A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulga, em 8 de setembro, os resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2025. Com informações de 91 países e economias, incluindo o Brasil, a avaliação traça um panorama da aprendizagem de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências.
A cobertura do Pisa, que é uma das principais avaliações educacionais em nível internacional, oferece diferentes possibilidades de enfoques e desdobramentos em reportagens. Em contrapartida, o volume de informações e o curto tempo de preparação exigem atenção dos jornalistas na seleção e contextualização dos dados.
A edição 2025 do Pisa foi feita por 760 mil estudantes de 15 anos, de 91 países e economias, incluindo o Brasil, de acordo com informe da OCDE.
O Pisa 2025 enfocou ciências, por isso, os estudantes fizeram mais questões dessa área. Além disso, o exame também avaliou a utilização de inteligência artificial em atividades escolares, a aprendizagem no mundo digital e a aprendizagem de inglês.
O Pisa é realizado a cada três anos desde 2000, enfocando três áreas de conhecimento (Matemática, Leitura e Ciências), porém desde 2015 o Pisa também avalia competências consideradas relevantes para o século 21. Na edição de 2022, além do enfoque em Matemática, o Pisa trouxe resultados sobre as competências de pensamento criativo e letramento financeiro dos jovens.
Em Pisa 2025, a novidade foi a introdução do domínio de aprendizagem no mundo digital. O foco em habilidades de aprendizagem autônomas do novo domínio, segundo a OCDE, está alinhada aos objetivos da educação para este século, especialmente em ambientes digitais e desconhecidos
A avaliação da aprendizagem do mundo digital abrange duas competências:
Em 2027, também serão apresentados dados sobre a proficiência dos estudantes em inglês, língua estrangeira avaliada na prova. No Pisa 2029, a OCDE introduzirá o domínio de alfabetização midiática e inteligência artificial, também chamado de MAIL (sigla em inglês para Media and Artificial Intelligence Literacy).
Confira algumas dicas da jornalista Carolina Moreno e do economista Ernesto Faria neste vídeo da Jeduca sobre a cobertura do Pisa 2018.
Comparações
Um caminho é comparar a média do Brasil em relação à média da OCDE e também de países da América Latina ou que tenham características semelhantes.
No entanto, ao olhar para os dados do Brasil em comparação a países de alto desempenho no exame, é importante ter cuidado, pois o nível socioeconômico dos estudantes, as características culturais e do sistema educacional são diferentes.
Diversifique as análises
Ao comparar os resultados do Brasil com outros países, é possível fazer diferentes recortes, como por faixa de nível socioeconômico, por exemplo. Existem escolas com perfil de alunos de alto ou baixo nível socioeconômico em todos os países. Será que o nível de desempenho é semelhante?
Na análise dos resultados do Brasil, fique atento a diferença nas médias de proficiência por rede (municipal, estadual, federal e privada), por gênero e por região.
Rankings
Os rankings, que indicam os países com melhor e pior desempenho, são comuns na cobertura do Pisa.
Níveis de proficiência
A escala do Pisa é formada por seis níveis de proficiência nas três áreas avaliadas. A partir da pontuação, pode-se verificar em qual nível os estudantes estão. Os parâmetros podem mudar de uma edição para outra, então vale conferir com antecedência as habilidades esperadas, escalas de proficiência e os exemplos de questões da avaliação, que estão disponíveis neste relatório do Pisa 2025.
Questionário socioeconômico
No Pisa, além da prova, são aplicados questionários para os alunos e para as escolas participantes da avaliação. As respostas dos questionários são analisadas com os resultados das provas.
Vale ficar atento às informações dos questionários, pois podem ajudar a ter uma visão mais ampliada do desempenho dos estudantes, da escola e do sistema educacional.
Avaliação de Ciências
Tendo em vista o enfoque do Pisa 2025 em Ciências, a cobertura pode analisar a série histórica do desempenho dos estudantes brasileiros nessa área, que passou a ser avaliada pelo Pisa em 2006. A última edição com foco em Ciências foi realizada em 2015, quando a média dos estudantes brasileiros foi de 401 pontos, ante 493 pontos da média da OCDE.
O Brasil participa da avaliação desde a primeira edição em 2000. Assim, na hora de analisar os resultados do Brasil no Pisa 2025, é importante ter em mãos as médias do país em edições anteriores e análises da série histórica ao longo dos anos.
Abaixo, você confere um compilado dos resultados do Brasil nas últimas edições do Pisa.
(os anos em negrito indicam quando a área foi foco do Pisa)
Matemática
|
Ano |
Proficiência média |
|
2003 |
356 |
|
2006 |
370 |
|
2009 |
386 |
|
2012 |
389 |
|
2015 |
377 |
|
2018 |
384 |
|
2022 |
379 |
Fonte: Apresentação do Inep, com base na OCDE (Página 21).
Leitura
|
Ano |
Proficiência média |
|
2000 |
396 |
|
2003 |
403 |
|
2006 |
393 |
|
2009 |
412 |
|
2012 |
407 |
|
2015 |
407 |
|
2018 |
413 |
|
2022 |
410 |
Fonte: Apresentação do Inep, com base na OCDE (Página 21).
Ciências
|
Ano |
Proficiência média |
|
2006 |
390 |
|
2009 |
405 |
|
2012 |
402 |
|
2015 |
401 |
|
2018 |
404 |
|
2022 |
403 |
Fonte: Apresentação do Inep, com base na OCDE (Página 21).
Serviço
O lançamento mundial dos resultados do Pisa 2025 será realizado no dia 8 de setembro, às 9h30 (horário local; 4h30 no horário de Brasília).
Jornalistas interessados podem solicitar os resultados e materiais. Para isso, é preciso enviar um
e-mail para embargo@oecd.org. O relatório será enviado no dia 7 de setembro (segunda-feira).