dos quais 70% participaram dos dois dias de prova. Já as edições de 2023 e 2024 do exame, que também serão consideradas no Sisu, registraram, respectivamente, 2.734.100 participantes (68% dos inscritos) e 3.180.388 (73,5% dos 4.325.960 inscritos).