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Sisu 2026: entenda as mudanças e possíveis impactos no acesso ao ensino superior

Nova dinâmica, anunciada pelo MEC em outubro passado, pode afetar a variação nas notas de corte, acesso e ociosidade de vagas em universidades e outras instituições de ensino públicas

14/01/2026
Redação Jeduca

Em 2026, pela primeira vez desde que foi criado o Sisu (Sistema de Seleção Unificado) aceitará notas de edições anteriores do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). As inscrições para o Sisu, principal porta de entrada para o ensino superior público no país, serão abertas de 19 a 23 de janeiro.

 

Neste ano, o Sisu, que reúne e organiza as vagas de universidades e institutos federais, assim como universidades estaduais e municipais, ofertará 274,8 mil vagas em 7.388 cursos de graduação, distribuídos em 136 instituições, segundo o MEC (Ministério da Educação), responsável pelo gerenciamento do sistema.

 

Sisu 2026

 

Em outubro passado, o MEC anunciou novidades para o Sisu 2026. A principal mudança é que, a partir deste ano, o Sisu passará a considerar automaticamente a melhor nota válida do candidato entre as últimas três edições do Enem (2023, 2024 e 2025), segundo o Edital nº 29/2025. Antes, era utilizada apenas a nota do Enem realizado no ano anterior.

 

Com a mudança, mesmo que o estudante não tenha feito o Enem 2025, ele poderá se inscrever se tiver participado do exame em edições anteriores, o que pode levar ao aumento do número de candidatos concorrendo a vagas pelo Sisu, uma vez que a nova regra amplia o público apto a participar do processo seletivo.

 

  • Como vai funcionar: de acordo com as novas regras, durante a seleção, o Sisu selecionará automaticamente a nota da edição do Enem que resultar na melhor média ponderada para cada opção de curso do candidato, levando em consideração as cotas afirmativas.

 

  • Serão consideradas como edições do Enem válidas apenas aquelas em que o candidato não tenha zerado a redação e não seja treineiro, ou seja, estudante que ainda não concluiu o ensino médio.



  • Em caso de empate entre as médias ponderadas, o Sisu irá considerar a nota em que o candidato tiver a melhor média em uma das disciplinas de acordo com a ordem de prioridade. 

 

De acordo com matéria do jornal O Globo, ao final do processo, ou seja, após as chamadas, a convocação da lista de espera e dos processos seletivos das instituições, as vagas não preenchidas poderão ser ofertadas somente para os estudantes que participaram do Enem 2025, que manifestem interesse.

 

Um possível impacto da mudança é o favorecimento de candidatos que prestam o Enem há mais anos, apontaram professores em matéria publicada pelo g1. Além disso, tendo em vista que o Sisu irá considerar as médias mais altas dos ingressantes, a tendência é que as notas de corte de cursos mais concorridos subam.

 

Em contrapartida, a mudança pode ampliar o acesso de alunos de baixa renda ao ensino superior, uma vez que aqueles que não fizeram o Enem 2025 poderão concorrer a vagas no Sisu.

 

Diante do aumento do número de candidatos a vagas, outro possível efeito da mudança é a diminuição da ociosidade nas instituições públicas. Em instituições federais, cuja principal porta de entrada é o Sisu, 76,5% das vagas oferecidas foram ocupadas em 2024, de acordo com o Censo da Educação Superior

 

A taxa de ocupação em instituições estaduais e municipais foi de 81,5% e 30,5%, respectivamente, segundo o Censo.

 

Já o preenchimento de vagas remanescentes em instituições federais alcançou 19%. Nas instituições estaduais, 26,7% das vagas remanescentes foram preenchidas, enquanto que, nas municipais, esse percentual atingiu 17%.

 

Para pesquisador entrevistado em reportagem da TV Cultura, um dos fatores que contribui para a ociosidade de vagas é a dinâmica de seleção pelo Sisu. Por apresentar ao candidato somente as notas de corte do resultado da primeia chamada para matrícula do ano anterior, a dinâmica de seleção não reflete as oportunidades das listas de espera, que tendem a ter notas de corte menores, o que limita a estratégia dos estudantes.

 

Como funciona o Sisu

 

No Sisu, a classificação e seleção dos candidatos é realizada a partir da nota do Enem. Cada candidato pode selecionar até duas opções de curso.

 

Durante o período em que o sistema fica aberto, os participantes podem alterar as opções de cursos de acordo com as classificações e notas de corte parciais, calculadas pelo sistema diariamente com base nas inscrições. As notas e classificações parciais  orientam as estratégias dos candidatos, que podem alterar suas opções de curso e instituição de ensino, por exemplo, enquanto o sistema está aberto.

 

Em 2024, o Sisu passou a ter apenas uma edição anual, reunindo vagas para ingresso no primeiro e no segundo semestre. Antes, eram realizadas duas edições, uma no início e outra no meio do ano.

 

Nesse ano,  Sisu foi adequado à Lei de Cotas (º 14.723/2023), que alterou o mecanismo de ingresso de cotistas, reduziu a faixa de renda familiar para vagas reservadas e incluiu quilombolas como beneficiários, conforme explica matéria da Jeduca.

 

Enem 2025

 

O Enem 2025, cujos resultados serão divulgados em 16 de janeiro, contou com 4.018.414 inscritos, dos quais 70% participaram dos dois dias de prova. Já as edições de 2023 e 2024 do exame, que também serão consideradas no Sisu, registraram, respectivamente, 2.734.100 participantes (68% dos inscritos) e 3.180.388 (73,5% dos 4.325.960 inscritos).

 

Pontos de atenção na cobertura: 

  • Vale acompanhar o impacto que a mudança terá na concorrência no Sisu. Como ficarão as notas de corte ao longo dos dias, tanto para cursos mais concorridos quanto para cursos com menor demanda?

  • Um dos pontos a acompanhar é se o novo formato irá, de fato, atrair candidatos que fizeram o Enem em 2023 e/ou 2024. O número de inscritos e de aprovados aumentou em relação aos anos anteriores? Esses números devem ser divulgados no balanço do resultados do Sisu 2026.

  • A mudança no Sisu é uma oportunidade para pautas sobre evasão, apontada como uma das causas para a ociosidade de vagas no ensino superior, e a questão da permanência estudantil. Como está a disposição de recursos para permanência estudantil nas instituições públicas? Quais são as políticas de permanência existentes? Na prática, como funcionam os processos para que os estudantes recebam os auxílios de permanência em instituições federais e estaduais? Os recursos financeiros são suficientes para os custos com aluguel, alimentação e transporte dos universitários? Os auxílios são acumulativos?

 

 
 

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