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Tomaz Silva/Agência Brasil
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Education at a Glance 2026: dados são pontos de partida para pautas sobre carreira docente

Relatório divulgado anualmente pela OCDE reúne informações sobre escassez de professores, investimentos em educação, acesso, escolaridade e trajetória escolar

29/09/2026
Redação Jeduca

O relatório Education at a Glance 2026 foi lançado nesta terça-feira (29/9) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A partir dos dados e informações do relatório, que teve como tema principal a escassez de professores, os jornalistas podem aprofundar a cobertura em questões relacionadas à carreira docente e ao investimento em educação, entre outros aspectos. 

 

Participaram da edição de 2026, os 38 países da OCDE, além da Argentina, Brasil, Bulgária, Croácia, República Popular da China, Índia, Indonésia, Peru, Romênia, Arábia Saudita e África do Sul.

 

O lançamento do relatório ocorreu em webinar realizado pela organização internacional nesta manhã.

 

Nesta cobertura, os jornalistas podem se guiar pelo Country Notes do Brasil, material disponibilizado pela OCDE que compila os principais dados do país.

  • A Country Notes do Brasil está disponível (em inglês) para download aqui.

 

  • Já o relatório completo da Education at a Glance 2026 pode ser baixado na íntegra no site da OCDE.

 

 
 

Antes de se debruçar nos dados do Education at a Glance, leve em consideração que:

  • Nem todos os dados estão disponíveis para todos os países e os anos de referência para cada país podem ser diferentes;.

  • Os dados utilizados para compor o relatório são fornecidos pelo governo de cada país;

  • É importante ter cuidado ao fazer comparações entre indicadores de anos diferentes e entre países. Por vezes, a OCDE modifica a metodologia de cálculo dos indicadores, o que inviabiliza a comparação entre resultados de anos diferentes;

  • Vale também tomar cuidado ao comparar dados entre países. Leve em consideração as características e particularidades de cada um para evitar comparações indevidas.

Escassez de professores

Esta seção centraliza alguns dos dados do Brasil sobre escassez de professores, que foi tema do Education at a Glance 2026. 


  • De acordo com o relatório, no Brasil, 9% dos professores do ensino fundamental e do ensino médio em escolas públicas não eram qualificados no período entre 2024 e 2025. A média brasileira está próxima da média dos países que compõem a OCDE: 9,1%. 

O relatório define profissionais não qualificados como aqueles que não cumprem os requisitos para aquela determinada etapa segundo as regulamentações de cada país.


  • Na Talis 2024, outro estudo da OCDE, 44,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental disseram estar satisfeitos com as condições de trabalho, enquanto que 22,3% relataram satisfação com a remuneração. As médias da OCDE são 68,4% e 38,7%, respectivamente.

  • No Brasil, os professores do ensino fundamental público recebem US$ 25,7 mil por ano (R$ 134 mil), sendo que o valor é o mesmo para anos iniciais e finais, noticiou o Estado de S.Paulo. A média salarial dos docentes de anos finais entre os países da OCDE atinge U$ 49,7 mil (R$ 259 mil).

  • No Brasil, 10,3% dos professores considerados qualificados do ensino fundamental e médio deixaram a profissão em 2022. Já a média da OCDE é de 6,4%, considerando o período de 2024 a 2025.

  • Matéria publicada em O Globo destacou o aumento do número de professores que relatam estresse diante de situações de indisciplina dos alunos, cenário observado em escolas públicas e privadas de todo o mundo. No Brasil, 89,4% dos docentes dizem ter de lidar sempre ou frequentemente com alunos indisciplinados (média da OCDE: 72%).

  • Quanto ao tipo de contratação dos professores, no Brasil, 63,5% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental possuíam contratos permanentes (Média da OCDE: 81%).

  • No Brasil, 37% dos professores dos anos finais do ensino fundamental eram temporários, contra 19% da média da OCDE, como noticiado pela Folha de S.Paulo, que destacou as análises que associam a insegurança no emprego e contratações temporárias a menor satisfação e comprometimento profissional e maior rotatividade, especialmente entre professores jovens.

    Sobre o período dos contratos temporários no país, 18,7% dos professores tinham contratos temporários de mais de um ano letivo, enquanto 17,8% tinham contratos de trabalho com duração de um ano ou menos, em 2024, acima das médias da OCDE (5,7% e 13,6%, respectivamente). 

  • Entre 2015 e 2024, o número de professores dos anos iniciais do ensino fundamental nas escolas públicas e privadas aumentou 4% no Brasil, enquanto o número de estudantes diminuiu 7%. Nos países da OCDE, o aumento no número de docentes foi de 13%, enquanto o de estudantes foi de 2%. 

 

Pontos de atenção

  • Os dados do relatório podem ser o ponto de partida para pautas sobre questões ligadas à carreira docente, como a formação e qualificação docente e os impactos do aumento de professores temporários nas redes públicas, por exemplo.

  • A partir dos dados do Censo Escolar, os jornalistas podem verificar como está a situação em cada estado e/ou município quanto ao tipo de contratação de professores. Na rede estadual e municipal, qual o percentual de docentes com contrários efetivos? E temporários?

  • Outro ponto de atenção é a seleção de professores e a frequência com que concursos públicos são realizados pelos estados e prefeituras.

  • As reportagens podem aprofundar as razões pelas quais os docentes abandonam o magistério. O que motiva a transição de carreira para outras áreas fora da educação? E a mudança da rede estadual para a municipal ou para o ensino superior, por exemplo? Esta reportagem publicada no projeto Colabora, fruto de pauta selecionada pelo 5º Edital de Jornalismo de Educação da Jeduca, exemplifica como questões nacionais da carreira docente podem ser exploradas do ponto de vista regional.

  • Além disso, procure escutar os professores, que podem falar sobre os principais desafios enfrentados no dia a dia em sala de aula e como o tipo de contratação afeta o cotidiano do trabalho escolar.

 

 
 

Recursos financeiros investidos na educação


  • De acordo com o relatório, no Brasil, o gasto público por estudante foi de US$ 4.133 em 2023, considerando o ensino fundamental até o ensino superior. A média dos países que compõem a OCDE foi US$ 13.601.

  • Em 2023, o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) investido nos anos finais do ensino fundamental no Brasil atingiu 1,23%. Na média dos países da OCDE, o investimento do PIB em educação é de 0,74%.

  • Como noticiado pelo g1, nos anos iniciais do ensino fundamental, considerando somente a rede pública, o Brasil gasta US$ 4.999, contra US$ 13.442 da média dos países que compõem a OCDE. Apesar do Brasil estar entre os países que mais destinam o PIB para a educação, é preciso considerar a representação dessa porcentagem em países com diferentes níveis de riqueza, como explica a matéria.

Ainda segundo os especialistas consultados na matéria, é preciso considerar, como indicador, o gasto por aluno que chega às escolas. Além disso, como o Brasil possui mais estudantes na educação básica do que a maioria dos países membros da OCDE, os recursos investidos são mais fracionados.

  • O relatório aponta que os gastos com educação tendem a aumentar conforme a etapa de ensino. Em 2023, no Brasil, ao considerar os sistemas público e privado, o investimento por estudante passou de US$ 4.064 nos anos iniciais para US$ 4.390 nos anos finais do ensino fundamental.

  • Esses valores estão abaixo da média dos países da OCDE, de US$ 12.893 e US$ 14.291, respectivamente.

 

Ponto de atenção



  • As pautas podem aprofundar como se dá a distribuição e o uso dos recursos na educação. No Brasil, 75% das despesas correntes (relacionadas ao funcionamento das instituições) das escolas de ensino fundamental vão para a remuneração de pessoal (Média da OCDE: 79%), segundo o relatório.

 

 
 

O desempenho das instituições educacionais e o impacto da aprendizagem

  • No Brasil, 22% dos adultos na faixa etária entre 25 e 64 anos tinham ensino superior em 2024, percentual abaixo da média registrada pela OCDE (43%).

  • Em contrapartida, o percentual de adultos que concluíram o ensino médio ou alguma formação pós-educação básica, mas que é não considerada de nível superior, é de 40% (Média da OCDE: 39%).

  • Entre 2016 e 2024, diminuiu de 35% para 26% o número de adultos com entre 25 a 34 anos sem ensino médio no Brasil. A média dos países da OCDE chegou a 12% em 2025.

  • O relatório mostra que a proporção de jovens de 18 a 24 anos que não estudavam nem trabalhavam vem diminuindo no Brasil. O percentual passou de 27% em 2016 para 22% em 2024. Ainda assim, o índice está acima da média dos países da OCDE em 2025, que foi de 14%.

Pontos de atenção

  • Aqui, as reportagens podem explorar os desafios dos jovens adultos em continuar os estudos após concluírem ou não a educação básica obrigatória. Além disso, os dados da Pnad Educação, que é divulgada anualmente pelo IBGE, podem complementar as análises, pois oferecem recortes por gênero e raça e mais informações sobre os motivos pelos quais essa população não trabalha, estuda ou se qualifica.
     

  • Além disso, as pautas podem aprofundar questões como a falta de acesso ao ensino superior e as dificuldades relacionadas à permanência na etapa, tendo em vista os fatores que podem comprometer a trajetória educacional: atraso escolar e evasão.

 

 
 

Acesso à educação, participação e progressão

  • No Brasil, 79% dos estudantes do ensino médio concluíram a formação geral básica ou EPT (Educação Profissional e Técnica) em até dois anos após o prazo previsto, enquanto que 20% abandonaram os estudos antes da conclusão dessa etapa.
     
  • No ano seguinte à conclusão dos anos finais do ensino fundamental, 87% dos estudantes brasileiros estão matriculados no ensino médio ou em outro programa educacional. Em contrapartida, 4% estão repetindo o último ano dos anos finais e 8% não estão matriculados na educação formal.

  • Segundo o recorte por gênero, as mulheres (83,1%) têm maior chance de concluir o ensino médio do que os homens (75,6%) no Brasil, o que representa uma diferença de 7 pontos percentuais.

    A disparidade é menor entre os demais países com dados disponíveis (5 pontos percentuais), onde a conclusão é de 84,4% entre as mulheres e 79,2% entre os homens. 

Informações sobre o Education at a Glance

Publicado anualmente pela OCDE, o Education at a Glance é uma espécie de anuário que reúne diferentes dados sobre a educação, possibilitando traçar um cenário do Brasil em relação a outros países. 

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