Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.
OK
A associação
Notícias
Guias
Congressos
Dados educacionais
Edital
Editora pública
Banco de fontes
CONTATO
ASSOCIE-SE
LOGIN ASSOCIADO
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Outros

Pisa 2025: confira dicas para se preparar para a cobertura da avaliação

Os resultados do Pisa 2025, que traça o cenário da aprendizagem de estudantes de 15 anos, devem ser divulgados pela OCDE em 8 de setembro. Saiba como se preparar para a cobertura dos dados

03/09/2026
Redação Jeduca

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulga, em 8 de setembro, os resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2025. Com informações de 91 países e economias, incluindo o Brasil, a avaliação traça um panorama da aprendizagem de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências.

 

A cobertura do Pisa, que é uma das principais avaliações educacionais em nível internacional, oferece diferentes possibilidades de enfoques e desdobramentos em reportagens. Em contrapartida, o volume de informações e o curto tempo de preparação exigem atenção dos jornalistas na seleção e contextualização dos dados.

 

Sobre o Pisa 2025

 

A edição 2025 do Pisa foi feita por 760 mil estudantes de 15 anos, de 91 países e economias, incluindo o Brasil, de acordo com informe da OCDE.

O Pisa 2025 enfocou ciências, por isso, os estudantes fizeram mais questões dessa área. Além disso, o exame  também avaliou a utilização de inteligência artificial em atividades escolares, a aprendizagem no mundo digital e a aprendizagem de inglês.

 

O Pisa é realizado a cada três anos desde 2000, enfocando  três áreas  de conhecimento (Matemática, Leitura e Ciências), porém desde 2015 o Pisa também avalia competências consideradas relevantes para o século 21. Na edição de 2022, além do enfoque em Matemática, o Pisa trouxe resultados sobre as competências de pensamento criativo e letramento financeiro dos jovens.

 

Em Pisa 2025, a novidade foi a introdução do domínio de aprendizagem no mundo digital. O foco em habilidades de aprendizagem autônomas do novo domínio, segundo a OCDE, está alinhada aos objetivos da educação para este século, especialmente em ambientes digitais e desconhecidos

 

A avaliação da aprendizagem do mundo digital abrange duas competências:

  • Problemas computacionais - refere-se à capacidade de usar ferramentas digitais para explorar sistemas, representar ideias e resolver problemas com lógica computacional. Os resultados serão divulgados em setembro de 2026.

  • Aprendizagem autorregulada - refere-se ao monitoramento e controle dos processos metacognitivos, cognitivos, comportamentais, motivacionais e afetivos durante o processo de aprendizagem. As análises serão divulgadas em 2027. 

 

Em 2027, também serão apresentados dados sobre a proficiência dos estudantes em inglês, língua estrangeira avaliada na prova. No Pisa 2029, a OCDE introduzirá o domínio de alfabetização midiática e inteligência artificial, também chamado de MAIL (sigla em inglês para Media and Artificial Intelligence Literacy)

 

Dicas de cobertura

 

Confira algumas dicas da jornalista Carolina Moreno e do economista Ernesto Faria neste vídeo da Jeduca sobre a cobertura do Pisa 2018.

 

Comparações 

Um caminho é comparar a média do Brasil em relação à média da OCDE e também de países da América Latina ou que tenham características semelhantes. 

 

No entanto, ao olhar para os dados do Brasil em comparação a países de alto desempenho no exame, é importante ter cuidado, pois o nível socioeconômico dos estudantes, as características culturais e do sistema educacional são diferentes.

 

Diversifique as análises 

Ao comparar os resultados do Brasil com outros países, é possível fazer diferentes recortes, como por faixa de nível socioeconômico, por exemplo. Existem escolas com perfil de alunos de alto ou baixo nível socioeconômico em todos os países. Será que o nível de desempenho é semelhante?

 

Na análise dos resultados do Brasil, fique atento a diferença nas médias de proficiência por rede (municipal, estadual, federal e privada), por gênero e por região.

 

Rankings

Os rankings, que indicam os países com melhor e pior desempenho, são comuns na cobertura do Pisa. 

 

  • Margem de erro: Lembre-se que o Pisa é uma avaliação amostral e por isso os cálculos são feitos considerando uma margem de erro. Assim, a diferença de posição entre dois países num ranking pode ser apenas em função da margem de erro, e não causada por uma diferença significativa de pontuação. Nesse caso, a diferença de resultados entre dois países, de tão pequena, pode não ser real.

 

  • Ao olhar para sistemas educacionais que têm alto desempenho no Pisa, lembre-se de que o resultado obtido no exame é consequência de suas políticas educacionais. Assim, evite apontar relações de causa e efeito e extrair “lições” ou “receitas” a partir dos resultados.

 

Níveis de proficiência 

A escala do Pisa é formada por seis níveis de proficiência nas três áreas avaliadas. A partir da pontuação, pode-se verificar em qual nível os estudantes estão. Os parâmetros podem mudar de uma edição para outra, então vale conferir com antecedência as habilidades esperadas, escalas de proficiência e os exemplos de questões da avaliação, que estão disponíveis neste relatório do Pisa 2025.

 

Questionário socioeconômico

No Pisa, além da prova, são aplicados questionários para os alunos e para as escolas participantes da avaliação. As respostas dos questionários são analisadas com os resultados das provas. 

 

Vale ficar atento às informações dos questionários, pois podem ajudar a ter uma visão mais ampliada do desempenho dos estudantes, da escola e do sistema educacional. 

 

Avaliação de Ciências

Tendo em vista o enfoque do Pisa 2025 em Ciências, a cobertura pode analisar a série histórica do desempenho dos estudantes brasileiros nessa área, que passou a ser avaliada pelo Pisa em 2006. A última edição com foco em Ciências foi realizada em 2015, quando a média dos estudantes brasileiros foi de 401 pontos, ante 493 pontos da média da OCDE.

 

 
 

Série histórica do Brasil no Pisa


O Brasil participa da avaliação desde a primeira edição em 2000. Assim, na hora de analisar os resultados do Brasil no Pisa 2025, é importante ter em mãos as médias do país em edições anteriores e análises da série histórica ao longo dos anos. 


  • Ponto de atenção: além do relatório geral,  a OCDE divulga uma nota sistematizando os principais resultados de cada país, a Country Note(ou Nota sobre o País, em português).  Esta é uma boa fonte para compreender o desempenho do país, que podem ser aprofundados com os dados do relatório O Country Notes do Brasil no Pisa 2022 está disponível aqui.

Abaixo, você confere um compilado dos resultados do Brasil nas últimas edições do Pisa.


(os anos em negrito indicam quando a área foi foco do Pisa)




Matemática

Ano

Proficiência média

2003

356

2006

370

2009

386

2012

389

2015

377

2018

384

2022

379


Fonte: Apresentação do Inep, com base na OCDE (Página 21).

 

  • Em 2022, a média do Brasil em Matemática (379 pontos) ficou 101 pontos abaixo da média dos estudantes dos países que compõem a OCDE (401 pontos).

  • A série histórica indica que a proficiência média do Brasil em Matemática teve um avanço significativo até 2009. Desde então, a média brasileira apresenta oscilações e queda entre 2018 e 2022 - o que pode estar relacionado aos impactos da pandemia de covid-19.

  • Em 2022, 27% dos estudantes brasileiros conseguiam comparar a distância total de duas rotas alternativas ou converter preços em uma moeda diferente, ou seja, estavam no Nível 2 de proficiência. Na média da OCDE, eram 69%.

  • 1% dos estudantes brasileiros alcançaram o Nível 1, em que conseguem selecionar, comparar e avaliar estratégias adequadas de lidar com problemas, por exemplo. Entre os países da OCDE, 9% dos estudantes estão nesse nível. 

Leitura

Ano

Proficiência média

2000

396

2003

403

2006

393

2009

412

2012

407

2015

407

2018

413

2022

410

Fonte: Apresentação do Inep, com base na OCDE (Página 21).



  • Em Leitura, a média de proficiência dos países da OCDE, em 2018 e 2022, atingiu, respectivamente, 487 e 482 pontos, acima da média brasileira.

  • Em 2022, 50% dos estudantes brasileiros atingiram o Nível 2 ou superior de proficiência, ou seja, conseguem identificar a ideia principal em um texto de extensão moderada e encontrar informações com base em critérios explícitos. O percentual está abaixo da média da OCDE (74%). 

  • Somente 2% dos estudantes atingiram o Nível 5 de proficiência, em que as habilidades envolvem a compreensão de textos longos e saber a distinção entre fato e opinião.

Ciências

Ano

Proficiência média

2006

390

2009

405

2012

402

2015

401

2018

404

2022

403

Fonte: Apresentação do Inep, com base na OCDE (Página 21).


  • Em 2022, a média dos estudantes brasileiros em Ciências (403 pontos) ficou abaixo da média dos países da OCDE (490 pontos).

  • A série histórica mostra que houve melhora na proficiência em Ciências entre 2006 (390) e 2009 (405).

  • Em Ciências, apesar da melhora da média brasileira nas últimas edições, ela não pode ser considerada estatisticamente significativa.

  • Em 2022, 25,4% estavam no Nível 2 de proficiência, conseguindo reconhecer a explicação correta para fenômenos científicos conhecidos, por exemplo. A média da OCDE foi 25,2%. 

  • 1% dos estudantes foram considerados proficientes, ou seja, alcançaram os Níveis 5 6 de proficiência. As habilidades desses estudantes incluem a aplicação de conhecimentos sobre ciências de maneira criativa e autônoma em várias situações. Na média da OCDE, foram 7%.
 

Serviço

O lançamento mundial dos resultados do Pisa 2025 será realizado no dia 8 de setembro, às 9h30 (horário local; 4h30 no horário de Brasília).

Jornalistas interessados podem solicitar os resultados e materiais. Para isso, é preciso enviar um
e-mail para embargo@oecd.org. O relatório será enviado no dia 7 de setembro (segunda-feira).

 

 
 

#Pisa2025 #OCDE

PARCEIROS FINANCIADORES
PARCEIROS INSTITUCIONAIS
ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS DE EDUCAÇÃO