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Resultados do Saeb e Ideb 2021 exigem cuidado nas comparações

Taxas de aprovação e aprendizagem, usadas no índice, foram afetadas por medidas emergenciais adotadas pelo MEC e redes de ensino na pandemia

15/09/2022
Marta Avancini

A divulgação do Ideb 2021 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) está prevista para a próxima sexta-feira (16/9) e, em função dos impactos da pandemia de covid-19 na educação, é importante que os jornalistas fiquem atentos a alguns aspectos que poderão influenciar no resultado.

 

O Ideb resulta de um cálculo que considera a taxa de aprovação e a aprendizagem em língua portuguesa e matemática, avaliada pelo Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). No caso deste Ideb, são considerados os dados de 2021, que tiveram sua precisão afetada no contexto da crise da covid-19.

 

Por isso, ao analisar o Ideb 2021 é importante prestar atenção a aumentos ou quedas do indicador, pois esses movimentos podem ter sido influenciados pelas medidas emergenciais adotadas por causa da pandemia, não refletindo, necessariamente, ganhos ou perdas pedagógicas.

 

A Jeduca, em parceria com o Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), realizou uma oficina sobre o assunto. Algumas organizações têm se pronunciado sobre o Ideb 2021, como o Instituto Unibanco e o Todos pela Educação..

 

A associação também solicitou ao MEC (Ministério da Educação) e Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) a divulgação com embargo dos resultados do Ideb e Saeb. Em resposta, a assessoria do MEC não se manifestou a respeito do embargo.

 

Vale lembrar que em 2020 e 2021, os ritmos de fechamento e abertura das escolas, oferta de ensino remoto, entre outras medidas, foram definidas pelos estados e municípios, de acordo com as condições locais e com base em pareceres e resoluções do Conselho Nacional de Educação (CNE), o que colaborou para intensificar as discrepâncias e variações da taxa de aprovação e da aprendizagem.

 

Atores da área educacional avaliam que faltou uma participação mais efetiva do MEC (Ministério da Educação) durante a crise da covid-19, como sinaliza relatório elaborado pela comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha o MEC.

 

Outro aspecto que merece atenção é o fato de o Saeb 2021 e o Ideb 2021 serem divulgados em plena campanha eleitoral, o que dá margem para uso político dos dados - tanto de desempenhos positivos, quanto negativos, assim como podem sustentar narrativas associando determinados resultados à maneira como os diferentes níveis de governo geriram a crise na educação na pandemia.

 

Um ponto importante a ser notado é a taxa de aprovação, que já foi divulgada no Censo Escolar e foi mais alta em 2021 do que em 2019, no período pré-pandemia (mais informações abaixo). Outro é a quantidade de alunos que fizeram a prova do Saeb em cada escola e rede de ensino, o que pode afetar o resultado do exame. 

 

Por isso é preciso tomar cuidado com comparações entre redes de ensino, estados, municípios, porque os resultados do Ideb 2021 refletem as condições particulares de cada localidade.

 

Por exemplo, a duração e as condições de oferta do ensino remoto, o nível de adesão e participação dos estudantes nas atividades a distância, como foi a retomada presencial e quando ela ocorreu etc. É preciso levar esses fatores em conta ao analisar um resultado porque eles podem ter influenciado a taxa de aprovação e a aprendizagem. Por isso,  sempre que possível, vale incluir esse tipo de contextualização na reportagem.

 

Outro ponto que merece atenção são as comparações entre anos diferentes, pois as condições em que os dados de 2021 foram produzidos são específicas, então destoam do padrão de anos anteriores. É como se o Ideb de 2021 fosse uma fotografia de um momento específico, ao invés de um filme que permite acompanhar a evolução de um processo.



Taxa de aprovação

Em diversas redes de ensino a taxa de aprovação aumentou artificialmente em função do Parecer 19/2020 do CNE (Conselho Nacional de Educação), que autorizou a fusão dos anos letivos de 2020 e 2021. 

 

Com isso, as redes de ensino puderam fazer a promoção automática dos estudantes, refletindo na taxa de aprovação coletada por meio do Censo Escolar. 

 

De maneira geral, as taxas de aprovação foram mais elevadas em 2020 do que em 2021, quando o ensino remoto prevaleceu e parcelas significativas dos estudantes não conseguiam acessar as aulas e atividades. Para não penalizar esses estudantes, muitas redes de ensino adotaram a aprovação automática, já que o CNE permitiu a fusão dos anos letivos.

 

Em 2021, O Censo Escolar mostra uma tendência de diminuição da taxa de aprovação, mas, ainda assim, mais altas que em 2019 (pré-pandemia). Os dados sinalizam que uma parcela dos estados e municípios podem ter adotado a promoção automática - especialmente aqueles que, por causa das condições locais, demoraram mais tempo para retomar as aulas presenciais.

 

É possível acompanhar esses movimentos consultando as taxas de aprovação em  planilhas disponíveis no site do Inep.  Além do dado para o país, estão disponíveis as informações referentes aos estados, municípios e escolas desde 2007, o que permite identificar as movimentações em uma mesma unidade da federação/município/escola ao longo do tempo e perceber em quais houve uma oscilação mais acentuada.  

 

Outra fonte possível de consulta é a plataforma QEdu, desenvolvida pelo Iede a partir dos dados oficiais.

 

Aprendizagem
O Saeb 2021 foi aplicado entre novembro e início de dezembro de 2021, período em que a retomada presencial ainda estava se consolidando. Então, também houve significativa variação nas condições de aplicação da prova

 

Ou seja, assim como a taxa de aprendizagem, as condições de aplicação da prova  variaram significativamente entre as redes de ensino, especialmente a taxa de participação. 

 

O Inep já divulgou que na média nacional a prova foi aplicada a cerca de 70% dos estudantes. No entanto, essa porcentagem pode ser muito diferente de rede para rede, de escola para escola - maior até do que já ocorria antes da pandemia. 

 

Então, para analisar devidamente o resultado, de um nível de ensino, um estado ou um município seria importante consultar a taxa de participação, caso o MEC divulgue esta informação. Se ela for baixa, o resultado precisa ser olhado com cuidado, pois pode ser produto de algum tipo de viés (por exemplo, somente os melhores alunos fizeram a prova, ou a prova foi feita com os alunos que estavam presentes no momento, não retratando, portanto, a realidade).

 

Além da taxa de participação, outra maneira de tornar a análise mais precisa é identificar a proporção de alunos em cada faixa de aprendizagem, o que também não sabemos se será  divulgado.

 

Por isso também, é delicado fazer comparações entre redes e escolas e ao longo do tempo, porque o cenário em 2021 era específico e muito diferente em relação ao período  pré-pandemia.

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