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Antônio Cruz/Agência Brasil
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Censo Escolar 2025: confira principais resultados e pontos de atenção sobre trajetória escolar

A segunda etapa dos resultados do levantamento realizado pelo Inep mostra como está o abandono escolar, aprovação e reprovação dos estudantes na educação básica

26/06/2026
Redação Jeduca

Novos resultados do Censo Escolar 2025, divulgados pelo MEC (Ministério da Educação) nesta sexta-feira (26/6), indicam como está a trajetória dos estudantes brasileiros na educação básica com relação à aprovação, reprovação e abandono escolar.

 

Apesar de apontarem para a melhora nos três indicadores em todas as etapas de ensino em relação a 2024, os dados mostram que o abandono escolar e a reprovação continuam concentrados no fim da trajetória escolar — anos finais do ensino fundamental e ensino médio —, atingindo principalmente os estudantes mais velhos.

 

 

Os resultados do Censo Escolar 2025 sobre trajetória escolar podem ser acessados aqui.

 

 

Abandono escolar 

 

  • Em 2025, os anos finais do ensino fundamental registraram uma taxa de abandono de 0,9% - diminuição de 2,3 pontos percentuais em relação a 2015 (3,2%). Em 2024, o percentual atingiu 1,1%.

  • Na educação básica, o abandono é maior no ensino médio (2,2%). Apesar disso, é importante destacar que o número de jovens que abandonam os estudos na etapa vem diminuindo desde 2015 (6,8%). A queda é de 4,6 pontos percentuais na década. 

 

Um ponto de atenção é o ritmo de diminuição do abandono escolar no ensino médio público. Entre 2024 (3,6%) e 2025 (2,5%), o abandono diminuiu 1,1 ponto percentual. Em relação a 2023 (3,7%), a queda em 2025 foi de 1,2 ponto percentual. O MEC calcula que de 2022 a 2025, o abandono no ensino médio caiu 61% e que a taxa de não retorno (estudantes que interrompem os estudos num ano e não voltam mais) diminuiu 28%.

Os dados representam um avanço em relação ao período da pandemia de covid-19, quando o abandono chegou a 5,6% (2021). 

 

Vale lembrar que o período 2024-2025 abrange o primeiro ano de implementação de políticas federais voltadas à etapa de ensino, como o Pé-de-Meia, lançado em novembro de 2023, e o Escola em Tempo Integral, anunciado pelo MEC em julho do mesmo ano. 

 

A redução no período pós-pandemia tem ritmo menor do que antes da pandemia: entre 2019 (5,4%) e 2020 (2,5%), o abandono escolar diminuiu 2,7 pontos percentuais.

 

  • O índice de abandono nos anos finais do ensino fundamental na rede pública (1%) é superior à média da etapa, considerando as redes pública e privada (0,9%). No ensino fundamental público, os maiores índices de abandono são registrados no 8º e no 9º anos, ambos com 1,1%. Nos demais anos, o percentual é de 0,8% no 6º ano e de 1% no 7º ano. 

 

A permanência traz benefícios como a diminuição da exposição à violência, o desenvolvimento da cidadania e aumento no acesso ao ensino superior. No entanto, também é necessário assegurar a aprendizagem e desenvolvimento das habilidades esperadas para cada etapa de ensino, segundo destaca uma matéria do g1

 

Pontos de atenção

  • Ao olhar para essas etapas, é importante lembrar que elas possuem aspectos específicos. Nos anos finais, existem desafios históricos (distorção idade-série e evasão escolar) e as especificidades das adolescências. Para o ensino médio,  há o debate sobre a reforma do currículo e necessidade de maior flexibilidade da etapa, visando incentivar o interesse e permanência dos jovens.

  • O abandono escolar é um problema complexo e multifatorial, cujas causas podem incluir a necessidade de trabalhar, questões familiares, falta de conexão com a escola, gravidez na adolescência, entre outros, segundo material do Instituto Ayrton Senna.

  • As redes estaduais e municipais possuem políticas específicas para combater o abandono e a evasão nos anos finais e ensino médio? Como essas iniciativas se articulam com as dificuldades das etapas? Além disso, vale conversar com gestores, professores, que convivem diariamente com estudantes, e, sempre que possível, procure ouvir os próprios jovens.

 

 
 
 

Aprovação e reprovação escolar 

 

  • Nos anos finais do ensino fundamental, a média de estudantes aprovados aumentou de 85,7%, em 2015, para 96,2% em 2025. O percentual de aprovação em 2024 foi de 94,1%.

  • No ensino médio, o índice de aprovação alcançou 94,8%, em 2025. O percentual cresceu em relação a 2015 (81,7%). Em 2024, o índice atingiu 91,7%. O MEC calcula que, no ensino médio público, a aprovação subiu 11% ao passo que a reprovação caiu 62%.

  • A taxa de reprovação, ou seja, a média de estudantes que não alcançaram os critérios mínimos para conclusão da etapa de ensino, foi menor nos anos iniciais (1,5%) do ensino fundamental do que nos anos finais (2,9%). Em relação a 2015 (11,1%), a análise histórica mostra que esse percentual vem diminuindo nos anos finais da etapa.

  • No ensino médio, o índice de reprovação passou de 11,5%, em 2015, para 3% em 2025, o que expressa uma queda 8,5 pontos percentuais em dez anos.

  • A distorção idade-série no ensino médio público, que corresponde a média de estudantes com mais de 2 anos de atraso escolar, passou de 30,4%, em 2015, para 17,6%, em 2025, no ensino médio público, segundo mostra a apresentação oficial dos resultados do MEC.

Matéria do Estado de S.Paulo chama a atenção para a relação entre o aumento dos indicadores de aprovação e adoção de critérios mais flexíveis para a progressão dos estudantes pelos estados. 


O indicador de aprovação é considerado no cálculo do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) junto ao desempenho dos alunos nas avaliações do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica).

 

No Pará, onde a taxa de aprovação no ensino médio da rede estadual atingiu 99%, houve aumento no número de faltas necessárias para que o estudante fosse reprovado. Além do Pará, outros três estados também alcançaram índice de aprovação de 99% nessa etapa e rede de ensino: Piauí, Mato Grosso e Espírito Santo, segundo a Folha de S.Paulo

 

Pontos de atenção

  • As pautas podem aprofundar as causas e efeitos da queda da reprovação na década. Quais são os motivos? Em que medida a queda da reprovação está ou não associada à aprendizagem? E com a queda do abandono? Há estudos sobre isso?

  • Na cobertura, vale acompanhar o avanço no Congresso Nacional do Projeto de Lei 5136/2019, que tramita na Câmara dos Deputados. Em 2025, por conta do PL, voltou ao debate público o fim da adoção do Regime de Progressão Continuada, previsto pela LDB (Lei de Diretrizes Básicas da Educação), e os impactos da reprovação na trajetória escolar dos estudantes no ensino fundamental e médio.

  • No debate sobre progressão continuada, é importante considerar os impactos da reprovação na trajetória dos estudantes. Segundo professora da Faculdade de Educação da USP, os efeitos negativos incluem impactos na autoestima dos alunos e em suas relações sociais, já que estar em turmas com colegas mais novos pode levar ao isolamento.

  • Matéria publicada pelo Porvir reúne estudos recentes que indicam que a reprovação não acarreta melhora no desempenho acadêmico. Além disso, a matéria destaca que estudantes que foram reprovados muitas vezes podem sofrer as consequências do estigma escolar: rótulos de fracasso e  discriminação.

 

 

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