Nesta quarta-feira (25/3), foi aprovado na Comissão de Educação e no plenário do Senado o Projeto de Lei 2.614/2024, que cria o novo PNE (Plano Nacional de Educação) para o decênio 2026-2036. Agora, o texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O PNE define as metas e objetivos que irão orientar as políticas públicas da educação brasileira. Em discussão no Senado desde dezembro, na quarta-feira (25), o PL foi aprovado pela Comissão de Educação e encaminhado para votação em plenário em regime de urgência. O parecer do texto foi relatado pela senadora Teresa Leitão (PT-PE).
Atualmente, não há um Plano Nacional de Educação em vigor no país, uma vez que o último PNE (2014-2024) chegou a ser prorrogado com a sanção da Lei nº 14.934/2024, mas deixou de valer no final de 2025.
É a partir da sanção do PNE que os estados e municípios deverão elaborar seus planos estaduais e municipais decenais de educação, alinhados às diretrizes nacionais.
Nas discussões sobre o PL na Comissão de Educação do Senado, foram apresentadas 28 emendas. Destas, 5 emendas foram acatadas parcialmente e 23 emendas foram rejeitadas.
Com a justificativa de evitar o retorno do texto à Câmara dos Deputados e um maior atraso na aprovação do PNE, foram rejeitadas as emendas que tratavam de alterações do conteúdo da proposta. O Senado Notícias detalha os principais pontos da proposta.
Algumas das emendas apresentadas, por exemplo, tratavam do reconhecimento do homeschooling (ensino domiciliar) e oferta da educação infantil por meio de convênios e parcerias, além de incluir novas diretrizes ao texto.
Com relação às 5 emendas aceitas pela relatora, apenas foram acatadas mudanças relacionadas a ajustes na redação do texto.
Uma das mudanças no texto aprovado pelo Senado foi na redação da Estratégia 6.7, da qual foi retirada a lista de áreas e temas transversais. A lista incluía temas como cidadania e democracia, educação em direitos humanos, educação para as relações étnico-raciais e educação anti capacitista, entre outros.
O trecho foi substituído pela menção a “áreas e temas transversais previstos” na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e outras normas educacionais.
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PL Original |
Texto aprovado no Senado |
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18 objetivos |
19 objetivos |
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58 metas |
73 metas |
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253 estratégias |
372 estratégias |
O PNE está organizado a partir de três pilares: acesso, qualidade e equidade.
Os 19 objetivos do PNE estão organizados em diversas temáticas, que incluem: educação infantil, alfabetização, ensino fundamental e no ensino médio, educação integral em tempo integral, conectividade, sustentabilidade socioambiental, educação escolar indígena, educação do campo e quilombola, educação especial inclusiva, EJA, educação profissional e tecnológica, graduação e pós-graduação stricto sensu, formação e valorização dos profissionais da educação, participação social e gestão democrática e financiamento e infraestrutura.
Um dos destaques do novo PNE será a inclusão de instrumentos para assegurar o monitoramento contínuo das metas a cada dois anos. A medida visa evitar a repetição do desempenho no PNE 2014-2025, conforme destaca matéria do O Globo. Balanço do Inep, divulgado em dezembro de 2025, aponta que a maioria das metas não foram alcançadas.
De acordo com o PL, planos de ação serão elaborados pela União, estados e municípios para operacionalizar os planos decenais. Também estão previstas revisões desses planos de ação a cada dois anos.
A ênfase na qualidade é um dos destaques do texto, como aponta análise do Todos Pela Educação, que cita a viabilidade das metas referentes a indicadores de acesso, trajetória escolar e aprendizagem no contexto atual da educação. Para a organização, outros pontos positivos do texto são o fortalecimento da equidade e os instrumentos de implementação e monitoramento.
Por outro lado, a organização cita a calibração das metas de aprendizagem, o fortalecimento da agenda de atratividade da carreira docente e o alinhamento dos planos de ação aos ciclos políticos como pontos que poderiam ser aprimorados.
Em carta, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação coloca como destaques o alinhamento com a Lei Complementar 220/2025, sancionada em 2025 para criar o SNE (Sistema Nacional de Educação), e o detalhamento do texto sobre o financiamento por estudante, com foco na redução das desigualdades raciais e socioeconômicas.
A organização chama atenção para a necesssidade da implementação do CAQ em dez anos, o que está previsto no texto aprovado do Novo PNE. O CAQi/CAQ, segundo ressalta a Campanha, já estava previsto no útimo PNE e, portanto, já deveria ter sido implementado, o que ainda não ocorreu.
Financiamento
Durante a tramitação do PNE, o financiamento foi um dos principais pontos de disputa e negociação. A redação final do PNE determina que o investimento do PIB (Produto Interno Bruto) deverá chegar a 7,5% em sete anos e a 10% até o final do decênio. A proposta prevê 3,5% de investimento da iniciativa privada.
Ampliar o investimento para atingir 10% do PIB também estava previsto na meta 20 do PNE 2014-2025, que não foi cumprida. De acordo com matéria do g1, o percentual atual é de 5,5%
Matéria do Porvir destaca que um dos principais pontos do novo PNE é o mecanismo, que terá como base o CAQ, que prevê a complementação da União no orçamento dos entes que não atingirem o padrão mínimo estabelecido de investimento por aluno, com o objetivo de reduzir as desigualdades entre regiões.
Em webinário da Jeduca, realizado em dezembro, Renan Simão, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, apontou que, mesmo com a aprovação do plano, é importante levar em conta o contexto econômico e a existência de riscos para o financiamento da educação e dos seus servidores públicos.
Outubro e dezembro de 2023 - Foram realizadas as conferências estaduais e municipais de educação, que antecederam a Conae 2024 (Conferência Nacional de Educação). Os resultados das conferências contribuíram com a apresentação de diretrizes, metas e estratégias para o novo PNE.
Janeiro de 2024 - As discussões e o documento final da Conae 2024, realizada em Brasília, serviram de base para a elaboração do PL 2.614/2024. No fim de janeiro, o texto foi protocolado pelo governo federal na Câmara dos Deputados.
Julho de 2024 - Em razão do atraso para aprovação de um novo plano, foi prorrogada a vigência do antigo PNE até dezembro de 2025, com a sanção da Lei nº19.934.
Outubro de 2025 - Na Comissão Especial, criada para analisar e votar a proposta, foi apresentado relatório do deputado Moses Rodrigues (MDB-CE), relator do PL na Câmara dos Deputados. O parecer foi elaborado a partir dos resultados de audiências públicas, seminários estaduais e distritais, reuniões com entidades do setor educacional e da análise das emendas parlamentares apresentadas. A inclusão de um objetivo sobre sustentabilidade socioambiental foi uma das mudanças feitas ao texto original.
Dezembro de 2025 - O texto foi aprovado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados e encaminhado para o Senado.
Março de 2026 - O PL foi aprovado na Comissão de Educação do Senado e seguiu para votação no plenário, sendo aprovado no mesmo dia.
Aguarda, agora, sanção presidencial.
Pontos de atenção
Na mídia
Congresso aprova Plano Nacional de Educação; veja objetivos estabelecidos - Estado de S.Paulo
O que é o novo Plano Nacional de Educação? Veja as metas previstas para a área - Folha de S.Paulo
Novo Plano Nacional de Educação: o que muda se for aprovado? - Alma Preta
Como é e como fica a educação com o novo PNE - Poder 360